As bolsas europeias e futuros do Dow Jones e S&P 500 operam com ligeiras altas nesta manhã e amparam a expectativa de uma abertura positiva na Bovespa. Lá fora a alta do petróleo dá força às ações das empresas de energia, colaborando para o dia positivo. Novos rumores sobre a possibilidade de acordo entre os maiores exportadores da commodity para congelar a produção trazem o viés positivo para os negócios dos contratos futuros de petróleo, tanto o Brent quanto o WTI, que subiam ao redor de 0,5%. Por aqui não há novidades no campo político, que aguarda o início do julgamento final do processo de impeachment de Dilma Rousseff, marcado para 25 de agosto. No campo corporativo os investidores estarão atentos aos últimos resultados do 2T16, neste último dia para divulgação. O Ibovespa futuro operava, às 9h36, com alta de 0,38%

Perspectiva – 12 a 19 de Agosto

Nas últimas semanas tivemos oportunidade de manifestar nosso otimismo com relação ao comportamento dos mercados de risco no segmento doméstico. Depois de alguns eventos ocorridos ainda seguimos otimistas, mas de forma comedida. Ficamos um pouco assustados com as negociações envolvendo a renegociação de dívidas dos Estados e a meia volta atrás dada pelo governo.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas precisando ultrapassar 58.500 pontos para romper a configuração de Bandeira de Alta e permitir a expectativa de superação do topo formado em 58.820 pontos.

O dólar-futuro voltou a cair depois de testar a resistência situada em R$ 3,215 e poderá atingir o suporte representado pelas Médias Móveis, em mais ou menos R$ 3,18 (comentários feitos às 09:10 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

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Temporada de Balanços 2T16

CEMIG
O fraco resultado do 2T16 (lucro líquido de R$ 202 milhões contra R$ 534,1 milhões no 2T15) se deveu, principalmente, à queda de 11,8% das receitas. Este recuo se deveu à redução da quantidade de energia vendida (-9,41%) e ao decréscimo verificado nos ativos e passivos setoriais. O resultado da atividade recuou 61,2%, tendo as despesas também tido diminuição, porém em proporção inferior à das receitas. O resultado financeiro líquido permaneceu negativo, mas 15,7% inferior ao do ano passado.

CESP
O péssimo resultado apresentado (lucro líquido de R$ 101,4 milhões contra R$ 265 milhões no 2T15) teve como causa básica a perda de capacidade de geração, decorrente da aplicação das regras da Lei 12.783. A empresa devolveu as usinas de Ilha Solteira e Jupiá, mas os custos pertinentes a estas ainda não tiveram uma redução proporcional à queda das receitas, devido ao fato de que estas usinas ainda ficaram sendo operadas pela Cesp no regime de cotas. A queda do resultado operacional foi compensada parcialmente pela elevação de 43,4% no resultado financeiro líquido positivo.

ENERGISA
A empresa fechou o trimestre com prejuízo de R$ 31,1 milhões, versus lucro de R$ 28,2 milhões no mesmo período de 2015. Fundamentalmente, a reversão se deveu ao substancial aumento da despesa financeira líquida (+120,8%), uma vez que, a nível operacional houve certa melhoria (ganho de 3,8 p.p.). As causas principais da piora no resultado financeiro foram a obtenção de menor receita de aplicações financeira (caixa médio menor) e redução da atualização financeira de ativos regulatórios, devido à própria menor geração destes no período.

FORJA TAURUS
Após contabilizar prejuízo operacional no segundo trimestre a exemplo dos primeiros três meses do ano, a Forta Taurus fechou o trimestre com lucro de R$ 14,6 milhões, consequência de um resultado financeiro positivo de R$ 27 milhões. A desvalorização do dólar frente ao Real limitou o crescimento da receita da Taurus, já que 75% das vendas se destina ao mercado norte-americano, mas promoveu redução de sua dívida espelhada na DRE por uma variação cambial de R$ 55 milhões no 2T16. A receita líquida consolidada foi de R$ 384 milhões.

KEPLER WEBER
A queda de 49% da receita líquida consolidada no segundo trimestre, seguida de 71% do resultado bruto, resultou em margem bruta de 6,1% (2T15: 10,9%) e reversão do lucro líquido de R$ 648 mil no 2T15 em prejuízo líquido de R$ 7.522 mil no 2T16. O desempenho foi reflexo do cenário político e da restrição ao crédito, oriunda da redução na disponibilidade do recurso e do aumento da taxa de juros da linha de financiamento do PCA, que provocou queda do volume vendido e consequente menor diluição do custo.

