Não faz muito tempo o Brasil era a “menina dos olhos” dos emergentes para investimentos externos de países. Nossas empresas eram cobiçadas, nosso taxa de juros real das maiores do planeta (para não dizer a maior), e sem nenhuma chance do Brasil dar novo calote internacional em sua dívida.

Depois desse romance internacional ingressamos em fase obscura, com investidores abandonando o país (também já tínhamos vivenciado isso no passado), mas de forma menos drástica do que quando Lula se tornava o favorito para assumir a presidência.

Basta lembrar que por essa época o Brasil chegou a perder todas as linhas de crédito e muitas empresas com sede no exterior passaram a emagrecer suas filiais, com remessas e vendas de ativos e nenhuma capitalização (recursos só ingressavam sob a forma de empréstimos).

Depois disso sucumbimos aos desastres de políticas econômicas casuísticas, até desaguarmos nos tempos atuais de operação Lava Jato, seus desdobramentos e longo e doloroso processo de impeachment da presidente Dilma, cujo desfecho agora está muito próximo.

Com o afastamento de Dilma e troca da equipe econômica, o Brasil passou a ver novamente avaliado por investidores e empreendedores locais, bem como pelos parceiros internacionais. As sinalizações de mudanças na política econômica na direção certa começaram a trazer de volta a credibilidade para o país, ainda que muito pouco de concreto tenham sido efetivamente realizado, Porém, como citamos, estamos na reta final de solução de nossos problemas mais prementes, com o julgamento de Dilma Rousseff que deve terminar na virada de agosto ou, no máximo, início de setembro.

O governo Temer propagandeia que a credibilidade está crescendo e a economia começa a mostrar sinais mais positivos. Não é tanto assim como querem demonstrar, mas a direção está correta. Estávamos tão mal que qualquer coisa seria suficiente para agregar alguma melhora. Isso efetivamente está acontecendo. Nossa credibilidade estava tão baixa, que qualquer sinalização mais séria levaria a seu aumento. Porém, será preciso fazer muito mais, e o governo sabe disso.

O ajuste fiscal será duro e o Congresso não parece exatamente solidário com isso. Os governos estaduais e municipais estão em situação precária e andam exigindo maior apoio da União. Igualmente, enquanto o processo de impeachment não é definido, Temer evita lances mais ousados e segue fazendo política destinada a facilitar a votação de impedimento da residente Dilma.

Apesar de todas essas dificuldades, já é possível notar reações positivas em diferentes segmentos. A Bovespa sobe nesse ano cerca de 35%, algumas ações com recuperações bem mais expressivas (Petrobras 85% e Vale +55%, por exemplo) e há expectativa de lento retorno de capitalizações via mercado de capitais. Há também a volta de estudos de processos de fusões e aquisições.

Outro exemplo do Brasil estar voltando ao radar dos investidores ficou por conta de um dos maiores fundos soberanos do mundo, o da Noruega que anunciou que elevou sua exposição ao Brasil em 35% para ações e 18% para renda fixa. Vai investir 0,7% em ações brasileiras (antes era 0,5%) e 1,1% em renda fixa (antes era 0,8%).

Não dá para “deitar eternamente em berço esplendido” como diz o hino. Será preciso fazer muito mais para voltarmos a ser confiáveis. O fato de estarmos na direção correta é bom começo!