Segundo turno polarizado

Bolsonaro seguindo para o segundo turno com 46% dos votos e Haddad com pouco menos de 29%, fica clara a consolidação do candidato Bolsonaro. Fernando Haddad terá que se reinventar e descolar de seu criador Lula. E não é só isso, vários governadores eleitos ou concorrendo em segundo turno estão se aproximando da “onda Bolsonaro”.

Numa primeira análise dos resultados, é possível identificar voto mais conservador dos eleitores e a queda da cabeças premiadas da república que não foram eleitas para o senado. Além disso, o Partido Novo crescendo (principalmente em Minas Gerais). Além da eleição “surpresa” do candidato Juiz Witzel que disputará o segundo tuno com o Eduardo Paes, que estava liderando em todas as pesquisas.

Ainda teremos desdobramentos de todas situações e de um Congresso que se renovou bastante. Apenas 8 de 54 vagas de senadores conseguiram se ereeleger, mesmo considerando que as verbas e fundo partidários foram disponibilizados para candidatos antigos. O congresso terá que responder a essa atitude da sociedade.

O fato é que ao assumir participação ainda maior que nas pesquisas, o candidato Bolsonaro assume liderança inconteste e será difícil perder em segundo turno, exceto se ele e sua equipe desandarem a fazer e falar besteiras. Agora é para valer e terão que apresentar projetos consistentes de reformas. Nesse aspecto ainda, Bolsonaro sai na frente e não terá que fazer movimentos mais bruscos.

Os mercados vão reagir hoje com vigor e o melhor exemplo é que os ETFs do Brasil (mais conhecido EWZ) subiam 6% nesse início de manhã. Porém, daqui até o segundo turno os investidores vão buscar coerência para manter o voto antipetista. Os investidores terão que mostrar fluxo crescente de recursos para garantir a absorção de realizações de lucros recentes e seguir adiante. O dado ruim é que o exterior fraco nesse início de dia pode mascarar a situação tida como bem positiva para os mercados. A expectativa é de alta da Bovespa e queda dos juros e dólar.

No segmento externo, a produção industrial da Alemanha em agosto encolheu 0,3% de previsão de estabilidade e os títulos BTPs da Itália seguiam com juros em alta por conta do déficit do orçamento de 2,4% do PIB. Nos EUA, o dirigente do FED, Bullard, disse que a continuação do crescimento americano requer maior avanço da produtividade. Na China, o PMI caixin da atividade industrial subiu para 53,1 pontos em setembro de previsão de 52,8 pontos.

O petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,04%, com o barril em US$ 73,57. O euro era transacionado em queda para US$ 1,148 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 3,233%.

Bom dia e bons negócios.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais