A frase nos remete ao imperador Nabucodonosor de um gigante de cabeça de ouro, peito de prata, pernas de ferro e pés de barros. Um dia, veio rolando de uma montanha, uma pedrinha e derrubou a estátua.

A analogia pode ser feita para um primeiro governo brilhante, um segundo inferior ao primeiro, um terceiro apenas aceitável e, um quarto, tão fraco que foi derrubado pela minoria da sociedade.

Qualquer semelhança é coincidência mesmo.

Inauguramos agosto e com ele virá o término do recesso parlamentar, intensificação da operação Lava Jato e seus desmembramentos e, principalmente, a aceleração do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Isso significa que teremos um mês de tensões constantes, bem dentro do slogan daquele grupo de mídia que diz “em 20 minutos tudo pode mudar”. Aliás, Renan Calheiros se reúne com o presidente do Supremo Lewandowski para tentar antecipar desfecho do impeachment até o final do mês, começando julgamento em 25 de agosto.

A presidente afastada e seu advogado (ex-ministro JEC) parecem ser os únicos que ainda brigam por alguma coisa. Dilma acena até com uma carta aos brasileiros comprometendo-se a convocar eleições. O PT está se desvinculado da presidente, que nunca foi de seus sonhos, e preocupados com as denúncias de corrupção generalizada e caixa 2. Lula parece entregue a sua própria sorte e virando réu na Lava Jato por obstrução e outras denúncias ainda mais graves, ainda existiria a possibilidade de cassação da legenda por delações premiadas comprometedoras.

Não podemos esquecer que ainda estão sobre sigilo de justiça delações premiadas de figuras muito próximas do PT e de Lula e Dilma, como os diferentes empreiteiros da OAS e Odebrecht e Queiroz, e os marqueteiros João Santana e esposa, recentemente libertados por fianças milionárias e significando que as delações foram aceitas. Isso pode implicar ainda mais a elite do PT que governou o país nos quase quatro mandatos sucessivos.

Em agosto, vamos ter a votação da comissão de impeachment, onde Dilma pode ser implicada e a votação em plenária do Senado presidida em conjunto pelo ministro do STF Lewandowski e Renan Calheiros. O ancien régime tenta procrastinar o máximo possível pedindo adiamentos, mas o presidente interino, muito justamente, quer a aceleração.

Michel Temer gostaria que a votação definitiva acontecesse ainda ano final de agosto ou início de setembro, para poder comparecer na reunião do G-20 já investido da função de presidente. Os prazos vão sendo cumpridos e Anastásia fez em 02 de agosto a leitura do relatório com parecer favorável ao prosseguimento.

Portanto, Temer quer a votação do impeachment o mais breve, antes mesmo da cassação do mandato de deputado de Eduardo Cunha, até para não poluir muito o ambiente. Certamente, algumas jogadas ainda podem ser feitas, mas o prazo de julgamento do impedimento de Dilma não deve mudar muito.

A constatação é que conseguimos ultrapassar esse tumultuado e longo período de forma até razoável, sem que a economia desandasse muito. Ao contrário, no curtíssimo prazo, é até possível observar alguma melhora nos indicadores de conjuntura, muito embora as medidas principais da equipe de Temer não tenham sido discutidas, votadas e aprovadas. Há certamente longo caminho a ser percorrido antes de poder capturar melhora consistente da economia e recuperar investimentos. Mas a interinidade de Michel Temer parece estar chegando ao fim, e os pés do gigante não sendo de barro, não irá desmoronar.

Melhor assim.