Dólar X Real

Empresas brasileiras iniciam essa semana captando recursos no exterior com previsão de US$ 25 bilhões em 2017. A Petrobras captou dia 9 (segunda-feira) US$ 4 bilhões abrindo a temporada de captação no mercado internacional. A Fibria, gigante do setor de papel e celulose, encerrou ontem (10) seu road show com investidores e a expectativa é captar US$ 500 milhões. Braskem, Raízen, Cemig e Vale também compõem a lista de empresas brasileiras que preparam os documentos para aproveitar o momento de alta liquidez e juros ainda próximos de zero nas principais economias do Mundo. Empresas agilizam o processo na tentativa de finaliza-lo antes da posse de Donald Trump, próximo dia 20 (sexta-feira), que pode ocasionar volatilidade no mercado. O mercado estima três altas de juros nos EUA ao longo do ano, encarecendo a captação de recursos no exterior, com as captações tendendo a se concentrar no primeiro semestre do ano. A captação de recursos internacionais gera maior fluxo de real no Brasil apreciando a moeda.

Açúcar e Etanol

Ano passado, 2016, as vendas externas de açúcar foram 20% maiores que em 2015, alcançando 28,9 milhões de toneladas. As receitas somaram US$ 10,4 bilhões, alta de 36% em relação a 2015. Para esse ano as perspectivas são ainda melhores, visto que em média ano passado as negociações foram feitas na casa dos 14 e 15 dólares por libra peso, atualmente o açúcar está cotado na casa dos 19 e 20 dólares por libra-peso. As perspectivas de déficit mundial global de açúcar nas próximas temporadas tendem a beneficiar os produtores brasileiros pela escassez do produto no mercado internacional. Em 2016 o açúcar brasileiro foi embarcado para 117 países diferentes, mas Índia, China, Argélia, Bangladesh e Emirados Árabes representaram os maiores embarques respectivamente, sendo responsáveis por 36% do total embarcado. Fortes chuvas afetam as áreas mais importantes de cana-de-açúcar na China. O Centro Nacional de Metereologia da China informa que as fortes chuvas vão continuar em partes de Guangxi e Hunan até quinta.

A safra 2016/17 será finalizada em set/17, porém para safra 2017/18, iniciada oficialmente em abr/17, já se é previsto queda na moagem. A INTL FCStone prevê queda de 10,1% na moagem de cana na safra 2017/18, em relação a atual 2016/17, a redução seria puxada principalmente pelas baixas taxas de renovações dos canaviais. As cotações do açúcar ontem (10) registraram leve alta como reflexo do cenário macroeconômico incerto para a commodity. O preço do petróleo registrou queda ontem (10) com a previsão de que o Departamento de Energia dos EUA irá produzir mais 200 mil barris de petróleo em 2017. Uma maior produção de petróleo tende a pressionar os preços, tornando o combustível fóssil mais atrativo que o etanol, e estimulando a produção de açúcar nas usinas. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 20,48 alta de 0,29% e mai/17 a US$ 20,31 alta de 0,40%.

Grãos

A China, maior importadora global de soja, tem reduzido o ritmo de compras nesse início do ano pela apreciação da commodity, afetando suas margens. A valorização da commodity afeta o lucro das esmagadoras no país, e a Rizhao, umas das maiores esmagadoras da China, está vendo suas margens caírem para os menores níveis desde setembro. Com os altos estoques, esmagadoras estão diminuindo as compras, principalmente ás vésperas do Feriado do Ano Novo Lunar. A expectativa que o USDA diminua suas previsões para os estoques finais da safra 2016/17 deram sustentação as cotações ontem na Bolsa de Chicago. O mercado espera que com a demanda firme pela oleaginosa americana, com exportações chegando a 34 milhões de toneladas, os estoques tenham revisão para baixo, diminuindo a oferta do cereal e impulsionando as cotações. Ontem a soja fechou o contrato mar/17 a US$ 1.022,75 alta de 0,84% e mai/17 a US$ 1.013,75 alta de 0,85%. No mercado interno a soja em Paranaguá fechou em R$ 74,48 a saca de 60kg, alta de 0,57%

O Paraná, um dos maiores estados produtores de milho no Brasil, iniciou essa semana a colheita do cereal com boas expectativas. O ritmo de colheita deve acelerar na última semana de janeiro estando dentro da normalidade, as boas condições climáticas vêm favorecendo as lavouras. O Departamento de Economia Rural (Deral) prevê que na safra de verão, primeira safra, o estado colha 4,37 milhões de toneladas, alta de 30% em relação à safra passada, enquanto a área cresceu em torno de 20%. Segundo dados do órgão 94% das lavouras estão em condições “boas”. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 358,25 queda de 0,49% e mai/17 a US$ 365,25 queda de 0,48%.

