Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

Mais uma semana de tensão para os mercados domésticos, e assim deve ser provavelmente até o final de outubro, quando teremos o segundo turno das eleições para presidente. Provavelmente nem assim teremos alguma paz nos mercados, já que será preciso conhecer detalhes dos planos do novo presidente, e mais que isso, será preciso saber como o novo presidente implementará seu projeto.

Portanto, para investidores que não possuem apetite ao risco, o momento é de proteger suas aplicações. Mas para quem gosta de correr riscos o momento é ideal, já que poderemos ter grande volatilidade não só nos ativos negociados na Bovespa, como nos juros, e principalmente na taxa cambial. Aliás, o dólar sofre efeitos adicionais que não são os exatamente relacionados com as eleições. O dólar forte no exterior e os juros dos títulos de dez anos próximo de 3,0%, trazem componentes de risco que o nosso Banco Central não consegue domar.

Moedas de países emergentes desequilibrados estão sendo pressionadas, e nesse rol podemos citar países, como Argentina (nossos vizinhos agregam mais risco), Turquia, Índia (mesmo com crescimento acelerado), África do Sul, Indonésia; e agora a própria Rússia que elevou os juros básicos para 7,50% na semana passada. No Brasil, nesse início de semana, o dólar volta a passar a cotação de R$ 4,20, que é recorde nominal desde a edição do Plano Real.

De nossa parte, temos dito que o Brasil já deveria ter um plano “B”, para hipótese de nossa moeda ser pressionada. Não podemos esquecer que temos déficit primário bem elevado, dívida pública beirando 80% do PIB (dívida bruta), inflação voltando a subir e juros com tendência idêntica. Enquanto isso, a economia vai perdendo tração, o que torna todos esses indicadores piores. Basta ver que na pesquisa semanal Focus do Bacen divulgada hoje o PIB projetado de 2018 voltou a encolher para 1,36% e a relação dívida líquida/PIB evoluindo para 54,32% do PIB.

Ter reservas de US$ 381 bilhões, não representa grande garantia de que não poderemos sofrer ataques, exceto pelo fato de ser um pouco mais difícil que em outros países. Mesmo a China que possui reservas internacionais de mais de US$ 3,2 trilhões tem sofrido alguns saques e tomado decisões para conter operações de saídas. Isso sem falar dos países já citados, onde a Argentina jogou os juros para 60%, a Turquia elevou na semana passada para 24,0% (de anterior em 17,75%), Indonésia adotou outras práticas, etc.

Assim, a semana carrega todas as tensões internas com algumas pesquisas proprietárias de instituições e duas pesquisas marcadas. Pesquisa IBOPE para 18 de setembro e nova do Datafolha para 20 de setembro. Os investidores vão observar basicamente o crescimento de Haddad no pós cabeça de chapa do PT e a evolução da rejeição dele, cotejado com Bolsonaro e seu elevado nível de rejeição. Outra questão é saber se Alckmin vai seguir estacionado ou em queda, onde o tempo para recuperação vai estreitando.

No cenário externo, as disputas comerciais permeiam as preocupações dos investidores e desequilibram o câmbio, com o dólar em tendência intrínseca de seguir forte. Além dessa preocupação, temos a normalização das políticas monetárias por parte dos bancos centrais de países desenvolvidos, com a consequente elevação de juros, perante volume de endividamento total global estimado pelo Institute of International Finance (IIF) de algo como US$ 247 trilhões.

A semana ainda embute alguns indicadores importantes do segmento imobiliário no exterior, inflação, prévia da inflação no cenário local pelo IPCA-15. Ainda prevê indicadores PMI da atividade industrial em diferentes países.