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Nas últimas semanas assistimos não tão passivos renovadas críticas ao ministro Joaquim Levy. Nada que não estivesse dentro do previsto. Antes de tudo, sempre caracterizamos o competente Levy como um “estranho no ninho” do governo Dilma 2.0. Sempre pregamos que o governo deveria unificar discursos de seus ministros no contexto sugerido de ajuste fiscal, e mais que isso, que todos jogassem no mesmo time de contenção de gastos, principalmente custeios, em suas áreas de atuação.

O maior problema nacional é a dinâmica explosiva da dívida bruta brasileira que ameaça vazar a faixa de 70% do PIB. Só para dar a dimensão, até o mês de julho o serviço da dívida ficou em R$ 451 bilhões em 12 meses até julho. O envio de orçamento com déficit primário só agravou a situação, e certamente será combustível para perda do grau de investimento de forma mais acelerada.

Outro fator que sempre chamou a atenção se refere ás expectativas com relação ao ajuste. Em diferentes ocasiões ouvimos de ministros e parlamentares que o ajuste seria breve e as medidas que estavam em trânsito seriam suficientes. Ledo engano. Nem os ajustes seriam rápidos, e nem as medidas se encerravam em meia dúzia de MPs encaminhadas. Ao contrário, após esse ajuste minimamente básico o país teria que passar por inúmeras reformas de vulto.

Também choca toda sociedade o improviso como as situações são tratadas. Pressionado, o governo lança uma agenda positiva que logo é esquecida. Pressionado encaminha orçamento com déficit, para em seguida dizer que encontrará as fórmulas para zerar o déficit e, até como quer o ministro Levy, apresentar superávit de 0,7% do PIB. Ora é a CPMF (ou outro apelido que se queira dar), ora é a CIDE que salvará a pátria, ou mesmo o imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas, sem qualquer contrapartida palatável para a sociedade.

Tudo isso detona a credibilidade do governo e impede que os investidores se interessem, notadamente por investimentos em infraestrutura de longo retorno, cuja essencialidade aflora. É exatamente nesse contexto esgarçado que surgem as novas vozes que pregam o “crescer a qualquer custo”. Claro que isso é claramente permeado pela necessidade eleitoral que vai começar a bater à porta logo em 2016.

A base que apoia o governo Dilma precisa e quer ganhar as eleições municipais no final de 2016, e para tanto necessita que a economia esteja mostrando melhores resultados. Com a demorar em aprovar e com a aprovação desidratada das medidas propostas, certamente os resultados demoram a aparecer e não serão suficientes. Cabe lembrar que as eleições de 2016 preparam as majoritárias de 2018. Abandonar o modelo proposto por Levy sem mesmo ter sido tentado de fato, parece total sandice. Abandonar o retorno a austeridade das contas públicas trará o total descrédito internacional ao país, com consequências extremamente danosas. Como querer o ajuste e não provar a amargura do remédio, depois de tudo de errado que foi feito? No linguajar popular, não dá para “fazer omelete sem quebrar ovos”.

O Brasil não tem outra escolha em termos de política econômica. Ou nos abraçamos todos no projeto de ajuste de Levy seguido de outras medidas e reformas que podem durar anos, ou vamos amargar o abandono dos investidores nos moldes de outras republiquetas latinas que estão aí como exemplos do que não deve ser feito.

O ministro Levy tem que ser preservado e com força total para implementar os ajustes. Esqueçam as mudanças de modelo. A salvação está na direção das medidas propostas por Levy.