Café

Relatório da Bureau de Inteligência do Café destaca o potencial de crescimento da China e a reciclagem das cápsulas de café. A China teve grande avanço na produção de café nos últimos anos, e já ultrapassou 2 milhões de sacas. Empresas multinacionais na China também investem em compra de grãos e treinamento de pessoal. A vantagem logística da ferrovia trans-eurasiana que liga a China a Europa possibilita que o café chinês chegue mais rápido ao continente europeu do que por meio de navios. Caso essa tendência de vantagem competitiva se confirme, irá afetar as exportações brasileiras que atualmente tem cerca de 50% das exportações voltadas para a Europa. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 147,70, alta de 2,43% e mai/17 a US$ 150,05 alta de 2,39%.

Algodão

A AgroStat, sistema do Mistério da Agricultura informa que as exportações brasileiras de algodão no ano passado, somaram 804,8 mil toneladas, 3,5% menor que em 2015 e a receita também encolheu 5,8% em comparação com 2015. A Bahia, segundo maior estado produtor da pluma no Brasil, teve grande queda na sua produção na safra passada por adversidades climáticas impactando as exportações brasileiras. A produção total no Brasil alcançou 1,289 milhões de toneladas, 17,5% inferior a safra passada, também puxada pelas adversidades climáticas, principalmente no Norte e Nordeste. A Indonésia foi a líder nas importações de pluma brasileira importando 145 mil toneladas, 8,6% superior ao ano anterior. A possibilidade do USDA elevar suas estimativas para o embarque de algodão deu sustentação as cotações. Caso a Índia fique fora do mercado devido ao cenário econômico no país e a lavouras chinesas sejam impactadas negativamente pelas recentes chuvas no país, a demanda pelo algodão americano pode crescer. Ontem o contrato mar/17 fechou a US$ 73,19 alta de 0,27% e mai/17 a US$ 73,64 alta de 1,14%.

Borracha

O Bank of Thailand espera que as inundações no sul do país terminem em janeiro, a borracha já acumula alta de 20% y/y, só nesse ano a alta já acumula 10%, os contratos futuros de borracha escalam a maior alta desde 2013, pelos produtores de borracha da região sul não conseguirem explorar 75% da plantação devido as inundações. Autoridades de Borracha na Tailândia dizem que os preços vão continuar subindo com as fortes chuvas e inundações no sul, limitando a oferta da borracha enquanto operadores locais precisam comprar a commodity. As inundações já atingem cerca de 1,2 milhões de pessoas no país, 1,76% da população do país. Ontem o contrato fev/17 fechou a US$ 208,70 alta de 3,01% e abr/17 fechou a US$ 216,10 alta de 2,90%.

Equipe:
Pedro Esberard Barbirato Rosa
pedro.rosa@modal.com.br

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Fonte:
http://www.portaldoagronegocio.com.br/noticia/apos-recorde-de-exportacoes-em-2016-acucar-voltara-a-brilhar-em-2017-153792
http://www.portaldoagronegocio.com.br/noticia/acar-perspectivas-novo-deficit-global-deve-sustentar-altos-patamares-de-precos-em-2017-153796
https://www.agrolink.com.br/noticias/china-reduz-compras-de-soja-por-margens-mais-apertadas-de-processadores_368019.html
https://www.agrolink.com.br/noticias/colheita-de-milho-comeca-no-parana–campo-mourao-da-a-largada_368018.html
http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Algodao/noticia/2017/01/exportacao-de-algodao-em-2016-recuou-35-em-volume-e-58-em-valor.html
http://www.abic.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=59&infoid=6086
http://www.valor.com.br/agro/4832310/commodities-agricolas

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