Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe banco digital modalmais

A cirurgia do presidente Bolsonaro vem limitando a atuação do novo governo nesse quase um mês e meio de atuação. Não se trata de culpar o presidente Bolsonaro por isso. Afinal, são três cirurgias (a primeira de emergência) desde o início de setembro e algumas complicações de quadro. Com visitas restritas e ministros tendo que aprovar medidas com grande urgência, o fato é que o governo ficou meio encilhado.

Nessa semana que passou, o presidente acusou quadro de pneumonia e, com isso, sua alta do hospital foi novamente suspensa. O noticiário do final de semana, no entanto, indica que Bolsonaro vem se recuperando e pode sair do hospital mais para o final da semana, o que seria muito positivo. Não podemos esquecer que o governo está numa corrida de 100 metros (ou de 100 dias, como queiram), onde será de extrema importância mostrar logo para que veio e para que foi votado.

É importante que a credibilidade do governo seja mantida ou em alta, como fiadora das mudanças. A oposição tenta descobrir fatos enquanto o presidente está fora de combate (por um lado estar fora de combate pode até ser positivo). Foi assim com denúncia sobre seu filho Flávio na ALERJ, e nessa semana com o laranjal anunciado em seu partido PSL, de candidatas quase fictícia para devolver recursos destinados para campanha.

É nesse contexto que a principal reforma do governo tarda. O ministro da Economia Paulo Guedes se empenha para manter a chama da reforma acessa, alongando expectativas dos investidores, na crença de que Bolsonaro validará boa parte do que foi “divulgado” na semana passada. Sabemos que existem divergências sobre idade mínima de 65 anos para homens e mulheres entre Bolsonaro e Guedes, e que parlamentares teriam dificuldades de aprovarem. Mas também sabemos que parlamentares, servidores do Estado e militares; entrarão nesse esforço de aproximar benefícios. O mesmo vale para professores e policiais com sistema de pontuação. Sabemos ainda que Paulo Guedes quer mandar junto a migração para regime de capitalização, com transição usando o FGTS.

O ministro Paulo Guedes tem dito que a reforma pensada é bastante abrangente e o secretário de previdência Rogério Marinho tem dito que o projeto deve ser anunciado entre 19 e 21 de fevereiro, com Bolsonaro batendo o martelo. Vamos torcer para que efetivamente aconteça e o texto que foi divulgado, possa prevalecer com grande integridade.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem sido grande divulgador e propagador da necessidade da reforma. Agora mesmo iniciou viagem pelo país no sentido de cooptar governadores e parlamentares, já que Bolsonaro precisa ter em sua base cerca de 320/330 políticos. Para na hora de votação conseguir os tais 308 votos necessários. Não é fácil, mas é bastante possível.

Se houver essa sinalização de profundidade e celeridade de tramitação da reforma da Previdência, e que pode ser votada em junho (segundo Maia), os mercados devem antecipar expectativas e ganhar tração. Com isso, poderemos trazer de volta a projeção de que o Ibovespa possa atingir o emblemático patamar de 100.000 pontos antecipado e o retorno de recursos de investidores estrangeiros.

Se pudermos contar com boas negociações comerciais entre os EUA e a China, e nenhum grande susto com o Brexit; melhor ainda, pois já temos a expectativa de que bancos centrais de países desenvolvidos vão colocar o pé no freio de aumentos de juros e redução de seus balanços.

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