Depois do Tsunami Bolsonaro
Depois do tsunami Bolsonaro, hoje tivemos mercados bem mais comedido, mas ainda mantendo a direção de ontem. Ou seja, Bovespa em alta, juros e câmbio em queda; com alguns momentos de indefinição pela realização de lucros recentes em diferentes segmentos. Tudo isso mesmo com o exterior no início do dia forçando na direção inversa.
O dia começou ainda com investidores preocupados com a Itália e o déficit no orçamento, além das relações complicadas entre o Reino Unido e a União Europeia. Além disso, logo cedo o FMI anunciou previsões piores para a economia global em 2018 e 2019, além de queda significativa no comercio global de 4,5% para 4,0%, como decorrência das disputas tarifárias e desequilíbrio cambial.
Enquanto isso na Índia a rupia batia nova mínima em relação ao dólar que permanecia forte em relação as principais moedas globais. Já na África do Sul, o ministro das Finança renunciou ao cargo e produziu alguma recuperação da moeda rand. Donald Trump também anunciou a saída de sua embaixadora na ONU Neek Haley no final de 2018, e deve divulgar substituto breve, depois de consultas. Já o secretário Pompeo que prepara novo encontro de Trump com Kim Jon Un disse haver longo caminho até a desnuclearização da Coreia do Norte.
Já sobre o Brexit, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia se intensificaram, mas as divergências persistem. Querem que a União Europeia dê garantias aos cidadãos britânicos na hipótese de não acordo. A cúpula que acontece na próxima semana pode ser um marco importante para reduzir diferenças, mas segundo consta não vão assinar nenhum acordo que conste barreiras aduaneiras com a Irlanda.
Membros do FED também deram declarações importantes Kaplan disse que o acordo USMCA fechado com Canada e México remove incertezas e que a inflação americana não deve sair de controle. Alertou que o mundo não tem muita capacidade ociosa para produzir petróleo, com relação a declarações da AIE de que reservas estratégicas não serão liberadas.
No mercado internacional o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,74%, om o barril cotado a US$ 74,84. O euro era transacionado estável em US$ 1,149 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 3,20%, em boa queda. O ouro e a prata negociados em alta na Comex e commodities agrícolas com viés de alta.
No segmento local a Fipe anunciou o IPC da primeira quadrissemana de outubro em aceleração para 0,43%, vindo na semana anterior de 0,39% No âmbito político muitas declarações de Paulo Guedes falando do erro de recriação da CPMF, colocando já Marcos Cintra na equipe de Bolsonaro e o próprio Bolsonaro dizendo estar procurando alguém técnico para ministro da educação. Que tal estender a mão para Cristovam Buarque (só uma ideia num processo de união).
Já Haddad tenta se descolar de Lula e segundo Lula foi liberado de passar por Curitiba frequentemente. Gleisi Hoffmann também andou falando sobre mudanças na constituição, mas suas falas levam sempre na direção do oponente de Fernando Haddad. Na sequência dos mercados os DIs mostrando queda nas taxas de juros dos principais vencimentos e o dólar encerrando em queda de 1,28% e cotado a R$ 3,71. Na Bovespa, na sessão de 05/10, os investidores estrangeiros retiraram recursos no montante de R$ 198,5 milhões, deixando o saldo de outubro ainda positivo em R$ 541,3 milhões e o ano também positivo em R$ 835,9 milhões.
No mercado acionário a possibilidade de acordo no Brexit na próxima segunda-feira reverteu queda dos mercados na Europa, com Londres encerrando em alta de 0,16%, Paris com +0,35% e Frankfurt com +0,25%. Madri e Milão em altas de respectivamente 0,78% e 1,06%. No mercado americano o Dow Jones com -0,21% e Nasdaq com +0,03%. Na Bovespa dia estável e índice em 86087 pontos.
Na agenda de amanhã a primeira prévia do IGP-M de outubro pela FGV, o fluxo cambial da semana anterior e as vendas no varejo de agosto. Nos EUA a inflação medida pelo PPI (atacado) de setembro e discursos de dirigentes do FED de Atlanta (Bostic) e Chicago (Evans).
Boa noite
Alvaro Bandeira