A semana passada foi de grande tensão para os mercados de risco em todo o mundo, com a B3 (segmento Bovespa) mostrando sequência de quatro pregões de queda, e nessa trajetória vazando para baixo a zona de acumulação que vinha mantendo desde o início de fevereiro. Chegamos mesmo a perder momentaneamente a zona de suporte em 82.800 pontos, mas conseguimos fechar novamente acima.

Nada indica que o novo período que está começando possa ser muito diferente disso, porém os movimentos podem ser mais suaves. Ainda não foi possível obter informação sobre as discussões entre a China e os EUA sobre tarifação. O noticiário dá conta que a China pode suavizar em tarifas criando clima mais positivo, mas Donald Trump e, sua equipe liderada por Steve Mnuchin, ainda deseja redução do superávit chinês contra o país. Redução esta de cerca de US$ 200 bilhões até o ano de 2020.

Por trás dos problemas de desbalanceamento das transações entre os dois países ainda existiria um fator não menos importante representado pela propriedade intelectual. Os EUA alegam roubo de propriedade intelectual pela China, e isso está relacionado com a hegemonia americana na pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, onde a China tem ganho destaque na última década.

De qualquer forma, ressalvados esses aspectos, ainda teríamos todos os atritos relacionados com as tarifas impostas pelos EUA para o restante do mundo. A União Europeia tem alertado que não negociará sob pressão com os EUA, e os emergentes com menor poder de barganha podem em algum momento recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas via de regra são processos demorados.

No final de tudo, mesmo não acreditando em uma guerra comercial, ainda assim os atritos existirão e isso não é positivo para continuidade do processo de recuperação global. Protecionismo, xenofobia e nacionalismo certamente não convivem bem com mercado transoceânico ativo e recuperação econômica global. Trump tem sistematicamente acirrado esses conceitos em todo o mundo.

Além disso, ainda temos que considerar o acordo nuclear com o Irã, do qual os EUA podem deixar de ser signatário e ajudar ainda mais a desequilibrar o mercado internacional, e isso chama protecionismo.

Bom exemplo desse desarranjo pode ser visto na Argentina, espelhado para a África do Sul e Turquia; outros emergentes desequilibrados em suas finanças públicas. Brasil, Rússia e Colômbia estariam mais imunes, apesar de necessitarem de muitas reformas e ajustes em suas economias. A Argentina, na semana passada, tirou a taxa de juros básica de 27,25% para 40% e não conseguiu muito bem interromper a escalada do dólar frente ao peso. Também foi obrigada a queimar mais de US$ 7,0 bilhões, do total de reservas avaliadas em cerca de US$ 33 bilhões.

Nossas reservas internacionais ao redor de US$ 382 bilhões trazem algum conforto e o fato do Bacen ter reduzido o estoque de swap agrega margem de manobra. Isso já foi aproveitado pelo Bacen desde a semana passada, quando elevou a quantidade de contratos operados em swap para 8.900, quando a rolagem das operações existentes era da ordem de 5.000 contratos.

Como se tudo isso não bastasse para interferir na tendência dos mercados de risco durante a semana, ainda teremos enorme safra de balanços de empresas referentes ao primeiro trimestre de 2018, inclusive Petrobras, que sempre causa desequilíbrios. Sai o IPCA fechado de abril, a inflação americana pelo CPI (Consumidor), bateria de dados da China, discurso de Trump e Powell (FED) e decisão do BOE (BC Inglês) sobre política monetária; dentre outros.

Ou seja, concluímos que os mercados seguiram voláteis, liderados pelo comportamento do dólar e afetando preços das commodities. No Brasil, vamos absorver todo o ocorrido, alavancado pelas indefinições do processo político e ausência de reformas e votações de temas importantes.

Apesar do momento conturbado, reiteramos que para investidores de mais longo prazo, o momento pode ser de aquisições de boas empresas no segmento acionário, acreditando que o cenário de fundo ainda de recuperação da economia global, seguirá influindo positivamente nos preços dos ativos.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais