Dólar X Real

Hoje se inicia a Reunião do Copom, e a decisão da magnitude do corte na Taxa Selic que hoje está em 13,75%, será divulgada amanhã. O mercado prevê uma redução de 0,50 p.p. dado o discurso cauteloso que a autoridade monetária tem mantido e continuidade do processo de desinflação. Uma maior aceleração no corte da taxa básica de juros se faz necessária para estimular a economia no país. Porém o Itaú modificou suas projeções, prevendo uma aceleração ainda maior no ritmo de queda para 0,75 p.p. A revisão na projeção do Itaú não era esperada pelo mercado e vem gerando maior expectativa na decisão do Copom em conjunto com a produção industrial de novembro divulgada na última semana. Uma redução na taxa Selic estimula a economia e desvaloriza o real frente ao dólar.

Açúcar e Etanol

A Petrobras segue vendendo suas participações no setor sucroalcooleiro, após deixar o capital da São Martinho e da Açúcar Guarani, a empresa inicia a venda de participação de 40% na Usina Bambuí. A usina carrega uma dívida de R$ 450 milhões e convive com o fantasma da recuperação judicial.

Os contratos de açúcar ontem na Bolsa de NY foram pressionados pelas dúvidas na capacidade da Opep em reduzir a produção de petróleo e reequilibrar a oferta mundial. Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade em relação ao seu concorrente fóssil e diminui a demanda pelo biocombustível. Outro fator que pressionou as cotações está sendo a resistência da Índia em reduzir o imposto no país sobre importação de açúcar. O país teve sua colheita terminada antecipadamente e a produção ficou abaixo do esperado, 4,3% menor que a estimativa anterior, chegando a 22 milhões de toneladas. Porém o governo afirma que tem reservas suficientes para abastecer o mercado interno. Seguimos na linha de déficit mundial global para as próximas safras com o preço do açúcar variando entre 18 e 20 centavos de dólar por libra peso. O Brasil é um dos principais países produtores de cana-de-açúcar no Mundo e não se tem mais espaço para significativo aumento de produção. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 20,42 queda de 1,59% e mai/17 a US$ 20,23 queda de 0,88%.

Grãos

No início da safra passada, 2015/16, o mercado estimava uma safra recorde acima dos 100 milhões de toneladas de soja, porém a produção ficou em 95,434 milhões de toneladas no Brasil. Nessa nova safra, 2016/17, mais uma vez o mercado estima uma produção recorde acima dos 100 milhões de toneladas. O 4º Levantamento da Safra de Grãos da Conab estima uma produção de 103,778 ante 102,446 da estimativa anterior. MT representa 28% da produção nacional de soja e o plantio no estado já foi finalizado. Algumas regiões já iniciaram a colheita e a maior preocupação dos produtores no momento é com a ferrugem asiática. As aplicações para o controle da praga estão sendo realizadas, e apesar de não terem tido registros significativos de ataques de pragas e doenças, esse será um importante fator a ser monitorado. O controle das pragas é crucial para atingir as expectativas de safra acima de 100 milhões no país como projetado pela Conab. Ficaremos monitorando a produção nos principais estados brasileiros, com destaque para MT.

As plantações de soja na Argentina voltaram a dar sustentação aos contratos da oleaginosa pelas chuvas que atingem o país prejudicando as lavouras. Regiões como o sul de Santa Fé e na província de Buenos Aires estão com sérias complicações e a Bolsa de Cereais de Buenos Aires já diminuiu a estimativa de área plantada em 300 mil hectares, chegando a 19,3 milhões de hectares. Ontem a soja fechou o contrato mar/17 a US$ 1.014,25 alta de 1,07% e mai/17 a US$ 1.005,25 alta de 1,06%. No mercado interno a soja em Paranaguá fechou em R$ 74,06 a saca de 60kg, queda de 0,32%

O Relatório da Conab divulgado hoje (10) também aumenta a produção de milho no país. Com alta de 9,9% no milho primeira safra, sendo puxado pelo PR com alta de 26,3% em comparação com a safra passada e SC, alta de 15,9%, ambos são um dos maiores estados produtores de milho 1ª safra no país, atrás apenas de RS e MG. RS é o segundo maior estado produtor de milho 1ª safra, e a Conab já estima uma redução de 12,2% na produção do estado comparado a safra passada. O estado sofre com fortes chuvas e prevemos uma queda ainda maior na produção. No milho segunda safra a Conab estima um aumento ainda maior na produção, sendo de 37,7% comparado a safra passada. A alta é puxada por MT, 42% em comparação a safra passada, MS, alta de 39,7% e GO, alta de 61,2%, sendo esses os maiores estados produtores de milho 2ª safra no país junto com PR, que teve leve alta de 4,7% nas projeções. Ano passado tivemos uma quebra de milho segunda safra no país, “safrinha”, que impulsionou os preços pela falta do cereal no mercado interno. Nessa safra a Conab está otimista novamente com a plantação e prevê um alta total de milho de 26,9% no país, caso o país não sofra novamente com adversidades climáticas.

Os volumes de embarques de milho americano fizeram preço nos contratos ontem na Bolsa de Chicago. O USDA reportou que na semana encerrada dia 5 foram embarcadas 876,56 mil toneladas, alta de 37,4% comparado a semana anterior. Ainda foi informado o fechamento de embarques de mais 112,5 mil toneladas da safra 2016/17 nos EUA, o que demonstra a demanda aquecida pelo cereal americano e sustenta o preço da commodity. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 360,00 alta de 0,56% e mai/17 a US$ 367,00 alta de 0,62%. No mercado interno o milho ficou em R$ 35,75 a saca de 60kg, queda de 1,52%.

Café

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que ontem (9) foram embarcadas 5,2 mil sacas de 60kg de café arábica e nenhuma de café robusta. No acumulado do mês os embarques de café arábica somam 15,9 mil sacas, e café robusta 2,8 mil sacas. Comparando ao mesmo período de dez/16 o volume de café arábica é 33,2% menor, nesse período não houveram embarques de café robusta no país. A Conab está realizando o levantamento dos estoques privados de café robusta no país que serão finalizados dia 14/jan. No dia 15 haverá uma reunião no Camex que o Ministro da Agricultura irá autorizar ou não a liberação de importação de café robusta, que atualmente é proibida. Os números desse levantamento serão cruciais para as cotações de café, visto que a escassez de café robusta se reflete no café arábica que é o tipo de café negociado na BM&F e na Bolsa de NY. Caso os estoques privados estejam baixos e a liberação da importação não seja autorizada pelo governo, os preços do café tendem a aumentar, pela oferta reduzida de café robusta no mercado interno. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 144,20, alta de 0,95% e mai/17 a US$ 146,55, alta de 0,96%.

Algodão

Em Relatório a Conab também estima uma maior produção de algodão em pluma no país, com aumento de 10,1% na produção. Estima-se uma diminuição de área de 5,2% porém um aumento de produtividade de 16,1%, gerando aumento de pluma disponível no mercado. MT é o maior estado produtor e representa 65,8% da produção nacional, e estima-se uma alta de 6% na produção no estado. A BA é o segundo maior produtor e representa 21,7% da produção nacional, estimando-se um aumento de 24,8% na produção do estado. A BA foi fortemente afetada pela seca na safra passada, e foi reduzida em 14,3% a área plantada no estado. Mas a Conab estima que nessa safra o clima será favorável e a produtividade será 45,6% maior. Acreditamos que as estimativas para a produção de algodão no país feitas pela Conab são extremamente otimistas. Para a BA não prevemos essa alta tão forte na produtividade de algodão no país (45,6%). Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 72,99 queda de 1,35% e mai/17 a US$ 73,44 queda de 1,14%.

Borracha

As inundações nas plantações de borracha na Tailândia geraram uma escalada nos preços da commodity na Shanghai Futures Exchange. Ontem (9) a alta foi de 6,2% no contrato para maio fechando a 2,7592 usd/ton. O Ministro da Agricultura relata que as inundações atingiram 4,6% do total de área plantada. Kazunori Kokubo, diretor administrativo da Yutaka Shoji relata que as inundações na Tailândia foram de fato a causa na alta dos preços no pregão de ontem (9). Autoridades da Borracha na Tailândia escreveram em seu site que os preços devem continuar subindo com a limitada oferta da borracha como causa das fortes chuvas. Ontem o contrato mar/17 fechou a 210,70 usd/kg alta de 7,17% e abr/17 fechou a 210,00 usd/kg, alta de 6,06%.

Equipe:
Pedro Esberard Barbirato Rosa
pedro.rosa@modal.com.br

Katharyne Amorim Caiaffa
katharyne.caiaffa@modal.com.br

Rio de Janeiro 55 21 3223 7890 | 7934
São Paulo 55 11 2106 6880
www.modal.com.br

Fonte:
http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_01_10_09_00_47_boletim_graos_janeiro_2017.pdf
http://canaplan.com.br/noticias/setor-sucroenergetico/0000001084
http://www.valor.com.br/agro/4830996/commodities-agricolas
http://www.cecafe.com.br/dados-estatisticos/exportacoes-brasileiras/

1) Este documento é fornecido exclusivamente a título informativo e não deve ser considerado uma recomendação, sugestão de estratégia de investimento e/ou análise de valores mobiliários. Rentabilidades passadas não são garantia de rentabilidades futuras. O Banco Modal S.A. ou quaisquer das empresas que compõem o Grupo Modal (conforme definição legal) não expressam qualquer forma de garantia, implícita ou explícita, através do presente material.

2) Este material não leva em consideração objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas dos Investidores, que devem procurar aconselhamento financeiro destinado às suas necessidades antes de tomar qualquer decisão de investimento com base em informações contidas neste material. O material, inclusive, não representa o oferecimento de produtos, visto que tal oferta só pode ser feita mediante identificação do perfil de risco do cliente.

3) O presente material não representa a opinião do Banco Modal S/A bem como das demais empresas do Grupo Modal e seu conteúdo é de inteira responsabilidade dos responsáveis pela sua elaboração e das respectivas fontes utilizadas.

4) Esta comunicação deve ser lida apenas pelo seu destinatário e não pode ser retransmitida sem autorização formal. Caso recebida indevidamente, por favor destrua-a. Qualquer reprodução, disseminação, alteração, distribuição e/ou publicação deste e-mail é estritamente proibida.

Ouvidoria 0800 283 0077