O período que está começando deve ser novamente de grande volatilidade diária, mesmo considerando que na semana anterior tivemos oscilações mais com resultado semanal de poucas variações. Isso por conta dos mercados estarem totalmente indefinidos e ao sabor do noticiário internacional e local.

No segmento internacional, os investidores devem ficar focados no estresse da Turquia, e principalmente na possibilidade de contaminação para outros países emergentes e até desenvolvidos como a Itália. Na semana passada, o índice VIX, considerado como do pânico, registrou fortes oscilações no sentido da alta e moedas de diferentes países sofreram bastante. Os exemplos ficam por conta do rand da África do Sul ultrapassando 15 unidades por dólar e da rúpia indiana no seu menor nível frente ao dólar.

A Argentina e Indonésia fizeram ajustes para tentar proteger suas moedas. A Argentina elevou juros de 40% para 45% e fez leilões de dólar em montante de US$ 1,3 bilhão (houve sobra), enquanto a Indonésia elevou juros de forma branda e fez cortes de gastos para ajustar sua economia e deixar menos exposta. No caso da Itália, onde o sistema financeiro é mais frágil, houve troca de ativos por títulos da Alemanha e busca por aplicações aderentes ao dólar.

No caso do Brasil, não temos indicações de que a equipe econômica tenha preparado protótipo de um plano “B”, para deixar esquema de intervenção preparado, caso tenhamos algum início de ataque especulativo. Parece claro que com US$ 380 bilhões de reservas um ataque especulativo seria menos provável, diferente da Argentina antes do FMI ajudar que detinha cerca de US$ 33 bilhões de reservas. Porém, não deveríamos nos fiar muito nisso, já que existe históricos de países que perderam centena de bilhões de dólares em pouco tempo. Citamos a crise da Rússia.

O Brasil pode ficar exposto, não tanto por sua situação externa, onde o endividamento estrangeiro é baixo, há bom saldo superavitário na balança comercial (2018 deve ser superior a US$ 56 bilhões) e o déficit em conta corrente é muitas vezes coberto pelo ingresso de recursos via investimento direto no país (IDP). Mas ainda no ambiente econômico temos fragilidade no baixo crescimento nos próximos anos, escassos investimentos (se tirar a depreciação fica negativo), orçamento totalmente engessado pelos gastos correntes e um nível de endividamento interno crescente que pode se aproximar de 80% do PIB (estamos em 77%), com endividamento superior a R$ 3,6 trilhões.

Isso por si só já exporiam nossas fragilidades e inibira investimentos, não fosse o agravante de estarmos passando por processo eleitoral totalmente em aberto. Não só que tange à necessidade de renovação do Congresso Nacional, como a eleição majoritária de presidente. Faltando menos de dois meses para o primeiro turno, e pouco mais de dois meses para a escolha definitiva do próximo presidente, quem disser que sabe o resultado dos dois turnos, é porque está desinformado.

As pesquisas começam a sair nessa semana, principalmente Ibope e Datafolha, e devem deixar os investidores nervosos. Como fica a transferência de votos do preso Lula para Haddad? Geraldo Alckmin conseguirá subir para o patamar de dois dígitos na preferência do eleitorado? Bolsonaro conseguirá manter a liderança nas pesquisas sem Lula e com exíguo tempo de TV? Marina ainda terá votos suficientes nas regiões Norte e Nordeste para reduzir o colégio eleitoral de Lula e transferências? Quem estará no segundo turno e qual será a aderência do voto útil na polarização que se formou?

Certamente os mercados reagirão diante de tudo isso, na medida em que a situação for aclarando, e os efeitos não serão somente na Bovespa, mas no dólar e na taxa de juros, principalmente a de longo prazo, dependendo de quão reformista ou não serão os candidatos que figurarão no segundo turno.

Mercados voláteis permitem ganhos extraordinários no curto prazo, desde que as apostas estejam na direção correta. Se você acredita nas suas crenças, assuma suas posições mais conservadoras ou agressivas. Bons negócios!

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais