A volatilidade deve prosseguir e até ampliar durante a semana que está começando para os mercados de risco no Brasil, e nada muito diferente para o restante do mundo. No exterior a diplomacia anda em polvorosa com pressões sobre a Arábia Saudita e também do lado comercial com a China. Além disso, não podemos esquecer que os prazos para o Brexit estão correndo, e a Itália confirmou orçamento com déficit de 2,4% do PIB o que contraria determinações para a região do euro.
Na Arábia Saudita os EUA ameaçam represálias, mas isso não deve acontecer com seu parceiro histórico. Porém Trump faz seu discurso contrário e tem a adesão de outros países importantes e disse estar mandando seu secretário Pompeo para conversar com o rei saudita, sobre o sumiço do jornalista. Já com a China a situação parece se agravar mais um pouco com a divulgação do saldo comercial com superávit em setembro ampliado para US$ 31,7 bilhões (anterior em US$ 27,9) e especificamente contra os EUA, independente de antecipações de exportações, com superávit de US$ 34,1 bilhões, de anterior em US$ 31,1 bilhões. Isso só acirra um pouco mais a postura de Trump, com possibilidade de nova tarifação.
Já com relação ao Brexit, o noticiário internacional dava conta na semana passada que poderíamos ter algum acordo sendo fechado, mas o noticiário do período que está começando mostra que existem questões chaves ainda abertas, como a fronteira dura da Irlanda, e no Reino Unido ex-ministro do Brexit de Theresa May pede que gabinete se rebele contra o acordo proposto. Junte isso com aliados de Angela Merkel perdendo maioria absoluta no parlamento da Bavária, e o quadro fica ainda mais complexo.
No plano local desnecessário afirmar que a volatilidade fica muito por conta do processo eleitoral em reta final, e com candidatos fazendo acusações mútuas, ao invés de se esmerarem em divulgar como pretendem governar sabemos que as acusações fazem parte do processo, mas nessa altura, faltando treze dias para o pleito final, a sociedade já deveria estar melhor inteirada das propostas dos dois candidatos para os próximos quatro anos de governo.
Bem verdade que o fato de Bolsonaro estar crescendo nas pesquisas e pesquisas proprietárias trazem conotações positivas para os mercados, já que os investidores adotaram Bolsonaro como o candidato preferido. Porém, como temos dito, mesmo com o titular conhecido a partir de 28/10, não cessam as preocupações e indefinições e os investidores vão seguir querendo ver a segurança jurídica de voltar a investir no país e como as reformas necessárias serão feitas em termos de abrangência, profundidade e celeridade. Com isso reforçamos que melhor dimensão somente lá pela virada do semestre, apesar de os mercados (dependendo do encaminhamento) se anteciparem.
Um bom exemplo disso fica por conta da renovação do Congresso Nacional que dizem ficou em 47%. Artigo divulgado por Eduardo Oinegue apura número completamente distinto disso e chega à conclusão que a renovação efetiva ficou próxima de 17%. Para tanto retira da conta dos novos, pessoas que já foram eleitas no passado, aqueles que já foram prefeitos e vereadores, os membros de clãs que ingressaram na política, etc. Só para dar alguns exemplos, se Dilma tivesse sido eleita seria considerada “nova”. O filho de Antony Garotinha foi eleito e deve seguir ditames do pai. Espiridião Amin de enorme ficha política pretérita é considerado novo no senado, já que ocupou esse cargo em 1994, mas seguiu pela política como deputado, governador e sempre na ativa.
Assim, tirando a renovação efetiva que chega em somente em cerca de 17%, pouco irá mudar nas barganhas congressuais. Além disso, o partido de Bolsonaro que sempre foi “nanico” e integrante do baixo clero, deve assumir com as cláusulas de barreira a maior bancada e terá que se acostumar com essa mais importante representatividade.
Vejam, então, que a questão não se resolve com o próximo presidente declarado ou mesmo com a virada do ano calendário. Aliás, o início do próximo ano promete ser bem complicado, a julgar pela crise econômica e fiscal que precisamos resolver.