A semana se avizinha como intensa para os mercados de risco, começando por ser mais curtas em alguns países asiáticos como China e Japão. Passando por Brasil e outros tantos, por conta do feriado do Dia do Trabalho em 1º de maio.

A semana embute a decisão do FED sobre política monetária na próxima quarta-feira, de onde não se espera elevação nessa reunião. Em compensação, o comunicado e na sequência, a ata da reunião podem mostrar posicionamento mais duro dos membros do FOMC do FED, indicando possivelmente mais três altas ao longo de 2018 (seriam, então, 4 altas em 2018), apontando para mais três em 2019.

A inflação medida pelo deflator de preços do consumo PCE, apesar de ter ficado estável no mês de março, mostra taxa anual de 2,0%, com o núcleo do mês subindo 0,2%. Existem pontos de vista divergente entre os membros do FOMC, com alguns admitindo a possibilidade da inflação andar durante algum tempo acima dos 2,0%, já que no passado andou muito abaixo desse patamar. Os membros querem uma média de inflação em período mais longo.

De qualquer forma, isso tem causado impacto nos mercados de risco de todo o mundo, a partir da elevação da taxa de juros americana que andou acima de 3,00% na última semana, provocando largo desequilíbrio no câmbio e desequilibrando o segmento de commodities e o mercado acionário. Podemos elencar ainda problemas em países emergentes, principalmente com a Argentina e seu déficit fiscal obrigando elevação dos juros e queima de reservas para segurar a taxa cambial.

Há a safra de balanços do primeiro trimestre de 2018, que como já tínhamos projetado acaba sendo positiva para a precificação dos ativos. Afinal, a economia americana começa a mostrar mais dinamismo, e isso está sendo capturado pelas empresas, via de regra, com melhora na produtividade. A continuidade da política fiscal implantada por Donald Trump deve deixar ainda mais claro no segundo trimestre. Com isso transplantado para o Brasil, é possível inferir comportamento semelhante, na medida que muitas empresas já estão adaptadas para o momento complicado da economia, bem desalavancadas e capturando ganhos de produtividade.

Na semana, teremos a reunião da comitiva comercial americana liderada por Steve Mnuchin (secretário do Tesouro) e Mike Pompeo, conversando com os chineses. Provavelmente chegarão a bom termo com tarifas equilibradas entre os dois países e a China cedendo um pouco. Os chineses já sinalizaram com maior abertura do sistema financeiro (e redução do compulsório) e também com mudanças no setor automotivo. Isso pode acalmar um pouco os americanos e Trump que quer reduzir seu déficit na balança comercial, e principalmente com os chineses. Temos ainda a safra de balanços de empresas no exterior e no mercado local mexendo pontualmente com empresas importantes. Teremos, por exemplo, o resultado da Apple do primeiro trimestre (a ação de maior valor de mercado dos EUA) e o balanço do Itaú, divulgado em pleno feriado de 1º de maio.

Na sexta-feira, teremos a divulgação do payroll americano que sempre traz mudanças no mercado com a criação de vagas nos segmentos público e privado. Isso pode provocar novos distúrbios nos mercados de risco, pela leitura de preços salariais e consequente aceleração das altas de juros nos EUA.

Apesar de tudo, seguimos entendendo que o quadro prevalecente é de retomada da economia e que ajustes nas políticas monetárias por países desenvolvidos seriam por uma “boa causa”. Assim, nossa opinião é de que o momento pode ainda ser propício para constituição de posições bem fundamentadas e com horizonte mais amplo para retorno.

Mas há que se ter “sangue quente” para aguentar a volatilidade que ainda vai ocorrer, principalmente em termos de Brasil.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais