Com a Presidente Dilma afastada na semana passada, iniciamos o governo provisório de Michel Temer que terá pela frente inúmeros desafios. Para começo de conversar será preciso alterar a meta de déficit primário, hoje modestamente estabelecida em até R$ 96 bilhões, quando as suspeitas dão conta de que pode atingir R$ 125 bilhões ou mais. Receitas seguem encolhendo, enquanto as despesas mantém trajetória de expansão.

A grande maioria dos Estados está quebrada, empresas públicas com sérias dificuldades (Petrobras, sistema Eletrobrás e Caixa Econômica, por exemplo) e a Previdência social promovendo rombos cada vez maiores. Tudo isso precisará ser negociado com larga urgência e o governo Temer tem que mostrar tudo isso de forma absolutamente clara para toda a sociedade.

Isso é que irá ampliar a credibilidade do novo governo, ampliando o apoio popular, de investidores estrangeiros e empresários locais. Há críticas com relação à formação de seu ministério com alguns investigados pela Lava Jato e muitos políticos, mas a área econômica felizmente parece preservada e capaz de levar adiante o projeto de ajuste econômico. Porém, é preciso que as medidas sejam logo tomadas para que o Brasil seja percebido como retornando ao rumo correto. Sem isso, o apoio institucional ficará comprometido e medidas que dependem do Congresso Nacional podem encontrar obstáculos para aprovação.

Desejamos que Temer possa driblar tudo isso com sua postura conciliadora e, que o Brasil, caminhe célere para buscar o ajuste e crescimento. Não será fácil, mas não é impossível.