O Ibovespa futuro operava, às 9h37, com alta de 0,34%, indicando a maior possibilidade de recuperação de parte das perdas de ontem. Este é o mesmo comportamento das bolsas estrangeiras, que operam em alta nesta manhã, mesmo com a cautela pelo aguardo de indicadores a serem divulgados na China hoje a noite. A agenda política interna não traz muitas novidades, o que pode abrir mais espaço para as divulgações de resultados do 2T16 influenciarem no comportamento das ações.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro precisa ultrapassar a resistência imediata de 57.235 pontos, para indicar possibilidade de ingressar em um repique altista até 57.500/58.000 pontos. Por outro lado, em caso de perda do suporte de 56.825 pontos, aumentará as chances de continuação da queda sinalizada no rompimento do triângulo, na direção do objetivo representado pelo fundo formado em 55.980 pontos.

O dólar-futuro experimenta nova recuperação, mas terá que ultrapassar a resistência representada pelo antigo suporte de R$ 3,185 para atingir R$ 3,215.

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Temporada de Balanços 2T16

ANIMA EDUCAÇÃO
A empresa obteve substancial redução do prejuízo no período (-R$ 1,0 milhão no 2T16 vs -R$ 24,1 milhões no 2T15), devido ao crescimento da receita líquida, associado à redução de custos conseguida graças a um esforço de contenção de despesas. A base de alunos teve expansão da ordem de 7,3%, a despeito do ambiente desfavorável. O desempenho líquido teria sido melhor não fosse o salto de 466% no resultado financeiro líquido negativo, este decorrente do aumento do endividamento, tendo em vista os investimentos em andamento, incluindo aquisição de concorrentes.

BANCO DO BRASIL
Fechou o 2T16 com lucro líquido contábil de R$ 2,465 bilhões, queda de 18% contra o 2T15. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 1,801 bilhão, queda de 40,8%, respectivamente. Neste último houve o impacto de provisionamentos adicionais para fazer frente ao risco de uma empresa específica do setor de óleo e gás, onde presume-se que seja a Sete Brasil, dado o pedido de Recuperação Judicial desta. A carteira de crédito ampliada, por sua vez, atingiu R$ 751,207 bilhões, com recuo de 1,2% no intervalo do 2T16 e 3,1% em doze meses findos em junho de 2016, sobretudo por conta do desempenho do crédito em pessoa jurídica. Nesse vertente de crédito, as quedas foram de 4,1% e 3,7%, respectivamente. Deve-se considerar aqui o efeito da apreciação cambial. A par disso, o BB alterou o guidance para 2016, onde esperava-se variação para a carteira ampliada entre 3% a 6%, passando agora para -2% a 1%. Por fim, a inadimplência foi ascendente, ao perfazer 3,3% no 2T16 contra 2,6% no 1T16 e 1,9% no 2T15.

BR PHARMA
Registrou prejuízo de R$ 87,5 milhões no 2T16, 9,2% maior do que o prejuízo de R$ 80,1 milhões apurado no 2T15, reflexo do fraco desempenho operacional. A receita líquida foi de R$ 500,4 milhões, queda de 42,4% frente aos R$ 868,7 milhões do mesmo trimestre do ano anterior. O resultado operacional foi um prejuízo de R$ 59,5 milhões, 55% maior do que o 2T15. O resultado financeiro até apresentou prejuízo menor do que o 2T15, em vista da redução de 64,8% nas despesas financeiras, mas não foi suficiente para melhorar o resultado do 2T16.

COSAN
Obteve lucro de R$ 281,5 milhões no 2T16, mais de 17 vezes acima do lucro do 2T15, que foi de R$ 16,3 milhões, principalmente em função do melhor desempenho da Raízen e da Comgas. A receita líquida totalizou R$ 11,46 bilhões, com crescimento de 13,4% ante o mesmo período do ano anterior. O Ebtida ajustado aumentou 30,3%, registrando R$ 997,6 milhões, consequência da antecipação do início da moagem da safra 2016/2017, que gerou maior disponibilidade de produto próprio para venda com melhores preços e do número de vendas acima da média devido ao desempenho da Raízen Combustíveis.

COSAN LOG
RUMO LOG
No 2T16 a Rumo Log apresentou prejuízo de R$ 35,4 milhões, revertendo o lucro de R$ 29,4 milhões do 2T15. O resultado foi afetado por maiores despesas financeiras, devido ao aumento das taxas médias de juros (CDI e TJLP) na comparação anual. A receita líquida aumentou 12,7%, para R$ 1,37 bilhão no período, sendo a maior parte proveniente da operação Norte, que totalizou R$ 998,1 milhões. O Ebtida avançou 1% e totalizou R$ 593 milhões, mesmo com a queda de 4% no volume de cargas transportadas. A Cosan Log também registrou prejuízo, de R$ 11,0 milhões, revertendo o lucro de R$ 10,9 milhões do 2T15.

CPFL RENOVÁVEIS
A empresa conseguiu reduzir seu prejuízo no 2T16, passando de resultado negativo de, R$ 94 milhões no 2T15, para R$ 63,7 milhões neste trimestre. A receita líquida cresceu 21,8%, tendo em vista o start-up de alguns projetos de expansão, como a PCH Mata Velha e o parque eólico Campo dos Ventos III. Tendo em vista o acréscimo de receitas, a margem EBIT deu um salto de cerca de 13 p.p.. O resultado financeiro líquido negativo subiu 14,3%, tendo em vista a elevação do endividamento, necessária para fazer face aos investimentos em andamento.

CSU CARDSYSTEM
Fechou o 2T16 com receita bruta de R$ 132,6 milhões, crescimento de 5% contra o 2T15. O Ebitda foi de R$ 24,1 milhões, evolução de 42,7%, bem como o lucro líquido de R$ 8,3 milhões avançoou 118,4%. A CSU encerrou o período com 22,8 milhões de cartões cadastrados, 3,4% superior à base de cartões exibida no mês de março e 26,5% acima da base do final de junho/15. Já com relação aos cartões faturados, a divisão apresentou crescimentos de 5%, frente a março/16, e de 17,3%, ao longo dos últimos doze meses, encerrando o período com 19,7 milhões de cartões. Dessa forma, mesmo em um cenário econômico adverso, a empresa registrou resultados sustentáveis nas linhas de negócio. Esses, porém, apresentaram um ritmo menor comparado aos últimos trimestres, reflexo do panorama econômico atual.

JBS
No 2T16 a JBS teve forte crescimento do lucro, que registrou R$ 1,536 bilhão, ante apenas R$ 80,131 milhões no 2T15, reflexo da redução das despesas com derivativos para proteção cambial. A receita líquida foi de R$ 43,7 bilhões, um aumento de 12,3% em relação ao 2T15, em função do crescimento de 71,6% na receita da JBS USA Carne Suína e do crescimento de 3,3% na receita da Seara. Aproximadamente 72% das vendas globais da JBS foram realizadas nos mercados domésticos e 28% por meio de exportações. O resultado financeiro foi positivo em R$ 772,4 milhões, revertendo a despesa financeira de R$ 2,3 bilhões do 2T15. A receita de variações cambiais ativas e passivas foi de R$ 2,5 bilhões.

MARFRIG
Apurou prejuízo líquido R$ 131,9 milhões no 2T16 ante prejuízo de R$ 6,1 milhões no 2T15. A Receita Líquida de R$ 4,8 bilhões no 2T16, uma alta de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução do volume da operação de Beef e os menores preços das commodities, que afetaram a receita da Keystone em dólares, foram compensados pela valorização de 14,2% do dólar norte-americano frente ao Real. O resultado financeiro apresentou uma despesa de R$ 520 milhões, comparado a uma despesa de R$ 390 milhões no 2T15.

METAL LEVE
Fechou o 2T16 com receita líquida R$ 583,5 milhões contra R$ 615,2 milhões no 2T15 (-5,2%). Tal performance se deveu ao desempenho dos mercados de peças para reposição exportação (+9,5%) e peças para reposição local (+4,9%) e às quedas do mercado equipamento original exportação (-1,7%) e de equipamento original local (-20,6%). O lucro foi de R$ 37,5 milhões no 2T16 contra R$ 43,2 milhões no 2T15 (-13,2%).

ECORODOVIAS
Fechou o 2T16 com receita líquida R$ 603,4 milhões contra R$ 510,6 milhões no 2T15 (+18,2%). O lucro líquido foi de R$ 107,8 milhões contra R$ 81,2 milhões (+32,8%). O volume de tráfego consolidado no 2T16 foi de 69.497 mil veículos equivalentes pagantes, com crescimento de 26,4% contra o 2T15, devido ao tráfego da ECO101 e Ecoponte, empresas incorporadas a partir de dezembro de 2015. Por fim, o Ebtida pró-forma, excluindo receita e custo de construção e provisão para manutenção, totalizou R$ 374 milhões, com avanço de 21,1% contra o 2T15 e margem de 73,7%.

FRAS-LE
Fechou o 2T16 com receita líquida R$ 217,1 milhões contra R$ 201,0 milhões no 2T15 (+8,0%). O lucro foi de R$ 19,1 milhões contra R$ 14,1 milhões (+35,5%) no 2T15. Os volumes de produção no 2T16 tiveram desempenho similar aos do 2T15 e boa evolução em relação ao 1T16. A par disso, no 2T16 foram produzidas 23 milhões de unidades, que representaram evoluções de 0,4% sobre o 2T15 e 17% em relação ao 1T16. Ao longo do 1S16 os volumes de produção totalizaram 42,7 milhões de unidades, representando uma redução de 4,3% em relação ao 1S15, basicamente refletindo a menor demanda do mercado de montadoras.

PAR CORRETORA
O lucro líquido foi de R$ 40,2 milhões no 2T16 contra R$ 5,6 milhões no 2T15 (+617,9%). No 1S16, o lucro acumulou R$ 74,1 milhões contra R$ 36,0 milhões no 1S15 (+105,8%). Já o lucro líquido ajustado nesses períodos foram de R$ 74,1 milhões e R$ 65,1 milhões (+13,9%). No 1S16 houve crescimento de 8,7% da receita bruta consolidada em relação ao 1S15, alcançando R$ 211,3 milhões. O crescimento repercutiu, principalmente, o aumento de 5,8% da receita bruta com produtos de bancassurance, com destaque para os produtos Prestamista e Vida, cujas receitas evoluíram 20,1% e 6,3% respectivamente.

PDG REALTY
No 1S16 a receita líquida atingiu R$ 260 milhões, queda de 77% em relação à receita de R$ 1.143 milhões obtida no 1S15. Destaca-se a continuidade da queda dos distratos no 2T16. No trimestre, os distratos somaram R$ 268 milhões, o que representa redução de 40% em relação ao 2T15. No 1S16 os distratos somaram R$ 574 milhões, redução de 37% em relação ao 1S15. Principalmente em função da perda financeira, de janeiro a junho de 2016 a PDG acumulou prejuízo de R$ 1.150 milhões (R$ 393 milhões no 1S15).

PRUMO
No 1S16, apesar da receita líquida consolidada ter crescido 49%, o forte acréscimo de 190% do custo, fundamentalmente em função da depreciação de ativos, manteve o resultado ainda negativo antes do IR/CSLL em R$ 14,4 milhões (1S16: negativo de R$ 100,2 milhões). Mas o crédito de IR diferido reverteu o prejuízo de R$ 56 milhões da primeira metade de 2015 em lucro, atribuído aos sócios da empresa controladora, de R$ 48 milhões na primeira metade de 2016. Deste valor, R$ 40,5 milhões foram apurados no 2T16.

Chamamos atenção para o descrito em nota explicativa das demonstrações financeiras do 1S16: “a conclusão das obras em andamento para implementação do plano de negócios dependerá do suporte financeiro dos acionistas e/ou recursos de terceiros até que a Companhia, suas controladas e controladas em conjunto gerem caixa suficiente para a manutenção de suas atividades”. Como a recuperabilidade dos saldos registrados no ativo não circulante depende do sucesso do plano de negócios mencionado, a Prumo alerta sobre a existência de incerteza significativa que pode levantar dúvida relevante quanto à sua continuidade operacional. As informações contábeis intermediárias não incluem qualquer ajuste em virtude destas incertezas.

ULTRAPAR
Apurou lucro líquido de R$ 364,1 milhões no 2T16, 10,8% maior do que o lucro obtido no 2T15. A receita líquida do 2T16 cresceu 4% em relação à receita do 2T15, atingindo R$ 19,2 bilhões, em função do crescimento de receita da Ipiranga, Ultragaz, Ultracargo e Extrafarma. O melhor desempenho na maioria de seus negócios levou a Ultrapar ao Ebitda de R$ 1 bilhão no 2T16, aumento de 19% em relação ao do 2T15. O desempenho operacional mais do que compensou a piora no resultado financeiro, que apresentou despesa financeira líquida de R$ 222 milhões no 2T16, aumento de R$ 95 milhões em relação ao 2T15.

UNIPAR
No 1S16, a Unipar atingiu uma receita operacional líquida de R$ 457,2 milhões, alta de 12% em relação ao 1S15 (R$ 407,6 milhões). Embora o volume de vendas tenha diminuído 3%, tal efeito foi compensado pelo aumento de preços, influenciado principalmente pela desvalorização média de 25% do Real frente ao Dólar. O lucro do semestre foi de R$ 46,6 milhões, 24% superior ao 1S15 (R$ 37,6 milhões), variação justificada principalmente pela redução de outras despesas operacionais em 69% e pelo bom desempenho operacional em comparação ao mesmo período de 2015, compensados pelo impacto negativo do resultado de equivalência patrimonial.

VALID
A receita líquida totalizou R$ 437,8 milhões no 2T16, 15,7% superior à apurada no 2T15. O EBITDA foi 4,8% inferior ao 2T15, registrando R$ 71,7 milhões no 2T16. A companhia teve prejuízo de R$ 1,4 milhão no segundo trimestre, ante lucro de R$ 30,4 milhões no 2T15, impactado principalmente por provisões de R$ 34,4 milhões relativas às unificações de plantas tanto no Brasil, quanto nos EUA.

Economia em Foco

Mercado na espera
O mercado acabou não dando muita atenção para a boa votação no Senado da chamada “pronúncia do impeachment”, uma espécie de prévia para a decisão final do próximo dia 25 de agosto. Nesta quarta-feira, a Bovespa recuou 1,3%, indo a 56.920 pontos, no pior desempenho em um mês. Comenta-se que foi motivada pelas perdas da Petrobras, diante do recuo do barril de petróleo, dado o excesso de estoques nos EUA. Nossa leitura, no entanto, indica que foi mais do que isto. O mercado já parece ter absorvido o impeachment da presidente, olhando agora, com mais atenção, para as votações no Congresso. Sendo assim, os agentes não absorveram bem a derrota do governo ao não conseguir aprovar um dos pontos do Projeto de Lei de renegociação das dívidas estaduais, que tratava do congelamento dos reajustes dos servidores estaduais por dois anos. O fato é que continuamos preocupados com a ambiguidade do governo Temer em tocar o ajuste fiscal no Congresso. Fala-se muito em austeridade, mas na prática o que se observa é o contrário, observa-se relaxamento fiscal. Em suma, corremos o sério risco de repetir os fracassos da presidente Dilma, no seu primeiro ano de segundo mandato, sob a liderança de Joaquim Levy.

Setor de Serviços recua 0,5% em junho
O segmento de serviços é altamente sensível ao nível de renda e de emprego das camadas de renda mais baixas da população. Como estas seguem sofrendo muito com a crise, a demanda por serviços acaba afetada. Em junho, pela Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, o volume deste segmento recuou 0,5% contra maio, depois de avançar 0,2% no mês anterior e recuar 1,3% em abril. Contra o mesmo mês do ano passado, o recuo chegou a 3,4% e no ano e em 12 meses, a -4,9%. Acreditamos que este segmento deve derrubar um pouco o PIB do segundo trimestre, na contramão da indústria e do comércio, já esboçando alguma recuperação. Se a economia começar a se recuperar ao fim deste ano, este segmento será um dos últimos a refletir isso.

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