Açúcar

A S&P Global Platts realizou entre os dias 12 e 14 de setembro a 3ª Conferência Anual de Açúcar em Miami e contou com a presença da Unica, Agroconsult, Platts, Organização Internacional do Açúcar entre outras instituições renomadas no Mercado. Nosso trader do Banco Modal, Pedro Rosa, participou da conferência e trazemos nesse informe os pontos que mais se destacaram entre os temas apresentados, além de apresentar brevemente nossas perspectivas do mercado de açúcar e etanol para os próximos anos.
Diante do que nos foi exposto, sem dúvida, todos os olhos estão voltados para o déficit global de açúcar para a safra atual, que está perto de 7 milhões de toneladas, e olhando para a de 16/17 temos algumas consultorias estimando um déficit entre 7 e 10 milhões de toneladas. Nos foi apresentado por um analista sênior da Platts a seguinte simulação e a colocamos como cenário base de nossa análise.


Nos gráficos que seguem ao lado, apresentamos um exercício que tenta demonstrar que para reverter essa situação de déficit será muito difícil, onde temos como ponto de partida da oferta a melhor produção nos últimos 8 anos dos 5 maiores produtores de açúcar do mundo, e colocamos um adicional de produção dos principais produtores como apresentado na tabela. Do ponto de vista da demanda, foi considerado como base o aumento observado nos últimos anos, além de outros 2 cenários com choques mais acentuados de crescimento.


Podemos verificar por essa ótica que na grande maioria das simulações o incremento da oferta não será capaz de suprir a demanda. Na safra no ano que vem já podemos observar um possível aumento significativo do déficit global, já em 17/18 temos uma possibilidade de superar isso, mas teríamos que ter expansões relevantes tanto em área, como em capacidade produtiva, cenário pouco provável num horizonte tão curto de tempo. Olhando para 18/19 a demanda volta a apertar e dificilmente teríamos sobra de produção, e em 19/20 voltaríamos a situação de déficit em todos os cenários simulados. Temos um caminho longo pela frente, mas podemos esperar boas margens para o setor.


Com esse cenário traçado, vemos uma gritante necessidade de expansão de produção no mundo. Ao lado é apresentado o custo de produção do açúcar nos maiores produtores do mundo, observamos o Brasil com o menor custo de produção, ao redor de US$ 0,14/lb e a Índia com o maior custo chegando próximo dos US$ 0,20/lb.
Apesar disso, nossa capacidade de expansão de área na consolidada região de São Paulo é restrita, e produzir em outros estados é pouco viável devido aos altos custos logísticos em nosso país. O aumento da produção mundial poderia vir da Thailandia com previsão de 19 novas lavouras até 2021 e da Índia, que muitos dizem ser a chave para o aumento de produção.
A Índia é o segundo maior produtor de açúcar no Mundo, porém é o maior consumidor. Na safra 2016/17 o país terá uma produção menor que seu consumo interno, devido aos problemas climáticos desse ano, gerando um déficit de açúcar de perto de 3 milhões de toneladas, o que fará o governo usar seus estoques internos para suprir a demanda. Vemos uma possibilidade em 17/18 de ver um crescimento marginal nos yields gerando um potencial produtivo que deve ser materializado na safra de 20/21. Mas para isso acontecer temos que observar um clima perfeito, investimentos e ajuda governamental.
Com isso, vemos uma dinâmica ascendente de preços para o açúcar para os anos que seguem, por tudo que nos foi apresentado em relação a pouca oferta e demanda crescente. Além de uma capacidade limitada para expansão da produção, devido as muitas variáveis que não podemos controlar.

Etanol


Nos ultimos anos, estamos observando um incremento na participação do etanol dentro da cadeia de combustíveis para motores de combustão interna, passando de 1,4% no ano 2000 para 6,7% em 2015. Esse aumento pode gerar impactos significativos no balanço de açucar e etanol no mundo, podendo haver uma transição de um produto para outro dependendo dos incentivos ou metas ambientais fixados pelos países importadores deste combustível no decorrer dos proximos anos.


Hoje temos o mandato de mistura de anidro na gasolina no mundo como segue no gráfico ao lado, onde o Brasil é o que tem o maior entre eles (27%), muito ainda pela herança deixada pelo pro-álcool da década de 80.


Observamos um tendência clara para uma emissão de gases mais consciente e menos impactante para o meio ambiente, onde a cada ano mais países se mostram comprometidos com isso. Estão sendo assinandos acordos globais fixando metas de redução dessas emissões, como o Acordo de Paris assinado dia 12 de Setembro pelo presidente Michel Temer.
Até a China, que por anos é cosiderada uma das principais emissoras de gases causadores do efeito estufa, está aumentando significativamente a importação de etanol desde o ano passado, passando de 14 milhões de litros em 2014 para 90 milhões de litros em 2015.


Para atender essa demanda crescente os países produtores passarão por uma prova de fogo para expandir as lavouras, e onde vemos o menor custo de produção ainda é aqui no Brasil. Comparando com os EUA, nosso principal concorrente, observamos um custo 11% menor com preços internos 31% maiores.

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