Sem chances de se tornar “Rainha da Inglaterra”
Por Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

No último final de semana de 21 a 23 de junho, o presidente Jair Bolsonaro criticou o projeto que corre de tornar privativo do Congresso a indicação de executivos para as agências reguladoras. Com isso, ampliou suas críticas de que querem torná-lo uma “Rainha da Inglaterra” no Brasil.

Sem chance de acontecer, já que o nosso regime é presidencialista e está longe de se enquadrar no perfil do Presidente. Bolsonaro sempre teve ao longo de sua vida pública posicionamentos fortes, e muitas vezes contrariando a opinião pública e seus pares do Congresso Nacional.

Tentando aparar um pouco, diríamos que, exceto por uma minoria lulopetista ou psolista, ninguém gostaria de ter um presidente como figura decorativa. Ao contrário, a maioria gostaria de ter um presidente absolutamente focado nas questões cruciais do país. Essa parece ser a maior reclamação ou crítica de alguns parlamentares que estão chamando para si a responsabilidade de levar avante as reformas da Previdência, e agora a Tributária.

Reclamam do foco de Bolsonaro, os presidentes da Câmara e da Comissão Especial sobre o empenho na aprovação da reforma da Previdência e perda do protagonismo do presidente em formatar base de apoio suficiente para dispor com tranquilidade dos 308 votos necessários para aprovação na plenária. Ao contrário, o presidente gasta capital político para aprovar a posse de armas e outros itens de menor importância.

Igualmente existem queixas quanto a instabilidade do governo que já demitiu alguns ministros (outros escolhidos erroneamente ainda permanecem) de seu governo de menos de seis meses e outros auxiliares de primeiro escalão. Alguns ministros saem do governo atirando e dizem que o presidente e demais ministros falam e se preocupam com besteiras. Podemos somar ainda, a atuação de seus filhos, a quem é atribuída a recente saída do chefe da secretário, General Santos Cruz.

O próprio presidente declarou que “se a reforma da Previdência for aprovada….”. O presidente deveria falar “depois que a reforma da Previdência for aprovada ….”. Mesmo assim, aparentemente o trâmite da reforma vai seguindo razoavelmente tranquilo, com a Comissão Especial mantendo o cronograma de votação para 25 de junho. Expectativa de votos suficientes para aprovação e encaminhamento para plenária. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declara que pretende votar primeiro escrutínio antes do recesso, ou seja até 17 de julho.

Para sermos justos, o presidente Bolsonaro alterna bons momentos. Diz que depois da aprovação da reforma da Previdência, os recursos externos aportarão no Brasil para privatizações e concessões. É bom mesmo que aconteça. Agora mesmo o Banco Central anunciou que em maio houve saída de recursos do mercado acionário no montante de US$ 2,9 bilhões, e aplicações em renda fixa de
US$ 2,2 bilhões.

É como temos dito. Precisamos aproveitar rapidamente essa janela externa que indica que os bancos centrais mais importantes do mundo vão flexibilizar a política monetária mais uma vez e/ou reduzir juros básicos, mantendo a liquidez internacional elevada. Com isso, dando tempo para que países e empresas endividadas pelo mundo se adequem melhor ao momento presente /futuro. No Brasil, precisamos acelerar reformas, inclusive a tributária, essa de efeito sobre as variáveis macro de curto e médio prazo. Mas a reforma da Previdência é que dará o rumo inicial fundamental.

Vamos torcer para que Bolsonaro assuma o foco das questões cruciais e abra espaço para negociar positivamente com o Congresso Nacional, ampliando seu capital político.