O cenário político continua dominando as ações na economia e com uma equação danosa. O governo age quase que exclusivamente na tentativa de não deixar o processo de impeachment ter continuidade, por mais que isso seja mais fácil, já que seriam necessários somente 172 votos contra a Câmara para não abrir o processo.

E não é só isso, mesmo que o impeachment por essa via não tenha curso, o governo precisa tomar decisões visando as eleições do final de ano, base para melhorar as possibilidades na eleição majoritária de final do ano, imprensada por recursos mais escassos e pelas Olimpíadas. Caso, o governo seja o grande perdedor nas eleições municipais, será muito difícil conseguir êxito nas eleições presidenciais de 2018.

Função dessas observações, o governo tenta seduzir governadores, com redução em 40% das prestações de empréstimos, acelerando a regulamentação do repatriamento de recursos que ajudaria na recomposição do caixa e estimulando novamente o segmento imobiliário. Por trás disso, além de tentar bloquear o processo de impeachment, menores dificuldades para aprovação da reedição da CPMF e DRU; algo que parece pouco factível de sucesso no momento.

Há ainda a possibilidade (até aqui não descartada) de Lula compor o ministério da presidente Dilma, o que na prática seria quase que um “impeachment branco”, já que Lula passaria a dar as cartas no governo. Ora, está posto que Lula é contra ao que Nelson Barbosa está propondo como a Reforma da Previdência e outras também importantes, o que enfraqueceria o ministro e colocaria em risco todos os ajustes propostos.

Seria natural que os agentes dos mercados e empresários e investidores externos ficassem, pois, de sobreaviso. Aparentemente a situação ficaria ainda mais instável, se é que isso é possível. Não dá para pensar que políticas estimulando o crescimento sem fazer os ajustes requeridos minimamente dessem certo, ainda com horizonte de curto prazo. A economia brasileira requer ajustes de largo espectro, sem os quais qualquer melhora seria simplesmente um “voo de galinha” destinado a não deixar que as próximas eleições redundassem em retumbante fracasso.

A situação externa onde as economias patinam e bancos centrais ingressam em nova rodada de flexibilizações monetárias indicam, no mínimo, que o Brasil teria que repensar melhor políticas novamente anticíclicas, já que poderia levar ao insucesso e mais desequilíbrios no futuro.

Pensar que o Brasil poderia gastar mais abandonando o ajustes fiscal beira a infantilidade. O perigo é que a sedução para tal parece enorme nas hostes do PT e na cabeça de Lula. Mas, ainda que Lula não aceite compor o ministério, o governo já parece caminhar nessa direção tentando angariar o apoio de governadores que estão em situação pré-falimentar, começando declaradamente pelo Rio Grande do Sul e terminando no Rio de Janeiro.

Como tudo parece passar pela baixa credibilidade e governabilidade do segundo governo Dilma, tendemos a acreditar que poucas serão as ações bem sucedidas, sem que a bandeira do ajuste fiscal e reforma da Previdência sejam agitadas.

O bom de tudo isso e que nas próximos dias e semanas teremos definições importantes sobre tudo isso, o que certamente implicará em novos rumos (piores ou melhores) para a economia.