Em nossos comentários sobre perspectiva dessa semana, publicado na última sexta-feira (16 de novembro), falamos de mercados de risco novamente assumindo intensa volatilidade, por conta de situações esperadas que poderiam mudar completamente os mercados. Começamos pelo feriado no Brasil em 20 de novembro, seguido de um dos feriados mais importantes dos EUA (Ação de Graças), em 22 de novembro. Portanto, semana curta e eventualmente de ajustes fortes.

No plano internacional, dois temas se sobrepõem aos demais. De um lado, o desenvolvimento do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia; e de outro as relações comerciais entre os EUA e a China. Depois de declarações positivas de Donald Trump dizendo da possibilidade de não aplicar tarifação sobre importações.

No que tange ao Brexit, Theresa May, primeira ministra, disse que a semana será intensa com as negociações em andamento e que sua função é a de garantir o melhor acordo possível. A União Europeia por sua vez concordou em princípio estender o período de transição para o Brexit, mas como estender terá que ser discutido. Há ainda o voto de desconfiança contra Theresa May que pode mudar tudo. Segundo informações, os dissidentes já teriam 42 votos, de total requerido de 48 votos. May diz, com razão, que sua saída não tornaria o Brexit mais fácil.

Com relação às negociações entre os EUA e a China sobre comércio, depois de Trump dizer que a China tinha encaminhado lista de propostas “bastantes completas”, tivemos reuniões no final de semana com embates entre China e EUA. De qualquer forma, segue prevalecendo a visão de que os dois países podem chegar a bom termo, facilitando o encontro de Trump com Xi Jinping por ocasião da reunião do G-20 que ocorre ainda esse mês na Argentina. Trump, depois de passadas as eleições de meio de mandato, pode ser mais suave com seus colegas asiáticos.

Isso sem contar com outras situações que relembramos versando sobre os problemas da Itália e riscos do déficit orçamentário e sistema financeiro fragilizado. Além disso, as sanções impostas pelos EUA para diferentes países, principalmente o Irã e ainda a percepção geral de desaceleração da economia global, liderada pela China. Mas com pitadas dos EUA, por conta dos ajustes da política monetária, encurtamento do tamanho do balanço do FED e redução dos efeitos positivos da política tributária realizada por Trump.

No cenário local, é de se prever a continuidade de indicação de nomes para ocupar postos chaves na administração do presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, as pessoas indicadas não sofrem críticas mais contundentes, com raras exceções. Começamos a semana com a indicação de Roberto Castello Branco para a presidência da Petrobras, no lugar de Ivan Monteiro. Ocorre que Castello Branco tem experiências comprovadas no setor público e privado e foi, até bem pouco tempo, membro do Conselho da Petrobras e, portanto, bastante familiarizado com os problemas da companhia.

Castello Branco é sim boa indicação, principalmente se considerarmos o que tem sido ventilado na imprensa, de que Ivan Monteiro iria para a presidência do Banco Brasil, de onde foi diretor por bastante tempo. A imprensa corre no sentido de amarrar com a privatização da Petrobras, que estaria no ideário de muitos (nosso inclusive), mas na prática pouco provável no curto prazo.

O que esperamos de Banco do Brasil e de Petrobras, é que não sejam usadas como instrumento de política monetária e econômica, e sim que sejam recuperadas e competitivas no mercado local e internacional. Lembrem-se que tivemos experiências passadas que redundou em completo erro e necessidade de capitalização das duas empresas. São empresas abertas, com investidores espalhados por todo o mundo, e devem ser geridas como se fossem empresas privadas.

Esperamos que a formação da equipe de governo siga nessa linha e que possa ter a ajuda do Congresso Nacional no que for preciso para aprovar mudanças. Mas por tudo, o comportamento dos mercados de risco se torna bastante imprevisível.
Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais