Felizmente estamos entrando na reta final do processo eleitoral com campanha televisiva que terá início no final da semana. O processo deve começar a colocar um eixo nas discussões e propostas dos candidatos, e principalmente começar a definir que candidatos estarão no segundo turno. Porém, ainda existe uma discussão no Judiciário que pode ficar para mais tarde, mas com limite em 17 de setembro.

Até este prazo, inclusive, terão que decidir sobre a chapa do PT encabeçada pelo ficha suja Lula. E até se haverá ou não transferência de votos para Fernando Haddad. Que até o momento, é o “poste” do ex-presidente que tem incomodado membros do próprio partido e o outro partido que comporia a chapa de Haddad com Manuela d’Ávila. Outra facção do partido gostaria da força de Lula até o final e dizer que foi impedido politicamente.

Com esse cenário ou sem ele, haverá um final que ajudará os candidatos em encontrar melhor foco para suas campanhas ao Planalto. Destacamos que o PT tem o segundo maior tempo do horário eleitoral de 50 minutos diários em dois blocos. Alckmin dispõe de 40% do tempo total, por conta das coligações realizadas. Nos Estados, essas coligações mudam um pouco e os candidatos terão tempos diferentes.

Uma surpresa com a qual começamos a semana diz respeito ao candidato João Amoedo do Partido Novo, que por não ter nenhum parlamentar até então, ficou impossibilitado de participar dos debates realizados entre os candidatos. Em pesquisa realizada nesse início de semana pela instituição BTG, na pesquisa espontânea, Amoedo figura com 4% das intenções de votos. Em primeiro, ainda segundo, a pesquisa BTG segue o candidato Jair Bolsonaro, seguido de Marina Silva e depois Alckmin com 9%.

Dentre as propostas que os candidatos vão apresentando, Haddad como porta-voz de Lula indica que defenderá o emprego, educação e reforma tributária, tipo “Robin Hood”. Ciro Gomes vai tirar a população da inadimplência, transferindo negociações para bancos públicos e esquecendo que Banco do Brasil é de capital aberto e negociado em bolsa. Diz ainda que no primeiro dia de seu governo acabará com o cartel do sistema financeiro. Amoedo defende o teto de gastos, a reforma trabalhista e a terceirização irrestrita. Marina e Alvaro Dias querem mexer no teto e reforma trabalhista, sem explicitar onde ocorreriam tais mudanças.

Bom, enquanto o país se fixa nas próximas eleições, os dados de conjuntura vão se deteriorando mais um pouco. A nova pesquisa Focus semanal do Bacen mostrou inflação em alta para 2018 (IPCA de 4,17%), PIB encolhendo para 1,47% e produção industrial reduzindo para alta de 2,61%. Da mesma forma, dados divulgados pelo Bacen, mostraram que o déficit em conta corrente de julho foi o maior desde 2014 para o mês e o ingresso de investimentos diretos no país reduziu.

Apesar disso, a situação de nossas contas externas ainda mostram tranquilidade. O déficit em conta corrente em 12 meses atingiu US$ 15,0 bilhões (0,76% do PIB) e investimento diretos no país alcançam US$ 64,18 bilhões (cerca de 3,25% do PIB). Com isso, os investimentos diretos no país, cobrem o déficit em conta corrente em 4,3x, francamente confortável, mas com tendência duvidosa no curto prazo.

Essa situação de indecisão de investidores externos e locais, empresários, empreendedores ainda deve seguir até que o vencedor das eleições de final de outubro coloque como pretende governar o país. E principalmente, quais medidas de correção de rumo da política econômica serão tomadas, para o bem ou para o mal. Se o vencedor for reformista haverá resposta positiva dos agentes do mercado. Se for mais populista a resposta será negativa.

Vamos ter que esperar para que as definições aconteçam. Mesmo assim ainda teremos um período de provação.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais