De olho na agenda de indicadores dos EUA, os mercados acionários internacionais operam ligeiramente negativos nesta terça-feira. O Ibovespa futuro acompanha esta tendência e, às 9h29, registrava queda de 0,12%. Encerrada a temporada de balanços do 2T16, com as últimas divulgações na noite de ontem, os investidores aguardam a cena política, que só deve trazer novidades a partir do final do mês, quando terá início do julgamento final do processo de impeachment de Dilma Rousseff. A Bovespa divulgou a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa, que vigorará entre setembro e dezembro, trazendo novamente a exclusão das ações PNB da Cesp, sem inclusões de outras ações.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em ligeira queda, embora possivelmente simples consequência dos overbought níveis do Indicador de Força Relativa no avanço anterior. A expectativa é de que possa ingressar em um congestionamento intraday, a fim de formar a base necessária para superar a resistência representada pelo topo formado em 59.445 pontos e dar continuidade para sua trajetória ascendente.

O dólar-futuro testou o suporte de R$ 3,175 e se perdê-lo indicará possibilidade de extensão da queda até o fundo formado em R$ 3,135. Para permitir a expectativa de ingresso em um repique altista, será necessário o rompimento da resistência de R$ 3,215 (comentários feitos às 09:15 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Temporada de Balanços 2T16

CELESC
A razão principal do fraco desempenho obtido no trimestre (prejuízo líquido de R$ 176,9 milhões, contra lucro de R$ 30,5 milhões no 2T15) foi a queda de 25% na receita líquida, decorrente da forte elevação de CVA negativa neste trimestre (-R$ 72 milhões no 2T15 para -R$ 487 milhões no 2T16). O prejuízo da atividade subiu em torno de dez vezes. O resultado financeiro líquido sofreu reversão, passando de positivo no 2T15 para negativo no 2T16.

ELETROBRAS
O resultado do 2T16 (lucro de R$ 12,722 bilhões contra prejuízo de R$ 1,358 bilhão no 2T15) está distorcido por diversos eventos extraordinários, de forma que não é comparável aos períodos anteriores. Os principais itens foram: (i) efeitos da Portaria nº 120, de 20 de abril de 2016, do Ministério de Minas e Energia, que estabeleceu as condições de pagamento e remuneração relativa à Rede Básica do Sistema Existente (RBSE), com forte impacto na receita de transmissão, na conta de atualização das taxas de retorno de transmissão; (ii) provisão de IRPJ/CSLL referente ao reconhecimento da RBSE acima mencionada e (iii) provisões operacionais, com destaque para o impairment e provisão para contrato oneroso referentes ao empreendimento da Usina Nuclear de Angra 3.

GOL
Pelo segundo trimestre consecutivo, a Gol foi favorecida pela variação cambial que, como especulado por alguns, reverteu o prejuízo de R$ 396 milhões do 2T15 para lucro de R$ 253 milhões no 2T16. Até junho o resultado atribuído aos sócios da controladora acumula lucro de R$ 955 milhões (1S15: prejuízo de R$ 1.100 milhões). Apenas a variação cambial líquida do semestre foi de R$ 1.432 milhões.

IMC S/A
O lucro líquido do 2T16 foi de R$ 191 mil, revertendo o prejuízo de R$ 18,4 milhões do 2T15. A receita líquida atingiu R$ 387,8 milhões, recuo de 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, ou 7,2% se forem excluídos os efeitos da variação cambial. As vendas foram negativamente afetadas pelo fechamento líquido de 28 lojas no Brasil, principalmente em função da estratégia da companhia de racionalização de portfólio com o encerramento de lojas deficitárias. As vendas nas mesmas lojas totalizaram R$ 376,7 milhões no 2T16, estável em relação ao 2T15. No Brasil, a queda de 6,3% nas vendas nas mesmas lojas foi influenciada pela redução de 10,9% nas vendas nos aeroportos brasileiros no 2T16, depois de uma forte queda no fluxo de passageiros nos aeroportos brasileiros no final de 2015 e início de 2016.

JHSF PART
No 2T16 o lucro líquido foi de R$ 45,184 milhões, 297% acima do lucro do 2T15. A receita líquida atingiu R$ 92,9 milhões, 48% menor do que a do 2T15, principalmente em função da receita bruta da Incorporação, que foi negativa em R$ 13,1 milhões, impactada por provisão para distrato. O resultado financeiro foi negativo em R$ 65,8 milhões, prejuízo 62% maior do que o do 2T15. A receita financeira caiu por efeitos de estorno de variação monetária da carteira de incorporação e pela posição de caixa, mantida em dólares ao longo do 2T16. A despesa financeira cresceu principalmente por aumento de spreads nas linhas de financiamento.

LOPES BRASIL
A Companhia reduziu o prejuízo do 2T15 em 56,5% e teve perda de R$ 8,2 milhões. No 2T16 reduziu em 39% as despesas operacionais e reduziu em 73% o prejuízo financeiro. A receita líquida atingiu R$ 37,5 milhões, 36% inferior ao mesmo período de 2015. A queda da receita líquida é reflexo da queda no VGV intermediado nos mercados primário e secundário. A Lopes Brasil participou de lançamentos que somaram R$ 1,9 bilhão em empreendimentos imobiliários no 2T16, volume 44% inferior ao 2T15.

SID NACIONAL
A CSN provou estar preparada para enfrentar as enormes dificuldades de comercialização no mercado interno e externo de aço e minério de ferro. O prejuízo líquido atribuível aos sócios da controladora caiu para R$ 57 milhões no 2T16 e, embora a Companhia acumule ainda prejuízo de R$ 894 milhões nos seis primeiros meses de 2016, de fato o segundo trimestre foi razoavelmente bom em termos de receita operacional líquida e margens operacionais.

SOMOS EDUCA
O fraco resultado (prejuízo de R$ 65,6 milhões no 2T16, vs prejuízo de R$ 17,6 milhões no 2T15) se deveu à forte elevação das despesas decorrentes de gastos com a incorporação da Saraiva Educação e antecipação de algumas despesas relacionadas à confecção de apostilas do PNLD 17. A receita líquida cresceu 30,1%, mas o resultado da atividade reverteu de positivo no 2T15 para negativo no 2T16. O resultado financeiro líquido negativo cresceu 83,2%.

TRAN PAULIST
O bom lucro do 2T16 (R$ 104,2 milhões vs. R$ 76,6 milhões no 2T15) se deveu, principalmente à redução das despesas operacionais, uma vez que no 2T15 ocorreram despesas extraordinárias elevadas, referentes à provisão para contingências. O lucro da atividade cresceu 50,3%, com ganho de 19,5 p.p.. O resultado financeiro líquido negativo, por outro lado, subiu 384,4%, compensando parcialmente a boa performance operacional. Este fato, por sua vez, foi decorrente de menor saldo de ativos setoriais a receber neste trimestre.

TRISUL
A Trisul reverteu o lucro líquido de R$ 3,6 milhões do 2T15 e registrou prejuízo de R$ 2,1 milhões no 2T16. Apesar das vendas terem alcançado R$ 90 milhões no trimestre, com volume 15% superior ao 2T15, a receita operacional líquida caiu 32,5% na comparação anual. No 2T16 foram lançados dois empreendimentos, Estação Parque Jandira e Vista Clementino, totalizando VGV de R$114 milhões.

Economia em Foco

IPC-S acelerou na segunda semana de agosto
O IPC-S de 15 de agosto, pela FGV, variou 0,48%, ante 0,46% na última divulgação. Dos oito grupos componentes do índice, seis apresentaram aceleração, com destaque para Transportes (de 0,32% para 0,36%), com o item etanol passando de 0,96% para 2,19%. Os outros avanços ocorreram em Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,87% para 0,91%), Educação, Leitura e Recreação (de 1,06% para 1,10%), Comunicação (de 0,18% para 0,55%), Habitação (de -0,01% para 0,00%) e Vestuário (de 0,31% para 0,32%). Os grupos que registraram desaceleração foram Alimentação (de 0,72% para 0,69%) e Despesas Diversas (de 0,31% para 0,19%). A inflação no varejo segue persistente e dispersa. Contudo, o grupo Alimentação mostra desaceleração, podendo ser mais significativa em breve, devido a recente deflação das commodities agrícolas no preço do atacado.

Agenda

Corporativa

Econômica