Só Sobrou o Ouro
Só sobrou o ouro em alta na sessão de hoje, naquele movimento típico de proteção dos investidores. Foi mais um dia de mercados acionários em queda em todo o mundo, começando por pesadas perdas durante a madrugada na Ásia, passando por quedas nos principais mercados da Europa, alguma breve reação nos mercados dos EUA e também por aqui. Porém o dia foi novamente pesado.
O FMI nessa semana abriu seu saco de más notícias. Primeiro reduziu a perspectiva de crescimento global em 2018 e 2019. Depois versou sobre o crescimento do endividamento de governos e corporações que atinge US$ 167 trilhões. Hoje voltou a dizer que a economia mundial talvez não esteja em nível suficientemente forte para tudo que está acontecendo. Na mesma direção a ata da última reunião do BCE (BC europeu) continha texto onde dirigentes pediam aos países da zona do euro endividados que reduzam a exposição.
De outra feita, o relatório da OPEP mostrava preocupação com estoques voltando a crescer e cortou projeção de demanda de óleo para 2018 e 2019. A notícia mais auspiciosa ficou por conta de Theresa May dizendo ao gabinete que acordo do Brexit está próximo. Fala-se até quarta-feira próxima. Em compensação o governo alemão reduziu a previsão de crescimento de 2018 para 1,8% (anterior em 2,3%) e 2019 também para 1,8% (de 2,1%).
Nos EUA a inflação medida pelo CPI de setembro (consumidor) veio comportada, com alta de 0,1% e núcleo também em +0,1%. A inflação anualizada sobe 2,3% e núcleo em 2,2%. Os pedidos de auxílio desemprego cresceram 7000 posições para 214000 pedidos. Outra boa notícia internacional é que a Turquia deve liberar o pastor americano Andrew Brunson reduzindo tensões com os EUA.
No mercado o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 3,35%, com o barril cotado a US$ 70,72. O euro era transacionado em alta para US$ 1,159 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 3,13%. O ouro na Comex em alta de 2,83% e a prata com +1,74%. Commodities agrícolas na bolsa de Chicago com viés positivo.
No segmento local o IBGE divulgou as vendas no varejo de agosto com expansão de 1,3% e ano com alta de 2,6%. O varejo ampliado que incluiu automotivo expandiu 4,2% em agosto e no ano com +5,6%. Com isso recuperou perdas de quase três meses e destaque para veículos com alta de 5,4% e combustíveis com 3,0%. Do lado político Haddad disse que se eleito a meta é aprovar a reforma tributária e bancária ainda no primeiro semestre de 2019. Voltou a convocar Bolsonaro para debate, dando a entender que está fugindo do confronto. Também não fala mais de Lula e mudou slogan e cores da campanha. Bolsonaro disse que vai jogar pesado na segurança pública e garantir direitos do cidadão.
No mercado os DIs tiveram dia de queda de juros para diferentes vencimentos (longo em alta) e o dólar depois de muito tempo em queda virou para alta, fechando com +0,35% e cotado a R$ 3,78. Na Bovespa, na sessão de 09/10 os investidores voltaram a sacar recursos no montante de R$ 85,5 milhões, deixando o saldo de outubro ainda positivo em R$ 2,12 bilhões e saldo positivo de ingresso em 2018 de R$ 2,42 bilhões.
No mercado acionário dia de queda da bolsa de Londres de 1,94%, paris com -1,92% e Frankfurt com -1,48%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,69% e 1,84%. No mercado americano o Dow Jones com -2,13% e Nasdaq com -1,25%, mesmo tendo esboçado alguma reação durante o dia. Na Bovespa dia de queda de 0,91% e índice em 82921 pontos. Destaque para Vale com alta de 1,27%.
Amanhã feriado no Brasil e mercados fechados, enquanto no exterior mercados plenos. Nos EUA discursos de dirigentes do FED (Atlanta e Chicago), a confiança do consumidor de Michigan e preço dos importados de setembro.
Boa noite e bom feriado
Alvaro Bandeira