A frase título é atribuída ao ex-ministro Pedro Malan, e evidencia como o Brasil sofre pelas inconstâncias de política econômica, com a classe política de baixa qualidade e com a sobrecarga presente do Judiciário de ter que opinar sobre quase tudo. Ou seja, até o passado é incerto.

Aberto o processo de impeachment de Dilma com fácil votação no Senado, o vice Michel Temer assumiu mudando ministros e prioridades (como seria correto), mas agora parece indeciso diante de senadores que voltam a pressionar por cargos, e ameaças de que mudarão o voto na plenária de impeachment que exige dois terços do total de votos. Isso claramente impede o pleno funcionamento do novo governo e retarda medidas cuja urgência é inquestionável para começar a colocar o país novamente no rumo correto.

Essa situação assume ainda maior gravidade quando sabemos que o governo pretende aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) sobre limite de gastos até o final de julho e a votação do impeachment está prevista para início de agosto. A isso devemos somar as comemorações juninas, o começo das olimpíadas e, na sequência, a preparação das eleições municipais do final do ano. Ou seja, se o passado é incerto, que dirá o futuro!

Não é por outra razão que os mercados de risco seguem pressionados pela cena política, o que implica em situação econômica sem muitas definições.

Se isso não bastasse, no cenário externo a situação de recuperação da economia global também agrega problemas, via crescimento da China e saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), trazendo de volta a aversão ao risco. Felizmente a resolução do Brexit ocorrerá no próximo dia 23 de junho, que a partir desse momento pode começar a definir o quadro internacional.