Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

Os dias que correm não estão nada fáceis para definição da tendência de curto prazo dos mercados de risco em todo o mundo. Fica completamente expresso na tendência dos mercados no dia a dia, e em muitas ocasiões com mudanças de tendência no próprio dia.

No âmbito externo muitas variáveis a serem consideradas:

– Começa a se aproximar o prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia, e as discussões não estão exatamente em bons termos. A preocupação é chegar na data final e não ter aprovado os mecanismos para o pós-Brexit, notadamente com relação aos acordos comerciais, processo de imigração, fronteira com a Irlanda. Agora mesmo o negociador pela União Europeia (Barnier) declarou que não há vencedores no Brexit e a saída do Reino Unido não agrega valor. Alertou ainda para que o Reino Unido não subestime as dificuldades para ratificação do acordo. Bom acrescentar que Theresa May, primeira ministra britânica, segue fragilizada e não admite novo plebiscito, apesar de ser originariamente contrária ao Brexit;

– Nos EUA seguem os problemas da área comercial. Donald Trump estabeleceu “n” sanções a diferentes países, incluindo a Rússia, Coreia do Norte, Irã e Turquia; ao mesmo tempo em que mantem disputas comerciais sérias com outros países. Só para lembrar, o Canadá, seu vizinho e parceiro do Norte, ainda não aderiu aos novos termos do NAFTA fechado com o México e pode gerar graves problemas em segmento como automotivo, madeira e celulose. Problemas automotivos ainda com a Europa, notadamente com Alemanha, e principalmente com a China;

– Como temos lembrado, com a China é um capitulo à parte, já que envolve aspectos relacionados com a hegemonia tecnológica e roubo de propriedade intelectual, além da área comercial;

Na área comercial, apesar das disputas geradas entre os dois países, ainda assim a China tem conseguido ampliar o superávit comercial contra os EUA, o que desgasta ainda mais e dificulta acordos. Não foi por outra razão que Trump anunciou no final de semana que já teria lista adicional de cerca de US$ 267 bilhões em produtos da China a serem tarifados. A China, por sua vez, disse que se houver lista adicional estariam prontos para retaliar.

– Tudo isso ocorre em meio à normalização de políticas monetárias por parte de bancos centrais de países desenvolvidos, antecipadamente puxada pelo FED americano que ainda pode elevar juros gradualmente por mais duas vezes nesse ano, uma em setembro e outra em dezembro. Subjacente a isso existe a preocupação com o desempenho da economia americana nos próximos anos;

Qualquer precipitação maior em elevar juros pelo FED e, passado os efeitos da agressiva política tributária de Trump, poderia colocar os EUA em rota recessiva, afetando resultados de empresas e a própria precificação dos ativos no mercado. Essa é a postura de alguns presidentes regionais do FED, além de identificar que os juros já estão próximos da taxa neutra.

– Deriva outro problema com relação aos países emergentes, principalmente aqueles desequilibrados em suas finanças públicas. Basta ilustrar o que está acontecendo na Turquia e na Argentina, com efeitos sobre a África do Sul, Indonésia e Índia. As moedas desses países têm registrado forte desvalorização em relação ao dólar, obrigando políticas mais restritivas e inibindo o crescimento. Além disso, podemos considerar que cresce a relação dívida/PIB e traz de volta o espectro da inflação; dentre outras consequências não menos importantes;

– Falando de Brasil, além de sermos emergente e desequilibrado nas finanças, ainda atravessamos processo eleitoral complicado, cujo último lance foi o atentado contra o líder das pesquisas. Com a aproximação do primeiro turno em 07 de outubro, as tensões certamente crescerão, e até o momento, a situação de Lula permanece pendente, principalmente no que tange a herança de seus votos;

Assim, temos dois momentos importantes. Para quem gosta de risco e sabe avaliar a situação pode ser momento excepcional de formar posição. Para quem não deseja correr risco, o momento é de prudência. Função disso, a volatilidade ainda vai permanecer por um bom tempo, mesmo após a definição do próximo presidente.