Com a frase “vamos devagar que estamos com pressa”, Henrique Meirelles parece querer definir como será a atuação da área econômica no novo governo de Michel Temer. Definir prioridades, avaliar todos os rombos e problemas, traçar alternativas e tomar decisões rápidas. Nada mal para quem está chegando e não pode errar. É bom lembrar que a credibilidade foi para o ralo, principalmente quando o governo passado errou em fixar metas inatingíveis e mudar frequentemente seus números.

Incidir nos mesmos erros de avaliação (no caso passado, pareceu má fé mesmo) seria mortal para a área econômica que pretende angariar confiança dos investidores estrangeiros, empresários locais e da sociedade como um todo. O pior é que isso não se consegue do dia para a noite. É um processo lento, onde todos vão se posicionar vagarosamente, mas o governo precisa dar a garantia de rumo.

Em 17 de maio de 2016, o ministro Henrique Meirelles anunciou boa parte de sua equipe; ele que sabe montar isso com primor. Comparado ao que tínhamos anteriormente parece um “dream time”.

Todos profissionais com luzes próprias e bem sucedidos na área privada ou governamental. O novo presidente do Bacen – Ilan Goldfajn – já esteve na diretoria do Bacen e era economista chefe do Itaú (só para lembrar, Levy era do Bradesco). É muito respeitado em suas projeções e sabe ouvir e tomar decisões.

Carlos Hamilton na Secretaria de Política Econômica será o teórico para formular os diferentes pleitos do governo na área econômica. Mansueto de Almeida, crítico feroz da política anterior terá como missão debruçar sobre as contas públicas que conhece profundamente e descobrir soluções que nos levem para alguma zona de conforto, por menor que seja. Já Marcelo Caetano, na Secretaria de Previdência é outro técnico reconhecido e com enorme problema nas mãos. Terá que minimizar os impactos dos rombos na Previdência que nesse ano deve atingir algo como R$ 1333 bilhões e, em trajetória, explosiva.

Alguns técnicos como Rachid na Receita Federal e Octavio Ladeira no Tesouro estão preservados (pelo menos por enquanto). E ainda não foram confirmados os profissionais que tocaram a problemática Petrobras (Pedro Parente parece o mais cotado) e Banco do Brasil; além de outras empresas públicas também com problemas, como Eletrobrás e Furnas. Para o BNDES, foi indicada Maria Silva Bastos Marques, que tem passagens bem sucedidas pelo próprio BNDES (área de privatização), pela CSN e Comitê Olímpico; dentre outras atividades. Na secretária de Finanças do município teve boa passagem organizando as finanças.

Aliás, outra bomba relógio do governo Temer está nos Estados em situação pré-falimentar que tem que ser solucionada.

A equipe econômica parece bem azeitada e em condições de dar conta dos desafios impostos. O problema está quando tiverem que depender de medidas aprovadas pelo Congresso Nacional. Apesar de teoricamente terem 2/3 (caracterizado pelas votações na Câmara e Senado) de aprovação, passar medidas não será algo fácil e nem rápido. Convém lembrar que no final do ano teremos eleições municipais, e medidas duras necessárias vão encontrar dificuldades junto aos políticos. Só para exemplificar um único tema polêmico: a reforma da Previdência que será discutida nos próximos 30 dias.

À respeito da frase de Meirelles, teríamos a frase de Sêneca que dizia “Não chega primeiro quem vai mais depressa, mas sim quem sabe aonde vai”.

Por Alvaro Bandeira
Economista Chefe home broker modalmais