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O IBGE anunciou na semana passada a inflação de 2015 em 10,67%, a maior desde o ano de 2002 (+12,53%), apesar de ter mostrado leve desaceleração no mês para 0,96%. Energia com reajuste médio anual de 51,0% e combustíveis com 21,48% foram responsáveis por 24% da inflação do ano, mas alimentos também deram boa contribuição com variação de 12,03%. A inflação vazou os dois dígitos em 7 de 13 regiões consideradas. Os preços administrados cresceram 18,06% em 2015, o maior aumento desde 1999.

O pior não para por aí. A inflação foi ainda mais cruel para as classes de menor poder aquisitivo, justamente as que possuem menores condições de se protegerem da inflação. O IPC-C1 que abarcar a inflação de rendas de até 2,5 salários mínimos teve variação de 11,52% em 2015, e o INPC das famílias com renda de até cinco mínimos teve alta de 11,28%. Definitivamente não foi um ano favorável para as classes mais pobres que tiveram ainda que conviver com desemprego em alta e nível de endividamento subindo, por políticas erradas que estimularam o endividamento e taxa de juros também voltando a subir.

Cabe lembrar que ficamos muito acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo governo em 6,5% e mais de duas vezes superior (2,37x) ao centro da meta de 4,5%. Por conseguinte, o Bacen tem a obrigação de justificar para o ministério da Fazenda como foi o estouro do teto da meta. Diferentemente de outros exercícioS quando o Bacen demorou em redigir carta para a Fazenda, dessa feita, a resposta do Bacen foi imediata. Tombini citou como responsáveis pelo estouro os preços administrados com forte liberação no ano e ainda a postura fiscal expansionista dos gastos de governo. Ou seja, dividiu responsabilidade com o governo da presidente Dilma.

A explicação era bem óbvia e não trouxe mais informações aos mercados. Porém, a brevidade da explicação recolocou na agenda a probabilidade do Copom elevar novamente a taxa Selic na reunião de 20/01 em 0,50%, reposicionando no patamar de 14,75%. Ao que tudo indica o novo ciclo de alta não estaria encerrado por aí, apesar da expectativa de encolhimento do PIB de 2016 já estar beirando queda de 3,0% ou mais. Mesmo assim, considerando a nova pesquisa semanal Focus do Bacen, a inflação ao final de 2016 estaria no entorno de 7,0%, ainda acima da meta. Mais grave ainda nem em 2017, segundo a mesma pesquisa Focus estaríamos perto do centro da meta, já que preliminarmente a inflação de 2017 está projetada em 5,20%.

Sem muito para comemorar, o governo da presidente Dilma fala em inflação cadente (efetivamente ocorrerá) e também invoca as contas externas aliviadas pelo câmbio desvalorizado e pela recessão que se abate sobre a economia. Em compensação, a dívida bruta deve atingir ao longo do segundo trimestre participação de 70% do PIB e a taxa de desemprego pela PNAD o patamar de 12%.

Certamente a classe mais baixa será novamente sacrificada e a classe média observará novo estreitamento.

Tudo isso posto, o governo pode tentar uma volta para políticas anteriores, tornando o crédito mais farto para buscar aquele “voo de galinha” para minorar efeitos no curto prazo, conseguindo discurso mais positivos para colocar na mídia e obter melhores resultados nas eleições do final do ano, preparação fundamental para as eleições majoritárias de 2018.

Pois bem, ficamos a nos perguntar por que motivo as famílias pegariam mais crédito em tais condições, exceto se for para aplacar necessidades básicas? Também perguntamos por que razão as pessoas jurídicas pegariam mais crédito com nova contração do PIB e baixa governabilidade, exceto se for para cobrir rombos? Cabe também questionar por que razão os bancos privados voltariam a emprestar recursos com a inadimplência aumentando? Deliberadamente excluímos os bancos públicos, pois esses podem ser induzidos pelo governo.

Voltamos a enfatizar que não existe solução para a economia brasileira sem passar pelo ajuste fiscal de fato (sem pedaladas), seguida de reformas de vulto, começando pela Previdência Social.

Passando pelas reformas tributária, trabalhista, política, etc. Qualquer postura que não aborde isso de frente será mera maquiagem visando eleições.