LUPATECH
Por mais um trimestre, a Lupatech reportou prejuízo. Desta vez de R$ 402 milhões acumulando no primeiro semestre prejuízo de R$ 425 milhões. Além da queda da receita líquida consolidada do trimestre da ordem de 32%, comparada à receita do 2T15, a empresa apontou como principal evento extraordinário a despesa de R$ 393,8 milhões com ajuste a valor presente dos fornecedores, empréstimos, multas, debêntures e dos Bonds.

PORTOBELLO
O ano vem sendo desafiador devido à retração do consumo. O mercado de materiais de construção de acabamento continua em queda, embora em taxas cada vez menores. Com isso, a Portobello teve lucro líquido de apenas R$ 4,0 milhões no 2T16 e acumulou prejuízo de R$ 2 milhões no 1S16 (vs R$ 25,0 milhões no 1S15). O desempenho é reflexo do resultado operacional menor e aumento do custo financeiro da dívida. A receita líquida totalizou R$ 257 milhões no 2T16, apenas 1% abaixo do 2T15. Com a acentuada redução das taxas de câmbio, o mercado externo se mostrou menos atrativo. Ainda assim as exportações foram uma opção importante para redução da pressão das vendas no mercado interno, e representaram 16% da receita líquida, com um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

SABESP
A empresa fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 797,5 milhões, contra R$ 337,3 milhões no 2T15. Este avanço se deveu à combinação de bom resultado operacional (+73,3% no resultado da atividade) com crescimento da receita financeira líquida (+140%). A empresa foi favorecida pelo arrefecimento da crise hídrica, que possibilitou crescimento nos volumes de água e esgoto, permitiu o fim dos incentivos à redução do consumo (descontos nas tarifas) e, no aspecto financeiro, pela valorização do Real sobre o dólar no trimestre, uma vez que a Sabesp é endividada em dólar.

SARAIVA LIVR
A varejista de livros teve seu prejuízo reduzido em 74,7%, para R$ 15,0 milhões, no 2T16. A redução foi impactada pela linha de desepesas operacionais, com recuo de 3,3% em relação ao 2T15. Sem o efeito do retorno da incidência do INSS sobre a folha de pagamento, o recuo das despesas teria sido de 7,5%. A redução das despesas financeiras de R$ 18 milhões para R$ 17 milhões também contribuiu. A receita líquida do Varejo somou R$ 371 milhões, redução de 4,9% em relação aos R$ 390 milhões reportados no 2T15, período que foi fortemente impactado pela extraordinária venda dos livros de colorir. A receita líquida do segmento lojas físicas teve um declínio de 9,3% no 2T16 ante o 2T15. As vendas líquidas do segmento de E-commerce, por sua vez, somaram R$ 121 milhões no 2T16, crescimento de 5,8% na comparação em relação ao mesmo trimestre de 2015.

TECNISA
Embora tenha mantido o foco na comercialização de estoques sem lançar nenhum empreendimento no segundo trimestre, a Tecnisa foi mais uma construtora a sentir o efeito negativo do elevado nível de distrato e da falta de apetite do consumidor e acabou contabilizando prejuízo de R$ 92 milhões no 2T16 (lucro de R$ 2 milhões e de R$ 31 milhões no 1T16 e no 2T15, respectivamente. A Tecnisa desenvolveu 4 novos projetos em São Paulo, que estarão aptos para lançamento no segundo semestre de 2016, a depender das condições do mercado.

VIVER
No 2T16 registrou prejuízo de R$ 74,0 milhões ante prejuízo de R$ 67,5 milhões no 2T15, reflexo principalmente da não realização de lançamentos, aliado a elevada alavancagem, provisões para demandas judiciais de clientes e a piora do cenário econômico. A receita operacional líquida totalizou R$ 23,3 milhões no 2T16, uma redução de 9,1% em relação ao mesmo período do ano de 2015. As despesas financeiras totalizaram R$ 36,7 milhões no 2T16, apresentando um crescimento significativo quando comparamos com o 1T16 e, principalmente, com o 2T15. Um ponto positivo foi a redução do volume de distratos para R$ 14,8 milhões, novamente abaixo do registrado no trimestre anterior.

Economia em Foco

Pesquisa Focus
As expectativas do mercado continuam relativamente progredindo, no entanto, depois de algumas semanas de queda, a previsão de inflação (IPCA) subiu para 7,31% neste ano e ficou mantida em 5,14% para 2017. A queda do PIB neste ano diminuiu de 3,23% para 3,20%, por conta da melhora da confiança dos agentes e do crescimento de junho no IBC-Br, e manteve o crescimento de 1,10% no próximo ano. O câmbio permaneceu em R$ 3,30 ao final deste ano e no próximo ano em R$ 3,50. Neste ano, a nossa previsão para o IPCA está em 7,2%, com PIB de -3,3% e o câmbio, por enquanto, em R$ 3,30.

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