Resumo da Semana – 24 a 28 de junho

O período ultrapassado incorporou a divulgação de muitos indicadores de conjuntura com capacidade de influir no comportamento dos mercados de risco. Principalmente no segmento doméstico, mas fundamentalmente foi dominado pelo estresse com fatores locais e internacionais. Consequência disso, mercados voláteis e sem firmarem tendência, contemplando ainda o retorno brando da aversão ao risco.

No cenário externo, a medida em que se aproximava a reunião do G-20, os investidores iam ampliando a tensão. Certamente, no encontro das maiores economias do planeta, o tema será a desaceleração da economia global e protecionismo comercial. Mas a apreensão maior acontecerá com as reuniões paralelas entre presidentes, principalmente o encontro de sábado (29 de junho) entre Donald Trump e Xi Jinping da China. Além disso, teremos encontros importantes para Bolsonaro com o próprio Trump, Macron da França e possibilidade de estar com Xi Jinping.

Angela Merkel da Alemanha pretende discutir com Bolsonaro sobre desmatamento, mas o presidente declarou na chegada que não veio ao Japão para ser advertido por outros países. Sendo arrematado pelo General Heleno que os alemães querem preservar nossas florestas para explorar depois. Os investidores absorveram declarações de Xi Jinping mais duras, dizendo que vai apresentar condições de solução para disputas comerciais. Quer encerrar a proibição de venda de tecnologia envolvendo a gigante Huawei, a remoção de tarifas e redução de exigências de compras. Na verdade, esse é o jogo político de pressão “ex-ante” de reuniões difíceis. De qualquer forma, os investidores irão reverberar o noticiário nos preços dos ativos.

Trump fez as mais duras críticas ao presidente do FED, Jerome Powell, por não ajudar o país com juros mais baixos e flexibilização monetária, dizendo que ele não está cumprindo seu mandato. Citou o presidente do BCE, Mario Draghi, que tem se esforçado por alavancar a economia da zona do euro, e disse que pode tirar Powell quando quiser. De qualquer forma, é mais um jogo político visando a reeleição. Quanto a China, fez declarações duras dizendo que irá tarifar mais, caso não haja acordo.

No meio dessa agenda diplomática, lembramos ainda que membros da OPEP voltaram a forçar cortes na produção de petróleo, liderados por Arábia Saudita e Iraque (adesão de outros) e todos os problemas para a commodity gerados pelas tensões no Oriente Médio com o Irã e EUA elevando o tom. Quase ao nível de declaração de guerra, já que o mesmo Trump (sempre ele) disse que um ataque a qualquer coisa americana redundaria em esmagadora resposta de força.

No que versa sobre indicadores da conjuntura internacional, o quadro segue sendo de desaceleração econômica global, predominando a percepção de que os principais bancos centrais do mundo, incluindo o FED americano, vão optar no curto prazo por flexibilização monetária usando reduções de juros em próximas reuniões. Nesse sentido, há declarações expressas de Jerome Powell, Mario Draghi (BC Europeu), Mark Carney (BC Inglês) e Kuroda (BC Japonês); além, claro, da China, sempre criticada prela desvalorização de sua moeda.

Sendo mais específico, o índice GFK de confiança do consumidor da Alemanha encolheu para 9,8 pontos em julho, queda na taxa do interbancário da China no menor nível em dez anos e queda do sentimento econômico na zona do euro em junho para 103,3 pontos. Também no menor nível desde 2016. Ainda na China, melhora do lucro industrial de maio em 1,1%, recuperando parte das perdas do mês anterior de 3,7%.

Nos EUA, o PIB anualizado (terceira leitura) ficou em 3,1% no primeiro trimestre, dentro do previsto. A inflação pelo PCE (gastos com consumo) ficou em 0,5% e o núcleo com 1,2%. O índice é muito avaliado pelo FED e ficou bem abaixo da meta de inflação. O índice composto (indústria e serviços do FED de Kansas de junho foi zero, quando a previsão era 2,0 pontos). As encomendas de bens duráveis caíra, 1,3% em maio, de previsão de ficar em -0,3%. Sem indústria automotiva foi de +0,3%. O índice de atividade industrial de Richmond de junho caiu para 3,0 pontos e a confiança do consumidor do Conference Board de junho cedeu para 121,5 pontos e vendas de casas novas encolheram 7,8%.

No segmento doméstico, a semana foi de preocupação com o trâmite da reforma da Previdência na comissão especial e adiamento do cronograma. Esperava-se leitura e votação do relatório para o início do período, e agora deve ficar para o final da próxima semana. Não se conseguiu trazer de volta para dentro da reforma os Estados e Municípios, sem consenso entre governadores e prefeitos. Rodrigo Maia tem se esmerado em tentar convencer os “subnacionais” a aderirem e esse acabou sendo o principal motor do adiamento de votações. Paulo Guedes e Alcolumbre pressionaram governadores para adesão.

Com isso, acaba ficando mais difícil votar em primeiro turno na Câmara o projeto antes do recesso e já estamos prevendo que vá atrasar bem mais.
Os investidores ficaram estressados com isso, já que na semana anterior o enfoque era bem mais positivo. O ministro Paulo Guedes tem se preocupado em evitar polêmicas e tem pedido comedimento aos parlamentares. Mas ainda vigora a crítica ao governo sobre empenho em formatar a base de apoio que segundo o presidente da Câmara deveria ser de 380 deputados (necessário são 308 votos).

Tanto no Brasil como no exterior os indicadores divulgados durante a semana mostraram a situação ruim da economia, exceto no que tange as contas externas. Inflação de junho mostrando leve repique, com o IGP-M em 0,80% (anterior em 0,45%), no ano com 4,38% e em 12 meses em 6,92%, e a prévia do IPCA em queda para 0,06% e inflação acumulando em 2019, 2,33%. Dados do Cadastro de Emprego e Desemprego (Caged) com criação de 32,1 mil empregos formais, mas o pior maio desde 2016. Pesquisa Ibope sobre a administração Bolsonaro, piorou mais um pouco com a avaliação positiva caindo para 32% em junho e avaliação negativa subindo para 32% (antes 27%).

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do segundo trimestre encolheu praticamente todas as projeções de indicadores de conjuntura, com destaque para o PIB projetado de 2019 que saiu de +2,0% para +0,8%. O relatório replicou informações que já tinham saído no comunicado e ata da última reunião, quando o Copom manteve juros Selic estáveis em 6,50%. Em função disso, tivemos algumas críticas na demora do Bacen de reduzir juros, aumentando a pressão para queda na reunião do Copom de 31 de julho.

O Bacen anunciou que as concessões no crédito livre cresceram 7,5% em maio e o estoque total elevou 0,6%, para R$ 3,3 trilhões. A inadimplência média subiu para 3,9% e na pessoa física alta para 4,8%. Destaque negativo para o crédito à indústria em contração de 0,6%. O tesouro anunciou déficit primário do governo central de R$ 14,7 bilhões, deixando o ano com déficit de R$ 17,5 bilhões. As receitas cresceram real 0,3% e despesas com queda de 1,4%. O déficit do INSS de maio atingiu R$ 14,9 bilhões.

O déficit primário do setor público em doze meses até maio está em R$100100,3 bilhões e o déficit nominal em R$ 484,7 bilhões, algo como 6,96% do PIB. A dívida bruta atingiu 78,7% do PIB, em queda sobre o mês anterior.

Os dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em maio mostraram desemprego em queda para 12,3%, mas a porta de entrada da queda está em trabalho por conta própria. Somos 13,0 milhões de desempregados, 4,9 milhões de desalentados e falta trabalho para 28,5 milhões de pessoas.

Perspectivas

Logo no início da próxima semana (de 1 a 5 de julho), os mercados vão reverberar o noticiário produzido a partir da reunião do G-20, e principalmente os encontros paralelos. Como o almoço de trabalho entre a equipe de Trump e Xi Jinping. Pode ser positivo (nossa expectativa), ou mais estresse e reajustes nos preços dos ativos.

A semana promete em termos de tensões com relação ao relatório complementar da reforma da Previdência e votação na comissão especial, depois de sucessivos adiamentos. Lembramos que os efeitos da reforma são de longo prazo mais a rápida aprovação seria bom sinal do capital político. Há ainda discussões de suspender o recesso do Congresso, e se não acontecer pode ser difícil conseguir votar em primeiro turno na Câmara até 17 de julho. De qualquer forma, não podemos descartar duas considerações principais.

Vamos ter muita volatilidade nos mercados de risco, e a tendência da Bovespa segue sendo de alta, com alguns sustos, é claro. Precisamos ter força par vazar o recorde de pontuação anterior em 102.012 pontos, obtido em 21 de junho.

Bom final de semana e até segunda.