Entramos na reta final?
Por Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Ultrapassamos os primeiros três meses do governo de Jair Bolsonaro com muitas disputas e discussões estéreis. Sem muita ação ainda que independentes do Congresso Nacional e com algumas ações de pouca relevância para o país, como o porte de armas. Bolsonaro e seus filhos foram, até o momento, os principais artífices das crises ocorridas nesses três meses, que de certa forma tiraram o foco do essencial. Que seria a paz para aprovar a reforma da Previdência, seguida de outras ações até mais importantes para a economia no curto e médio prazo.

Na semana passada (de 25 a 29 de março), aparentemente chegamos ao ápice das discussões e os mercados reagiram negativamente no início do período, sinalizando exatamente este momento. A Bovespa depois de vazar os 100.400 pontos do índice retornou até o patamar de 91.000 pontos, o dólar também vazou R$ 4,01 e os juros subiram forte. Mais para o final da semana, felizmente todos os protagonistas sentiram os danos e decidiram “fumar o cachimbo da paz”.

Nesse ponto convém dizer que a Bovespa em março terminou com pequena queda de 0,18%, mas no ano ainda mostra alta de 8,56%. Os investidores estrangeiros que são fundamentais no fluxo de recursos e estabelecimento do nível de preços dos ativos, depois de retirarem recursos, passaram a acreditar na alocação. E em março (até o dia 27 de março) ingressaram liquidamente com R$ 3,2 bilhões, deixando o saldo do ano de 2019 positivo (depois de ter ficado bem negativo) em R$ 2,11 bilhões.

Pois bem, começamos o segundo trimestre do ano com esperança renovada. Esperança que esses três meses tenham dado a real dimensão ao presidente que nas democracias os governantes dependem do poder Legislativo e que é importante negociar. Ainda que Bolsonaro não queira voltar à velha política do “toma lá dá cá”, no que concordamos, terá que negociar com os partidos e não com correntes do parlamento, como as da bala, ruralista, evangélicos, etc.

O diálogo entre os três poderes parece começar a ser restabelecido. O que nos permite questionar: chegou a hora da virada? aparentemente sim! Nessa semana ( de 1 a 5 de abril), o ministro da Economia Paulo Guedes comparecerá na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara que já escolheu o relator da reforma da Previdência, e o ministro tem sido bem contundente e assertivo na defesa das mudanças. A data projetada para votação da admissibilidade está posta em 17 de abril, e em seguida terá que passar pela Comissão Especial que ainda não escolheu o relator, antes de seguir para plenário para a primeira votação (de duas) na Câmara.

Depois ainda teremos que aprovar a reforma no Senado em duas votações, mas ainda dá tempo para que tudo ocorra até o final do trimestre /início do próximo. No Senado, parece mais tranquilo obter votação favorável com menor ruído. Porém, para que tudo ocorra será preciso que não tenhamos mais crises ou declarações inoportunas de alguns membros do Governo.

Temos outro ponto para destacar, agora na tramitação concomitante do projeto de segurança pública e anticorrupção do ministro Sergio Moro. Que faz todo sentido ser avaliado em conjunto com a reforma da Previdência, o que garantiria ainda mais credibilidade ao governo, mostrando ao mundo que pretendemos não só reposicionar a economia no rumo correto, mas acabar com a corrupção endêmica no país.

É assim que entendemos os dias que correm. O segundo trimestre será fundamental para que o governo mostre sua cara e, com isso, atraia investidores para o país no segmento de infraestrutura, nas privatizações e na capitalização das empresas em mercado. Com os bancos centrais dando um passo atrás na elevação dos juros e encolhimento da liquidez internacional, o Brasil poderá voltar ao radar e se beneficiar de tudo.

Portanto, velas ao vento!