Passados pouco mais de 20 dias do governo de Michel Temer, três ministros derrubados (um antes de ser nomeado) e posse de dirigentes em empresas públicas e instituições; o país começa a querer entrar em zona de maior normalidade. O governo já obteve duas vitórias importantes no congresso com a aprovação do déficit fiscal em R$ 170,5 bilhões em 2016 e a aprovação da DRU (desvinculação de receitas da União), mas teve que assimilar o aumento dos servidores públicos como moeda de troca.

Do lado dos indicadores econômicos, quase por coincidência, a divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2016 deixou entrever a possibilidade de os próximos períodos mostrarem desaceleração da recessão, assim como tivemos dois meses seguidos de expansão da produção industrial. Nada que indique tendência mais consistente, mas ainda assim um bom alento para uma economia em forte contração.

A percepção que restou para os investidores foi que podemos estar chegando próximos do “fundo do poço”. Mas calma ao que tudo indica esse fundo é suficientemente largo para andarmos alguns meses nessa situação, com a economia só mostrando sinais mais consistentes lá para o final do ano.

Não podemos esquecer que a Lava Jato e outras operações em curso ainda causarão enormes ruídos no segmento político, e isso acaba afetando a área econômica, principalmente a credibilidade do país, retardando a retomada dos investimentos, absolutamente necessária para sairmos do buraco. Também necessitamos fazer ajustes importantes na Previdência e na política tributária. Porém, os mais otimistas já começam a enxergar o que entendem como uma luz no final do túnel.

Fiquemos então com lema de Miguel de Cervantes que diz: “elimine a causa que o efeito cessa”.