PMDB, o Fiel da Balança

O PMDB decide nessa semana o rompimento (ou não) do partido com o governo da presidente Dilma, enfraquecendo ainda mais sua base de apoio. Pelo noticiário até o dia 28 de março é praticamente certo o desembarque do partido da base de apoio, restando somente avaliar como se dará a entrega de cargos importantes ocupados pelo partido, principalmente os sete ministérios da legenda.

Há dentro do partido quem defenda que o desembarque não seja imediato, até aqueles de querem o afastamento imediato dos políticos que não concordarem em entregar seus cargos. Há ainda uma corrente que luta pelo adiamento da reunião, até aqueles que acham que o partido deve permanecer na base até eventual ruína.

O início da semana está sendo marcado pela convocação de caciques do partido, tanto pelo vice-presidente Michel Temer, como pela presidente Dilma. Caso Temer consiga para amanhã a unanimidade do partido, ele poderá ir para a reunião quase que para ser aclamado. Do lado da presidente Dilma, reuniões também com lideranças do partido e empenho do ex-presidente Lula, consultor informal.

Caso haja desembarque maciço, Dilma e seus colaboradores mais próximos podem iniciar a abertura do balcão de negócios, seja pela ocupação de cargos abertos pelo PMDB, e/ou ainda, com a destinação de verbas para membros de partidos que podem permanecer na base de apoio. Do outro lado, a saída precipitada do PMDB pode desencadear debandada por outros partidos da base, como o PSD de Kassab, segundo o noticiário praticamente fora.

A reordenação de cargos e verbas no governo Dilma pós-PMDB, visaria conseguir manter os 171 votos contrários ao impeachment, necessários para que o processo seja interrompido. A avaliação de cientistas políticos sobre isso é que ficará complicado para Dilma que o processo não tenha seguimento na Câmara. O governo ainda teria outra carta na manga via STF julgando o mérito do processo na Câmara, mas a maior chance seria de o Judiciário deixar que o próprio Legislativo leve avante.

Em seguida, o processo de impeachment seria levado ao Senado, e na sequência, teríamos o afastamento da presidente. É exatamente nessa fase que a presidente poderia renunciar, mesmo considerando suas declarações recentes de que não renunciaria em hipótese alguma. Situação dessa natureza abreviaria tudo e colocaria a economia em outra rota. Há ainda a vertente daqueles que querem que o processo vá para o TSE e que a chapa possa ser impugnada, inviabilizando a assunção de Michel Temer à presidência.

Como se vê, o processo ainda está totalmente em aberto, mas definições podem acelerar. O presidente da Câmara quer que tudo esteja concluído até o dia 17 de abril, um domingo, via convocação especial e leitura de nomes de deputados a partir do Sul para o Norte, o que teoricamente poderia produzir resultados já no meio da votação.

Enquanto a situação não se define, não há qualquer chance de definições na economia, exceto aquelas que significam a abertura do cofre para ampliar despesas. Com isso, viria o abandono do ajuste fiscal, a ampliação da dívida pública e possível novo rebaixamento do Brasil ainda em 2016. cd