Nessa semana, o presidente interino Michel Temer declarou em evento que se ficar pelos próximos dois anos e meio (caso o impeachment da presidente afastada seja aprovado) e conseguir colocar o Brasil nos trilhos, seria o que bastava para sua vida pública. Reforçou com isso que não pretende se candidatar, sendo esse, aliás, um compromisso firmado anteriormente com o PSDB.

Temer foi mais além e disse que após o processo de impeachment teria que adotar medidas considerada por ele como impopulares, para trazer a economia para eixo mais positivo. Porém, o que assistimos até aqui foi a abertura do “saco de bondades”, no nosso entender destinadas a aplacar a senha política e angariar apoios para o impeachment e aprovação de medidas necessárias no Congresso.

Temer abriu as comportas para negociações com Estados quebrados ou não (os municípios estão formando já sua fila), concedeu aumentos ao judiciário e ministério público, subsidiou o Rio de Janeiro com recursos para as Olimpíadas, argui TCU sobre novas ajudas aos Estados, pode liberar R$ 17 bilhões para o segmento de Telecom; e por aí vão todas as bondades de um governo cujo principal discurso é de austeridade.

Segundo cálculos, o pacote de bondades já monta a mais de R$ 125 bilhões.

Temer não tem que se desculpar por adotar medidas impopulares. Tem sim que adotar as medidas necessárias para recondução do país para o rumo correto. Nisso não pode tergiversar. O Brasil espera pelo reordenamento, ainda mais que o presidente declara que não pretende se recandidatar. Parece claro que em sua equipe de bom calibre existem pessoas com anseios políticos para futuro.

Porém, a recondução do país para ciclo virtuoso (como gosta de citar o ministro Henrique Meirelles), faria com que o próprio Temer e outros membros de seu governo fossem cotados para permanência em outro mandato presidencial e ministerial.

Portanto, presidente, não deixe de tomar as medidas corretas e necessárias. O Brasil e o povo brasileiro não merece o que estamos vivendo em termos econômicos. Aproveite a aprovação do orçamento de 2017 para reduzir significativamente o déficit fiscal dos atuais R$ 170,5 bilhões, faça convergência mais rápida para a meta de inflação, já que o povo sofre com a inflação elevada. Dê um paradeiro ao crescimento do endividamento e leve a dívida para dinâmica sustentável. Torne o país mais crível aos olhos dos investidores e facilite a atração de recursos externos de risco para projetos essenciais.

Não tenha receio de começar uma reforma da Previdência já, ainda que não resolva de imediato todos os problemas de rombos crescentes. Faça a reforma fatiada pois a grita será menor. Caso seja absolutamente fundamental, amplie temporariamente a carga fiscal. Faça isso de forma clara e cooptando a sociedade. Faça isso dizendo por quanto tempo será necessário os aumentos de tributos e fundamentalmente cumpra com isso.

Ainda que o curto prazo possa ser mais sofrido para todos os brasileiros, mostre que no futuro os benefícios virão e se empenhe por isso. Fazendo isso estará passando para a história como o político que levou o país novamente ao crescimento e desenvolvimento econômico.

Não perca essa oportunidade de iniciar a reviravolta econômica do Brasil, apesar do pouco tempo que resta.

Os Brasileiros agradecem!! Como dizem, “Se adapte ao mundo. Ordem não gera progresso, economia não gera crescimento de forma espontânea. Sempre há a necessidade de um agente catalisador”.

Seja esse agente.