Com o ajuste fiscal tendo alguma sequência no Congresso Nacional a partir da manutenção dos vetos da presidente, o governo entrou novamente em cena em posição proativa, dando mais ênfase ao crescimento econômico. O ministro Levy passou a falar do crescimento futuro e de alguma desaceleração no processo inflacionário, fazendo peregrinação por diversos eventos.

Ocorre que investidores e empresários ainda estão reticentes quanto a isso e aguardam melhores definições no tempo. Em evento do qual o ministro Joaquim Levy participou, a representante da agência de classificação de risco S&P – Regina Nunes – disse que na visão da S&P não existe melhora na situação do país e enxerga ainda rápida deterioração dos indicadores. Acrescentou que a S&P não tem data marcada para a revisão, o que poderia sugerir novo rebaixamento da classificação de risco já que mantém perspectiva negativa para o Brasil.

Se avaliarmos pela última pesquisa Focus semanal do Bacen, os dados de inflação seguem piorando, com o IPCA de 2015 em 10,35% e a estimativa de 2016 já superando o teto da meta de 6,50%, projetado em 6,64%. A expectativa é que a inflação até novembro já supere a casa de dois dígitos. Também pioram as condições para o PIB de 2015, agora com queda de 3,15% e também para 2016, projetado em -2,01%. Somente os dados referentes ao comércio externo contam com alguma melhora, muito em função da taxa cambial que acumula desvalorização em 2015 de cerca de 40%.

Os dados da PNAD contínua anunciados pelo IBGE também mostram deterioração, com a taxa de desemprego do trimestre encerrado em setembro subindo para 8,9% e queda da renda média real de 1,2% no comparativo com igual período de 2014. Bom acrescentar que foram fechados 1,2 milhão de postos de trabalho, sendo que o setor industrial demitiu 519 mil.

Ocorre que a situação do país anda tão ruim que qualquer mudança no sentido de aprovar os ajustes propostos pela área econômica pode produzir melhora relativa. Porém, discursos de crescimento não vão mudar o humor de investidores empreendedores e empresários locais. É preciso melhorar a governabilidade, dar novos passos no sentido de reorganizar a economia dentro das possibilidades e estabelecer garantias e melhores marcos regulatórios para a comunidade financeira internacional.

Não podemos desprezar também os ruídos produzidos pela operação Lava Jato em sua 21ª fase e ainda todas as complicações decorrentes do afastamento ou não do presidente da Câmara Eduardo Cunha. Definições nessa área e também com relação à eventual abertura de processo de impeachment para a presidente Dilma parece ter ficado para o próximo ano e só alonga perspectivas e agrega maior sofrimento a sociedade.

Se bem nos lembramos, Maquiavel dizia “que o mal se faz de uma vez só, enquanto o bem pode ser feito em doses menores”. É preciso tirar o país do imobilismo em que se encontra e começar a criar as expectativas futuras de um Brasil melhor organizado e incluído novamente no radar dos investidores.