Semana de expectativas
Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

Começamos a semana com muitas expectativas, e um feriado importante nos EUA de Martin Luther King. A primeira expectativa se refere aos dados publicados pela China com o PIB de 2018 crescendo 6,6%, com produção industrial e vendas no varejo melhorando em dezembro, mas o quarto trimestre rodando já na casa de 6,4%. Há grande preocupação com relação a desaceleração do país, mas o governo chinês vem se empenhando fortemente para reverter esse quadro.

Só para lembrar, reduziram nível do compulsório em 1,0%, estimularam novos empréstimos para pequenas empresas, ampliaram gastos, declararam investimentos em ferrovias; e assim vai. Com isso, as previsões de crescimento de 2019 que caminhavam para algo próximo de 6,0%, se dirigem para algo próximo de 6,4%, o que deve produzir efeitos positivos sobre preços de commodities no mercado internacional. Achamos que é positivo para os mercados.

Outra fonte de preocupação e expectativa dos investidores tem relação com a apresentação de um novo plano de Brexit, um plano “B”. Plano a ser mostrado por Theresa May e encaminhado aos parlamentares para discussão e votação marcada para o próximo dia 29 de janeiro. Segundo o noticiário internacional, o plano “B” deve ser próximo do anterior, que dada a maciça votação pela rejeição pode ser novamente rejeitado.

Porém, parece muito pouco provável que tenhamos um Brexit sem nenhum acordo, e nessas condições a alternativa seria alongar o prazo de saída dos atuais 26 de março de 2019, e eventualmente com nova liderança de governo e/ou outra votação. A União Europeia não deseja a saída do Reino Unido sem acordo, e pode flexibilizar alguma coisa, principalmente no que tange às fronteiras das Irlandas.

Surpresas e expectativas com a participação brasileira no Fórum Econômico Mundial de Davos, primeira participação de destaque para o presidente Bolsonaro. Com o esvaziamento do Fórum pelas ausências de Donald Trump e Macron da França; além da delegação americana, o Brasil teria tudo para brilhar. Já que Bolsonaro teria o apoio luxuosos de Sérgio Moro e paladino contra a corrupção. Além de Paulo Guedes vendendo o Brasil para investidores estrangeiros.

Nesse ponto, cabe citar dados divulgados pela Conferências das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) sobre investimento diretos em 2018. O Brasil caiu de 7º lugar para 9º lugar na atração de investimentos em 2018, dentre os principais destinos dos investimentos. O Brasil atraiu US$ 59 bilhões, em queda de 12% sobre o ano anterior, muito por conta das incertezas políticas.
Mesmo assim encolhemos menos que os investimentos globais que caíram 19% em 2018 para US$ 1,8 trilhões. Os países ricos encolheram 41% e os emergentes captaram +3%, algo como US$ 694 bilhões.

Paulo Guedes tem o dever de colocar o Brasil na liderança dos emergentes e principalmente na América Latina, cujos investimentos diretos atingiram US$ 149 bilhões em 2018. O Brasil necessita manter a credibilidade da atual gestão e prover segurança jurídica para que os investimentos retornem. Nada disso acontecerá se não forem feitas reformas substantivas na gestão da coisa pública, principalmente a reforma da Previdência, início de tudo.

Outro ponto de destaque se refere às entrevistas que serão produzidas a partir do Fórum Econômico Global com formadores de opinião importantes versando sobre desaceleração da economia global em 2019 e possíveis conflitos comerciais, sanções a países e nível de endividamento de governos e empresas espalhadas pelo mundo. Principalmente países emergentes desequilibrados.

Correndo por fora ainda teríamos a paralisação de parte do governo americano, que Trump acenou com alguma composição sobre imigração, mas que os democratas voltaram a rejeitar a verba para construção do muro na fronteira com o México. Além disso, há que se resolver o conflito comercial com a China, e principalmente as disputas sobre propriedade intelectual, cujas discussões aparentemente não têm evoluído muito bem. Tudo recheado pelos balanços referentes ao quarto trimestre do ano, com mudanças pontuais nos preços dos ativos.

Encerramos o texto com frase de Martin Luther King: “o que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio
dos bons”.