Caros leitores,

Começo este relatório com uma pergunta muito importante.

Você tem dormido bem?

Deste lado, confesso que já tive noites melhores… o fato de quase nenhuma mudança de ambiente devido à quarentena incomoda, bem como a volatilidade muito alta do mercado, que tem me feito acompanhar cotações dos mercados pela madrugada, tornando meu sono leve e picotado e, claro, nada tranquilo.

Mas tudo bem, essa é a prerrogativa de um analista que deseja estar a par das mudanças em um momento altamente entrópico, bem como conseguir, com alguma clareza, passar boas informações e ideias a você com algum êxito.

Mas esse não é exatamente o ponto da pergunta, meu questionamento se baseia no eixo do risco. Ned Davis, grande pesquisador do mercado americano, sempre frisou que a melhor medida de risco tomada no mercado é a tranquilidade do seu sono.

Nesse ponto, pergunto novamente, como está o seu?

Depois de respondida sinceramente essa pergunta, trago algumas novidades em relação ao último relatório.

Pelos dados que vêm sendo publicados, tenho a impressão de que teremos tempos mais sombrios à frente, mesmo com a passagem da pandemia do COVID-19. Os seus desdobramentos econômicos serão (e já são) grandes, infelizmente. O desemprego e o PIB globais devem se deteriorar sobremaneira.

Falando de Brasil, a chance é de ser acima da média não é baixa, o país vinha recentemente arrumando a casa por meio de reformas e ainda está com a situação fiscal frágil. Dados os acontecimentos recentes, as reformas, provavelmente, não seguirão por um longo tempo. Portanto, as medidas para “arrumar a casa” deram uma pausa e alguns passos atrás, com a deterioração da situação fiscal, por conta da necessidade de auxílio do governo e paralisação da maior parte das atividades.

Existe ainda a informação de que, em nenhuma das crises ocorridas até hoje, o patamar do primeiro fundo após crash deixou de ser testado.

 

Tudo isso parece bem trágico, certo?

Imagino também que você que vem acompanhando o que falo nos relatórios deve estar se perguntando se mudei minha opinião em relação a um cenário construtivo para empresas e para apreciação dos preços das ações das minhas recomendações.

 

A resposta não é óbvia nem trivial. Eu explico.

Acredito que as empresas estejam baratas e, em um prazo adequado, terão sucesso em seus negócios, porém a turbulência macro exige medidas de cuidado. Portanto, recomendo que o ritmo de alocação seja um pouco reduzido, bem como eventualmente sejam tomadas posições de hedge que ajudam a proteger em cenários de sequência dos movimentos de queda.

 

Qual a ideia? Listo abaixo algumas possibilidades de proteção:

 

Hedge via operação vendida

As ações que eu recomendei ou aquelas que você tem em carteira por qualquer outra razão deveriam andar melhor do que o índice Bovespa. Nas horas de maior tensão, uma boa forma de se proteger pode ser a venda a descoberto (nunca de 100% do valor da carteira, a ideia é atenuar tensões, não especular) de índice Bovespa, seja via BOVA11, BOVV11 ou índice futuro (MUITO CUIDADO com esse e recomendo apenas àqueles que sabem exatamente o que estão fazendo e o tamanho que estão fazendo).

 

Hedge via financiamento

Outra forma de fazer alguma proteção é vender opções de compra (calls) das ações em carteira com valores bem acima dos atuais, caso as ações subam, você entregará as ações no strike da opção vendida; se a ação cair, você recebe o valor da opção vendida, trazendo alguma proteção.

 

Hedge via compra de seguro

Ao passo que a volatilidade diminui, as puts são excelentes opções. Na realidade, são o melhor instrumento possível para proteção de carteira, porém, com a volatilidade muito alta como está, perdem boa parte de sua eficácia.

 

Hedge via alocação

Resumindo e traçando alguns paralelos com a indústria de fundos, a montagem de proteção vai transformar sua carteira de ações de “um fundo FIA” em algo como um “equity hedge” ou um “long biased”, tais nomes que aparecem em muitos fundos. Vale frisar: não proteja toda a sua carteira, faça isso em um percentual adequado para que, no caso de as ações subirem, você não ficar descontente por sua carteira não ter subido junto e, no caso do mercado cair, você conseguir estar bem por ter proteção contra a queda.

 

Muitos investidores podem lançar mão de proteção por meio de fundos de investimento, com classes que fazem um excelente trabalho nesse sentido, conforme foi recomendado na comunicação sobre “Fundos para acumular”, na semana passada. Apenas destacando aqui, as classes que buscam proteção no mercado:

 

Fundos Macro

Fundos Long&Short

Fundos Long Biased 

Alguns poucos fundos FIA

A maior parte dos fundos quant

 

Finalizo esta comunicação trazendo algumas perguntas que todos devem se fazer para medir a eventual colocação de proteções na carteira e qual o nível de proteção que é necessário para cada um:

 

  • Se o mercado subir para 85 mil pontos, como estará minha carteira?
  • Como eu estarei com esse fato?
  • E se o mercado cair para 50 mil pontos, ou até mais, para 45 mil pontos?
  • Como estará minha carteira?
  • Como eu estarei com esse fato?

 

Felizmente, o mercado nos oferece uma infinidade de formas de se proteger e reduzir risco, eu apresentei algumas aqui que podem ajudar muito, mas existem diversas outras por meio dos mais diversos veículos.

 

A pergunta final que você deve se fazer é a que deu nome a este relatório: você tem dormido bem?

 

Nos falamos!

 

Um abraço,

Christian Lupinacci

Analista CNPI

 

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