A semana que está começando parece decisiva para alguns temas que são importantes para definição de tendência dos mercados de risco. No Brasil, parece ser decisiva para a reforma da Previdência já que corre o prazo pare que o governo encaminhe definitivamente para votação antes da virada do ano de 2017. Com festas natalinas chegando e recesso parlamentar.

Isso ocorre com o presidente Temer ainda convalescendo dos procedimentos cardíacos a que se submeteu no último final de semana, com orientações médicas para que reduza sua jornada de trabalho. O que isso pode interferir em atrasos é o que vamos sentir ao longo da semana. O noticiário local dá conta que o governo ainda está longe dos 308 votos necessários para aprovação da reforma, enquanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acredita ser possível atingir esse quórum favorável.

Nossa opinião é que o governo não pode perder esse momento para entabular a votação aproveitando para cooptar o PSDB. Se o PSDB der seu apoio para a votação, já teríamos um quórum ao redor de 290 votos, portanto muito perto de atingir os 308 votos. Se Temer e seus ministro tiverem o mesmo empenho que tiveram na rejeição da segunda denúncia, possivelmente atingiriam os votos requeridos.

Essa situação indefinida não pode demorar muito, sob pena de ficar para o próximo presidente, como desejam alguns políticos. Nessa época de eleições, ninguém quer se comprometer com medidas ditas impopulares. Mas é sempre possível obter adesões com benesses que certamente não somos favoráveis, mas que seriam oportunas para sinalizar ao mundo que estamos tentando ajustar a economia. Seria importante para manter a área econômica coesa, já que existem temores de que os ajustes possam ser postergados, principalmente diante do melhor momento de curto prazo experimentado pela economia.

A situação se complica um pouco mais quando existe a chance do presidente Temer concorrer nas próximas eleições. Com o nível de aprovação popular em 3%, dificilmente o presidente iria para uma empreitada dessas. Porém, não podemos esquecer que a reeleição para quem detém a caneta é intrinsicamente mais fácil. Além disso, caso a economia siga seu rumo de recuperação, a popularidade de Temer poderia aumentar e, com cerca de 10%/12% de aprovação já seria viável sua candidatura, embaralhando ainda mais o jogo político.

Do lado externo, não vemos problemas com as principais economias e suas recuperações. Temos quadro global favorável, com inflação baixa e menor que as metas estabelecidas pelos bancos centrais. E as taxas de juros vão permanecer baixas ou negativas por um bom tempo. O crescimento econômico de 2018 pode arrefecer um pouco, mas será uma queda na margem, sem grande influência sobre o comércio internacional.

O problema está sim no lado político. No Reino Unido, em que pese a situação sobre o Brexit ter suavizado um pouco, ainda existem questões a serem respondidas. Como: o status dos cidadãos da região, a situação de fronteira da Irlanda e reação da Escócia e o tamanho do pedágio a ser pago para a União europeia. Nesse momento, autorizado em 40 bilhões de libras. Na Alemanha, problemas com a coalisão de Angela Merkel e o partido Democrático Livre (SPD). Fontes dizem que estão mais perto de uma coalisão, enquanto outras indicam que solução só na virada do próximo ano.

Tem ainda as votações americanas da reforma tributária proposta por Trump que deve ser avaliada pelo Senado, e que pode indicar que o FED seja mais rápido em elevar juros, ou que eleva mais vezes ao longo de 2018 (o projetado são três altas), já que parece certa a alta na reunião de dezembro.

Nossa opinião é que enquanto persistirem essas indefinições, a tendência maior seguirá sendo de alta dos mercados acionários, porém mantendo volatilidade e períodos de estresse por parte dos gestores de recursos. Então, novamente vamos precisar de prudência e muito sangue frio no carregamento de posições.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais