A semana se mostra totalmente em aberto no que se refere a tendência dos mercados de risco. Teremos período lotado de indicadores importantes com capacidade de interferir no comportamento dos mercados, além dos fatores de risco naturais como a performance de Donald Trump e crise política no Brasil.

A semana embute a divulgação do PIB em diferentes países da Europa que podem sinalizar a recuperação econômica da região de forma mais forte, mas também podem acelerar visões de possível contração da política monetária por parte do BCE (BC Europeu), já bastante pressionado, principalmente pela Alemanha.

Teremos aceleração na safra de balanços de empresas tanto no Brasil como no exterior, referentes ao segundo trimestre do ano, mexendo pontualmente com as cotações dos ativos em bolsa. No Brasil, a visão geral é que os balanços do segundo trimestre serão melhores que os de igual período do ano passado e no comparativo com o trimestre anterior.

Esse é certamente um fator positivo de melhora na precificação interna. Teremos empresas como Via Varejo, Vale e Bancos (Bradesco e Santander); além de muitas outras anunciando resultados. No exterior, a sensação geral é de melhora dos resultados, o que poderia indicar recuperação e novos recordes nos índices
americanos.

A semana embute as decisões do FED sobre política monetária, com previsão de não termos novidades agora. É consenso que nessa reunião não haverá elevação de juros e não mexerão no ajuste para menor do tamanho do balanço do FED. As previsões se concentram e anúncio somente em setembro de reduções no balanço (provavelmente a partir de outubro), e alta de juros somente na reunião do FOMC do FED de dezembro. Setembro parece mais oportuno para anúncios já que incorpora entrevista coletiva de Janet Yellen, presidente do FED.

Já para a reunião do Copom que ocorre na semana, o consenso dos agentes do mercado migrou de queda de 0,75% da Selic para 1,00%, com taxa Selic caindo para um dígito e ficando em 9,25%. Dessa vez, diferentemente da queda do governo Dilma, há boas chances da taxa Selic ficar consistentemente baixo de dois dígitos por bom período.

Isso mesmo considerando pressões inflacionárias que advirão do aumento do PIS/Cofins de combustíveis que se espalha por quase todos os setores da economia. Convém alertar que o efeito pode ser ao redor de 0,40% na inflação do ano, mas estamos abaixo da meta.

O que não podemos abstrair é a crise política que ficou latente pelo recesso do Congresso, mas na volta, logo no início de agosto, certamente irá aflorar. Resta avaliar como o presidente Temer agiu durante essa trégua na tentativa de seduzir políticos e como estará seu capital político quando da votação em plenária da denúncia da PGR. Teremos que avaliar os custos disso em termos de benesses em atender parlamentares, pois existe a percepção que o recente aumento de impostos (PIS/Cofins) e contingenciamento de R$ 5,9 bilhões parecem insuficientes para manter o déficit fiscal de 2017 dentro da meta de R$ 139 bilhões.

Apesar disso, mantemos nossa percepção que operações curtas e agressivas devam ser secundadas por operações com derivativos para reduzir o nível de exposição, mas entendemos que aquisições progressivas de boas empresas, com governança corporativa forte e política definida de distribuição; podem ser tentadas, sempre com horizontes de mais longo prazo para retorno.

Vamos precisar de sangue frio para atravessar o curto prazo.

Até aí nenhuma novidade, já que essa foi a tônica de praticamente todo o ano de 2017.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais