Façam Suas Apostas

Nós nunca comungamos a ideia de que os mercados de risco eram iguais a cassino. Querer que a Bolsa seja comparada aos jogos de azar não se sustenta. Há muita lógica na atitude dos investidores e algumas vertentes só são entendidas posteriormente. Porém, muitos dos não iniciados (ou mal iniciados) não conseguem entender alguns movimentos de curto prazo.

O melhor exemplo fica por conta de os mercados de risco no cenário local terem recuperado no período anterior à votação do processo de impeachment da presidente Dilma na Câmara, e ter caído no dia seguinte. Também não concordamos com aquela máxima do “compre no boato e venda no fato”, se bem que se os mercados ajustarem muito no período anterior ao fato, podem incorrer em realizações de lucros, confirmando a máxima.

Mercados de risco trabalham com expectativas futuras e sempre antecipando movimentos, razão pela qual podem fazer movimentos inversos sempre que as expectativas não coincidirem. Um exemplo clássico é aquele da empresa que teve lucro em expansão de digamos 30%, mas os agentes esperavam 50%. Caiu por quê? Caiu por conta de expectativas melhores, muito embora os resultados possam ter sido positivos. Isso já aconteceu com grandes empresas como IBM, Apple, P&G e até com a sacrificada Petrobras.

Ilustramos tudo para acrescentar que na nossa visão o momento é de fazer cálculos e apostas, sempre tendo em vista que é possível fazer uso de proteções em derivativos para minorar riscos de exposições desnecessárias. Estamos no limiar de um ponto de inflexão, onde literalmente algumas apostas devem ser feitas. Em frase atribuída à Napoleão Bonaparte, diz-se que “a História não fala dos covardes”. É preciso então arriscar algumas diretrizes, respondendo questões como essas.

A presidente Dilma será afastada do governo por algum prazo (já em maio) e sem volta? O vice-presidente Temer assumirá com plenos poderes e ministério de notáveis? Conseguirá Temer realizar minimamente as mudanças necessárias na economia e desaparelhar rapidamente o Estado aparelhado pelo PT? A população entenderá a gravidade do problema do Brasil e será solidária com os ajustes propostos? Qual será a abordagem do novo governo para o problema crucial do rombo da Previdência? Onde incidirão os cortes da máquina pública e de alguns programas de governo?

Outra questão seria se o governo Temer conseguirá recuperar parte da credibilidade e governabilidade, tendo o PT na oposição (isso o partido sabe fazer) e com algumas centrais sindicais fazendo muito barulho. Em que medida e em que prazo os empresários, empreendedores e investidores estrangeiros começariam a se movimentar para realizar investimentos; ainda que inicialmente de forma tímida? Como seria um governo de transição até que chegássemos às eleições de 2018, e aí sim com respaldo das urnas realizar reformas em praticamente tudo? Completar a reforma da Previdência, a reforma fiscal e tributária e até a política.

Temer vai precisar agir com medidas de curtíssimo, curto e médio prazos; tudo sem perder de vista as expectativas de longo prazo e recuperação dos investimentos. Para tanto terá ainda que mexer nos marcos regulatórios que foram muito alterados (e para pior) ao longo de todos os últimos anos da administração petista.

Se você intuitivamente respondeu favorável à maioria dessas questões está na hora de arriscar mais em seus investimentos. Ao contrário, caso se mantenha pessimista em relação a boa parte dessas questões, siga aplicando recursos em renda fixa. Mas tente garantir melhor retorno aplicando em títulos pré-fixados e por prazos mais longos.

Boa sorte nas suas apostas e visão de futuro. Lembre-se que otimistas e pessimistas na essência se equivalem, com o diferencial que o pessimista sofre muito mais.