O presidente em exercício Michel Temer parece empolgado e dá gás para sua equipe econômica. Pesquisa realizada recentemente mostra que a avaliação de Temer melhorou, juntamente com visão mais realista da economia por agentes externos importantes, incluindo o FMI com suas projeções.

Em relatório sobre a economia global, o FMI melhorou as projeções para o Brasil, situação que não ocorria desde 2012 (de lá para cá só vinha piorando). O FMI estima que o Brasil encolha em 2016, 3,3%de avaliação anterior de abril, que projetava -3,8%.

Para 2017, estimou crescimento de 0,5%, diferente do crescimento zero da avaliação anterior. Isso, levando-se em conta que a revisão de projeções incorreu em redução do crescimento global para 3,1% em 2016 e 3,4% em 2017; muito por conta dos efeitos do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Tal visão é dividida com outras instituições financeiras que chegam a projetar crescimento em 2017 de até 1,5%/2,0%, caso as mudanças sejam realizadas ainda até setembro desse ano. Com isso, é verdade que o humor dos investidores internacionais vem mudando em relação ao Brasil, caso haja mesmo o impeachment de Dilma e o Congresso aprove as mudanças que dependem de MP e mudança constitucional.

Mas também é fato que alguns indicadores ainda vão piorar (como desemprego e crescimento de dívida, por exemplo), enquanto outros vão andar longe de metas estabelecidas, como a inflação.

O quadro de destruição da economia levou a crença de que qualquer movimento que se faça na direção correta irá produzir melhoras na economia. E é exatamente nessa direção que o governo pretende atuar. Nesse aspecto, será muito importante que o governo aproveite o momento de melhor avaliação para introduzir mudanças.

Nesse momento, o governo estuda mudanças importantes, mesmo considerando que o impeachment só deve ocorrer (se ocorrer) no final de agosto.

Pelo noticiário local, o governo pretende obter R$ 120 bilhões em desestatizações, criando recursos para o BNDES financiar projetos de infraestrutura e PPPs (Parcerias Público Privadas). Pretende ainda fazer caixa com possível venda de terras para estrangeiros com novas regras.

Diante do diagnóstico que o mercado imobiliário está “encilhado”, pretende estimular o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), incluindo imóveis de maior valor, até R$ 3,0 milhões. Outra vertente, inclui liberar mais recursos para microempreendedores, até por conta de melhorar as expectativas de emprego nos próximos períodos. A economia local reage muito bem a esses estímulos.

Com relação aos leilões de concessões e privatizações, pretende desacelerar prazos entre editais e leilões, dando mais tempo para estudos, ao mesmo tempo em que pode permitir melhora da taxa interna de retorno (TIR), criando maior demanda e disputas nos leilões.

Complicada está a vertente de securitização de dívida que tem soado com risco de pedaladas. Aparentemente o TCU (Tribunal de Contas da União) diz que fere a lei fiscal, e certamente não seria muito bom arriscar contestações futuras. Quanto às empresas públicas, já vemos movimentos de desmobilizações por parte de Banco do Brasil, Caixa Econômica e até pela Petrobras. Aliás, parece avançar a possibilidade de controle compartilhado da BR Distribuidora, situação que poderia melhorar o caixa da empresa, junto com a desobrigação de participar em tudo do pré-sal (projeto de José Serra) que já tramita no Congresso.

Aos poucos, vai se delineando quadro mais propício para o país, o que se reflete, por exemplo, no comportamento de alta da Bovespa que já tem valorização acumulada no ano de 30,3%, ou mesmo Petrobras com recuperação no ano de 76%.

Os investidores estão assumindo maior parcela de risco em renda variável, na crença de que melhoras na economia abrirão espaço para reprecificação dos ativos no país.

Faz todo sentido!