Na prática, o ano de 2019 está começando hoje, mas a Bovespa já larga com valorização de 4,5% e o batimento de seguidos recordes históricos de pontuação. No entanto, semana é fundamental para que o governo de Jair Bolsonaro se firme. Na semana passada, tivemos alguns curtos-circuitos do presidente com sua equipe econômica que precisam ser resolvidos para que os investidores tenham algum alívio.

No final da semana passada, Bolsonaro deu declarações sobre a Previdência social no que tange a nova idade mínima para homens (62 anos) e mulheres (57 anos), querendo suavizar o projeto de Temer em trâmite no Congresso, mas, na prática, se bem entendidas as declarações do presidente, representaria endurecimento, já que isso só seria atingido no projeto original em 2032.

Bolsonaro também anunciou que teria assinado uma medida elevando o IOF, para fazer face aos subsídios autorizados para Sudene e Sudam. Logo em seguida, foi desmentido pelo secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que alegou que não seria preciso, pois tal processo constaria no orçamento de 2019, além de contrariar declarações de campanha e posteriores de não ampliar a carga tributária. Nessa mesma linha, falou sobre redução da última faixa do Imposto de Renda para pessoa física, de 27,5% para 25,0%, sendo novamente desmentido pelo mesmo Marcos Cintra e pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Anteriormente, acontecia exatamente o contrário, com o presidente desmentindo seus secretários e ministros. Agora ficou invertido. Aparentemente, Bolsonaro deixou de consultar seu “posto Ipiranga” e o curto-circuito causou um grande mal-estar nos mercados, que ainda estavam abertos.

Essa situação terá que ser resolvida nos próximos dias pelo presidente e seus ministros. Com certeza, houve falha na divulgação e o governo tem que ter um assessor de imprensa de vulto.

Curiosamente, pegando informações dos EUA, no início do governo Trump, assessores e secretários ainda tentavam acertar as pontas no Twitter. Agora ninguém comenta mais os comunicados nas redes de Donald Trump. Não há desmentidos, já que, em seguida, Trump acabava demitindo seus assessores.

O governo precisa unificar seu discurso e tomar cuidado com variáveis, que são extremamente importantes neste momento. É claro que em uma equipe que só tem uma semana junta, situações de estresse ocorreriam. Mas é de se estranhar que subalternos corrijam o presidente. Notem que não foram situações corriqueiras, e sim o presidente versando sobre temas importantes do momento presente.

Passamos por isso razoavelmente incólume, mas essa situação não pode se repetir com frequência semanal. Será preciso combinar antes o que pode ser dito, o que está em estudo e não deve ser revelado extemporaneamente e o que efetivamente foi assinado pelo presidente. Isso sem contar os filhos de Bolsonaro que também atropelam, e devem ser contidos em suas declarações, já que não possuem cargos no Executivo.

Bolsonaro precisa manter a credibilidade do governo em alta, ao mesmo tempo em que sua competente equipe montada trabalha e engendra no tempo certo as reformas que serão mandadas ao Congresso, e medidas infraconstitucionais que serão levadas adiante.

Duas coisas são fundamentais para que os investidores sigam acreditando: credibilidade do governo e segurança jurídica.

É só acertar os ponteiros do governo. Todos os ministros sabem o que tem e o que deve ser feito, e com a maior brevidade. Os investidores e os mercados agradecem.