Depois de registrar queda de 2,58% na semana anterior, o índice Bovespa tem espaço para buscar recuperação. Mesmo considerando essa perda, no comparativo com o mercado americano estivemos melhores. Na semana, o Dow Jones perdeu 4,43% e o Nasdaq com -4,25%.

Estamos começando a semana com indicações mais positivas aos dois fatores temidos pelos investidores no mercado internacional. De um lado, o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), e de outro o orçamento deficitário projetado pela Itália para 2019, quebrando regras sobre o tema da União Europeia.

Sobre o Brexit, durante o final de semana, os 27 membros restantes da União Europeia aprovaram o esboço de acordo. Isso significa um passo no sentido de Brexit com acordo. Citamos declarações de Theresa May e Jean Claude Juncker de que foi feito o melhor acordo possível, apesar do momento triste. Mas a “novela” não termina. Logo em seguida, o líder do partido DUP da Irlanda do Norte declarou que não apoiará o Brexit sob nenhuma circunstância. Igualmente, Boris Johnson, que liderou originalmente todo o movimento e plebiscito pelo Brexit e foi ministro de Theresa May até recentemente, pediu que o acordo formatado por Theresa May seja “jogado no lixo”, mostrando o clima reinante.

Bom citar que o acordo aprovado pelos membros da União Europeia terá que ser aprovado pelo parlamento britânico em reunião inicialmente marcada para 10-12 de dezembro. A empresa de consultoria internacional Eurasia projetou que a rejeição aumentou de 60% para 75%. Ou seja, a chance de o parlamento britânico aprovar o acordo da forma que está formulado é bem baixa. Ou seja, ainda teríamos estresse no mercado internacional, e isso certamente afeta o comportamento dos mercados de risco, especialmente dos países emergentes.

Sobre a Itália, caso o noticiário internacional seja confirmado, pode ser um momento de redução do estresse. O governo italiano sinalizou que pode reduzir a projeção de déficit do orçamento de 2019 dos divulgados 2,4% do PIB, para o que seria desejável, ao redor de 2,00%/2,10%. Vamos torcer para que seja verdade e haja descompressão internacional.

Apesar disso, ainda teremos o estresse relacionado com commodities, sob liderança do petróleo com grande volatilidade. A queda do petróleo nas últimas semanas, tendo como pano de fundo a desaceleração econômica global e ajustes de políticas monetárias em países desenvolvidos, tem afetado outras commodities, notadamente minério de ferro e cobre. Por conta disso, a aversão ao risco tem retornado com força no mercado internacional. E o efeito na Bovespa tem sido de saque de investidores estrangeiros, que somava até 21 de novembro, retiradas líquidas de R$ 3,4 bilhões, elevando os saques do ano para R$ 9,3 bilhões.

No Brasil, vamos ter que conviver com largas expectativas em relação à postura do novo governo. Com cargos principais da equipe econômica já definidos, agora as expectativas recaem sobre quais serão as prioridades e como será encaminhado. A maior dúvida fica por conta da reforma da Previdência. Sem ela não há chances de ajuste fiscal. O governo atual encaminhará votação do projeto que já tramita e, em sintonia com Bolsonaro, vetará algumas mudanças? Ou tudo redundará em novo projeto? Se for assim, a reforma (se houver) só acontecerá pelo segundo semestre de 2019, deixando o ano de 2019 quase perdido em termos de ajustes. Isso sem contar outras reformas requeridas, igualmente importantes. Os mercados também seguirão em constante pressão. Nossa torcida é pela hipótese de votação do projeto que tramita com alguns vetos.

No curto prazo, em 30 de novembro, teremos a divulgação do PIB do Brasil referente ao terceiro trimestre que pode jogar luzes sobre o fechamento do ano e o carregamento para 2019. Portanto, não há muitas chances de termos mercados de risco com menor volatilidade nos próximos períodos.
Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais