Vácuo de Poder

Passamos uma fase do processo de impeachment da presidente Dilma com a votação pela câmara da admissibilidade, conquistada com 367 votos pró-impeachment; 25 votos além do mínimo necessário. De pouco valeu o balcão de negócios estabelecido pelo governo na conquista de votos contra dos partidos nanicos. Com cacife reduzido pela declaração de Rodrigo Janot sobre Lula, o ex-presidente ficou fragilizado para negociar cargos e verbas.

Pois bem, passada essa primeira fase, o processo será encaminhado ao Senado que terá cinco sessões para acatar ou não a abertura do processo. Caso seja acatado por maioria simples (o que é mais provável), a presidente será afastada por até 180 dias e o julgamento final seria presidido pelo presidente do STF, ministro Levandowski, sendo necessário 2/3 para aprovação.

Apesar disso, o que mais nos preocupa é o vazio de poder. Quanto mais tempo demorar o julgamento, mais danos teremos na economia. A grave situação econômica por que passa o país não permite pensar em “vácuo de poder”. É absolutamente fundamental que o Senado acelere o processo, para que esse vazio de poder não ocorra.

Em nossa opinião, um governo Temer deveria se pautar por cortes de muitos ministérios, a convocação de ministros de notória competência em suas áreas e a formatação de diretrizes de política econômica que todos sabem por onde passam. Que não se espere mudanças drásticas, já que teremos eleições municipais no final do ano. Porém, é imprescindível sinalizar para onde caminhar em termos de reforma da Previdência, contenção da expansão da dívida pública e redução e controle do déficit primário previsto para 2016 e 2017.

É isso que trará a credibilidade e governabilidade necessárias e o retorno progressivo dos investimentos.