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A semana é decisiva para o diante da possibilidade de afastamento da presidente Dilma e assunção de Michel Temer. É claro que Dilma ainda teria alguma chance de voltar a ocupar a presidência, mas certamente são mínimas. Dilma promete lutar, situação que poderia gerar alguma instabilidade à gestão Temer. Além disso, hoje se sabe que Temer terá uma armadilha com buracos criados na Petrobras, Eletrobrás e Caixa Econômica; todos necessitando de capitalizações as mais variadas (podemos colocar o Banco do Brasil nesse rol), além do FGTS e FAT. Notem que deixamos de fora o BNDES, até por conta do fato de que esses esqueletos, teoricamente, ainda demorariam a aparecer.

Isso posto, o tempo para que Michel Temer dê a seu governo caráter de transição e não de provisório será muito curto. Temer não pode errar. Não pode errar na escolha de seus ministros numa equipe o mais encolhida possível. Tem que começar o novo governo na quinta-feira já com o primeiro escalão definido (e uníssono) e mostrar para que veio em termos de novas medidas. Ocorre que Temer só deve apresentar sua equipe no domingo, 15 de maio, segundo o noticiário.

As medidas engendradas tem que ser do tamanho exato para não causar mal estar na classe política às voltas com eleições municipais no final do ano, que não frustre os agentes dos mercados (podem colocar nesse grupo empresários e investidores) e que contenham ações de curtíssimo, curto e médio prazos: não descuidando da visão de mais longo prazo que tem de ser preparada. Temer terá ainda que explicar muito bem sua ação e de seus ministros, para que obtenha a adesão da sociedade, que será novamente a maior sacrificada.

Sua equipe terá que desaparelhar o Estado da influência petista , mexendo da forma mais rápida em cerca de 10.000 cargos (no mínimo) de confiança, para que a emperrada máquina volte a funcionar melhor azeitada. Não será tarefa nada fácil, diante da necessidade de atacar inúmeras vertentes simultaneamente. Mas é preciso que seja feito.

Temer terá que mexer no vespeiro da Previdência Social, ainda que não faça tudo de uma vez. Pelo menos algumas mudanças terão de serem incluídas, começando pela mudança de idade mínima. Terá que anunciar sem tergiversar os déficits primários dos próximos anos e o tratamento a ser dado para o endividamento. No meio de tudo isso ainda terá que socorrer muitos Estados brasileiros em processo “falimentar”.

Como dizia Carlos Drummond: “no meio do caminho tinha uma pedra” chamada Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara e também investigado da operação Lava Jato que tentou “melar” a admissibilidade do processo de impeachment, anulando as sessões da Câmara de 15, 16 e 17 de maio. Depois dos abalos sísmicos provocados, tudo acabou voltando ao normal, não sem o desgaste do Brasil ser novamente notícia internacional pelo aspecto negativo. Renan Calheiros não mudou os ritos do impeachment no Senado e Maranhão acabou revogando seu próprio ato, pois sofreria fortes sanções de seu partido (PP) e da própria câmara.

O governo bem que poderia não complicar ainda mais adotando medidas açodadamente para mostrar que ainda está trabalhando, muitas delas contrárias ao que seriam as novas diretrizes a serem implantadas e criando o ônus de serem expurgadas pelo novo governo.

Curtos-circuitos à parte, o Brasil parece querer se soerguer com o novo governo que será instalado, recuperando progressivamente a credibilidade. Está longe de ser uma tarefa fácil, mas é possível se Temer não errar na largada e conseguir trazer para perto de si o Congresso Nacional, fazendo crer aos olhos do mundo que podemos sair do imbróglio onde nos metemos.