Semana embalada
Por Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

A semana pré-carnaval começa embalada por uma agenda extensa de eventos internos e externos, mas aparentemente bem encaminhada. Donald Trump deve se encontrar com Kim Jong Un no meio dessa semana e existe a expectativa de que a situação nuclear e a questão da China tenham bom encaminhamento.

No último final de semana (22 a 24 de fevereiro), Trump pelo Twitter disse que o diálogo com autoridades chinesas foi bem positivo, inclusive sobre propriedade intelectual e espionagem industrial. Tanto é verdade que adiou o início da tarifação de produtos chineses em 25%. Além disso, espera encontrar Xi Jinping para bater o martelo. Lembrando que o déficit americano na balança comercial com a China já reduziu em janeiro desse ano, e a China não está em situação de grande barganha já que sua economia mostra sinais de desaceleração.

Lembrando ainda que o governo chinês está fazendo todos os esforços para não ter essa desaceleração, e tem ampliado empréstimos para instituições financeiras. Empresas de médio e pequeno porte, seguem realizando investimentos em infraestrutura e estimulando o setor agropecuário. Sendo uma economia planificada, fica mais fácil para o governo adotar medidas duras sem questionamentos. Pior seria se o desemprego na China aumentasse e o governo passasse a ser questionado por isso.

Ainda no setor externo, o que segue pesando, mas ainda assim com visão melhor, é mesmo o Brexit. A primeira ministra Theresa May fala ao parlamento britânico em 26 de fevereiro. Irá expor o que foi conseguido até o momento, mesmo mais fragilizada pela saída de três parlamentares de sua base de apoio. Adiou ainda a votação em plenário para 12 de março e esperar concluir em 21 de março, às vésperas do prazo fatal para a saída da União Europeia. Prazo que deve ocorrer em 29 de março (até a publicação deste artigo, é essa a data). Ocorre que o dirigente Tusk da União Europeia disse ser o adiamento a alternativa mais racional, já que Theresa May não parece ter maioria.

Fica restando a Venezuela, onde Maduro ainda se sustenta com as forças armadas, mas as deserções estão ficando intensas e a pressão para saída mais intensa. Na semana, o Grupo de Lima se reúne com a presença de Mike Pence (vice-presidente americano) e Juan Guaidó (presidente declarado interino da Venezuela), para estudar alternativas depois da Organização dos Estados Americanos (OEA) ter declarado que a comunidade deve agir depois de 285 feridos nas fronteiras com o Brasil e Colômbia.

No segmento doméstico, antes de tudo, os investidores estarão mais prudentes, por conta de mercados abertos no exterior durante o Carnaval, e na Bovespa tudo parado. Mas o quadro da semana pode ser positivo com definições até 28 de fevereiro do modelo de leilão do excedente da cessão onerosa e acordo com a Petrobras, mas ainda sem definições sobre o tamanho do ressarcimento à Petrobras, e como seria feito (dinheiro e/ou óleo). A companhia apresenta seu resultado do quarto trimestre em 27 de fevereiro, ao tempo em que Trump renova pressões para queda de preços do óleo no mercado internacional.

Mas o foco ainda segue no projeto de reforma da Previdência. Os parlamentares começam a encaminhar a necessidade de terem o Projeto de Lei (PL) dos militares para avaliarem o conjunto e Maia acredita que pode alongar prazo para aprovação. Rodrigo Maia quer concentrar esforço na discussão sobre idade mínima, processo de transição e acha que o tempo de contribuição de 15/20 anos é tema sensível no plenário. Na visão dele, o problema da aposentadoria rural é a fraude, que com fiscalização poderia ser bem atenuada.

A semana embute a divulgação do PIB de 2018 que na visão mediana indica expansão de somente 1,2%, pouco para um país que estava saindo de forte recessão. E que foi ainda afetado pela greve dos caminhoneiros de maio. Isso implica em reduções nas estimativas de PIB para 2019, que começa a transitar pouco acima de 2,0%.

Considerando tudo e a safra de balanços do quarto trimestre, ainda somos otimistas com o desenvolvimento de curto prazo dos mercados de risco, com a Bovespa podendo atingir o patamar emblemático e tão aguardado de 100.000 pontos.