Para ler o artigo relacionado a este vídeo, acesse este link.

Mercados tremeram

Hoje foi dia de todos os mercados tremerem e nem mesmo o ouro, tradicional refúgio de aversão ao risco, conseguiu escapar. Logo durante a noite o preço desabava mais de 30% no mercado internacional, depois de a Arábia Saudita e a Rússia iniciarem “guerra fria sobre o preço do barril de petróleo. Na semana passada, a Rússia não aceitou proposta da OPEP de corte da produção de 1,5 milhão de barris/dia e a Arábia Saudita em represália anunciou aumento de produção e descontos para clientes.

Os preços do óleo tiveram forte queda e permaneceram assim por todo o dia, o óleo WTI negociado em NY era negociado com queda de 23,3%, e barril cotado a US$ 31,67. O Tipo Brent em queda de 23%. Já a Rússia ao longo do dia deu declaração que com o óleo no intervalo entre US$ 25 e US$ 30, suportaria por cerca de 10 anos, apesar da Arábia Saudita ter o menor custo de extração. Paralelamente, a AIE (Agência Internacional de Energia) estimou queda de 1,1 milhão de barris/dia em 2020.

A queda do petróleo desencadeou quedas em praticamente todas as commodities negociadas na Bolsa e Chicago, desequilíbrio entre as principais moedas e também nos juros. Países e bancos centrais como da Alemanha e dos EUA se movimentam e estão engendrando reuniões para avaliar a situação e propor flexibilização monetária e políticas fiscais estimulativas. Mas, os investidores ficaram nervosos e o mercado americano bateu circuit breaker (paralisação), logo seguida por queda na Bovespa de mais de 10%, seguida de interrupção de meia hora. Ações como Petrobras e CSN beiraram 30% de queda ao longo do dia.

Esse novo problema internacional veio se juntar aos impactos do coronavírus, gerando maior instabilidade dos mercados. Por sua vez, a instabilidade causa chamada de margem em operações com derivativos, e a queda assusta investidores novos ocasionando resgate de fundos e necessidade de caixa para pagamentos. Portanto, será preciso vislumbrar quando os mercados começarão a equilibrar.

No cenário internacional, o petróleo WTI negociado em NY tinha queda 25,02%, com barril em US$ 30,95. O euro era transacionado em alta para US$ 1,145 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,56%. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento de queda na Bolsa de Chicago. Durante a madrugada o minério de ferro negociado na China em queda de 2,47% e a tonelada em US$ 87,96. Os mercados da Europa pelo índice Stoxx 600 entraram em bear market.

No segmento local, o ministro Paulo Guedes disse que está encaminhando na próxima semana a reforma administrativa e tributária e espera conquistar a autonomia do Bacen e o marco do saneamento. Disse que o Bacen tem vantagens comparativas sobre outros bancos centrais de usar a política monetária como instrumento e o banco central hoje fez leilão de quase US$ 3,5 bilhões, conseguindo domar a escalada do câmbio para R$ 4,80.
De forma geral, os analistas apostam em ações extraordinárias de bancos centrais e, por aqui, já começam a falar em corte de 0,50% na Selic até a reunião do meio de março. Ao longo do dia, o CDS (Credit Default Swap) do Brasil subiu forte para 193 pontos.

No mercado local, dia de DIs com alta de juros e o dólar fechando em alta de 1,95, cotado a R$ 4,724. Na Bovespa, na sessão de 05/3, os investidores estrangeiros sacaram recursos da ordem de R$ 1 bilhão deixando o saldo negativo de março em 5,7 bilhões e o ano já com saídas líquidas de R$ 45,9 milhões.
No mercado acionário, queda de 7,25% para a Bolsa de Londres, Paris com -8,39% e Frankfurt com -7,94%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 7,64% e 11,17%. No mercado americano, o Dow Jones com queda de 7,7% e Nasdaq com -7,209%. Na Bovespa, dia de queda de 12,16% e índice em 86.077 pontos. Destaque negativo para Petrobras com queda de 29,70%.

Na agenda de amanhã teremos a produção industrial brasileira de janeiro e nos EUA relatório de oferta e demanda agrícola primária democrata em seis Estados e a confiança do pequeno empresário de fevereiro.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do Home Broker modalmais