O Ibovespa futuro indica um ajuste da bolsa brasileira às sessões positivas nos seus pares na terça-feira, quando a Bovespa esteve fechada devido ao feriado pela Proclamação da República. Entretanto, há um desconto pois nesta manhã as bolsas internacionais realizam lucros ligeiramente. Às 9h42 os contratos de Ibovespa futuro com vencimento em dezembro operavam em alta de 0,76%, enquanto os índices acionários europeus e futuros de Dow Jones e S&P 500 caiam ao redor de 0,2%. O petróleo opera em queda de 1%, após a forte alta de quase 6% de ontem, ao passo que o minério de ferro caiu 9% na China, no segundo pregão seguido de recuo. Por aqui ainda temos como destaque o aumento da oferta de swaps tradicionais de câmbio pelo Bacen, a sessão do Congresso para finalizar a votação da LDO de 2017 e o término da temporada de balanços do 3T16.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro experimentou uma recuperação depois de fortes baixas e poderá atingir as proximidades do topo anterior, formado em 62.375 pontos (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro desenvolve um congestionamento para corrigir o avanço anterior, mas sem indicar possibilidade de uma queda de maior intensidade enquanto permanecer acima do suporte representado pelo fundo imediato de R$ 3,39 (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Temporada de Balanços 3T16

BR MALLS
Apurou lucro de R$ 34,4 milhões no 3T16, revertendo o prejuízo de R$ 219,4 milhões do 3T15. A receita líquida seguiu impactada por uma maior concessão de descontos e foi de R$ 328,5 milhões, decréscimo de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, excluindo a participação dos shoppings vendidos nos últimos 12 meses. O prejuízo financeiro sofreu significativa redução, passando de despesa de R$ 413,7 milhões no 3T15 para despesa de R$ 123,5 milhões no 3T16. As vendas totais mantiveram-se estáveis e o indicador de vendas/m² cresceu 0,5% quando comparado ao 3T15. O indicador de aluguel mesmas lojas apresentou melhora desde o último trimestre encerrando o período em 2,6%. Adicionalmente, a inadimplência líquida se reduziu ao longo do ano, alcançando 3,7%.

JBS
No 3T16 a JBS teve forte queda no lucro e registrou R$ 887,1 milhões, ante R$ 3,4 bilhões no 3T15. A companhia contou com piora do resultado operacional, queda de 87% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 722,5 milhões e, com piora do resultado financeiro, que registrou despesa de R$ 1,378 bilhão, ante receita financeira de R$ 2,652 bilhões no 3T15. A receita líquida consolidada recuou 4,3%, na mesma base de comparação, para R$ 41,2 bilhões. Segundo a JBS, as operações internacionais geraram bons resultados, mas, as operações na América do Sul, especialmente no Brasil levaram a um trimestre desafiador. A valorização do real no período impactou a rentabilidade das exportações da companhia, bem como à expressiva alta dos grãos.

JHSF PART
Queda de 36% da receita líquida, de 88% no resultado operacional e despesa financeira líquida 41% acima da despesa do 3T15, resultaram em prejuízo de R$ 56 milhões no 3T16.

PARANA
Fechou o 3T16 com lucro líquido de R$ 20,3 milhões, sendo o grupo segurador responsável por 54% ou equivalente a R$ 10,9 milhões. O lucro líquido registrou queda de 44% contra o 3T15 (R$ 36,5 milhões), reflexo do aumento do PDD, seja diante da ampliação do risco do segmento de empresas, seja em consignado, este último devido às dificuldades fiscais dos Estados. O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,0% em setembro, contra 2,7% em junho e 1,7% em setembro de 2015. A carteira de crédito perfez R$ 3,9 bilhões, com recuo de 1,7% em dose meses. Já o indicador de Basileia continuou com larga folga, dado o processo de baixa alavancagem, ao atingir 28%.

PDG REALT
A PDG publicou seu terceiro prejuízo trimestral do ano. Depois dos R$ 410 milhões do 1T16 e dos R$ 740 milhões do 2T16, contabilizou R$ 1.740 milhões no 3T16. A administração da companhia afirma que ela enfrenta dificuldades crescentes em seus empreendimentos imobiliários devido à necessidade de normalização das linhas de financiamento à produção já contratadas e esclareceu que não há decisão quanto às providências a serem tomadas caso não seja possível regularizar tais financiamentos no curto prazo. A nosso ver a recuperação judicial é inevitável.

PINE
Fechou o 3T16 com prejuízo líquido de R$ 7 milhões, contra lucro líquido de R$ 10 milhões no 3T15. Já nos 9M16, o prejuízo líquido foi de R$ 5 milhões, contra lucro líquido de R$ 10 milhões nos 9M15. A carteira de crédito expandida, que considera avais e fianças, atingiu R$ 6,2 bilhões, contra R$ 7,7 bilhões em setembro de 2015, logo com queda de 19,5%. O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 1,5%, contra 1,2%, significando, avanço de 0,3 p.p. em doze meses findos em setembro de 2016. A deterioração do cenário econômico fez que o Banco adotasse a estratégia de priorizar a liquidez, o que motivou a desaceleração de empréstimos. Com o agravamento do risco da carteira de crédito, os provisionamentos também aumentaram, impactando no resultado, conforme assinalado.

SARAIVA LIVREIROS
O ambiente econômico recessivo continuou afetando de forma significativa as vendas do comércio varejista, ocasionando ainda prejuízo, de R$ 13,089 milhões, no 3T16, porém menor do que os R$ 38,404 milhões registrados no 3T15. Houve melhora na linha financeira, com redução da despesa de R$ 21,948 milhões no 3T15 para R$ 13,098 milhões no 3T16. Já a receita líquida (Lojas + e-commerce) registrou R$ 324,7 milhões, queda de 2,9% em relação ao mesmo período de 2015, refletindo a queda de 6,3% na receita das lojas físicas.

SOFISA
Fechou o 3T16 com lucro de R$ 11 milhões, contra R$ 30 milhões no 3T15 (-63%). Na contramão dos pares, a carteira de crédito avançou 12% em dose meses findos em setembro de 2016, ao atingir R$ 2,1 bilhões. Frisa-se que o risco da carteira continuou elevado, fato que repercutiu na despesa com PDD, que atingiu R$ 14 milhões no 3T16, com avanço de 81%, contra o 3T15. De qualquer forma, o grau de alavancagem (operações de crédito/patrimônio líquido) é baixo, em 2,9. Visto de outro ângulo, o índice de Basileia foi de 22%.

Economia em Foco

IGP-10: variou 0,06% em novembro, ante 0,12% em outubro e 1,64% em Nov/2015. O acumulado em 2016 é de 6,74%, enquanto o acumulado em 12 meses apresentou alta de 7,61%. O IPA recuou 0,06%, ante 0,12% em outubro, com os Bens Finais recuando 0,57% em novembro, ante 0,04%, destacando o grupo alimentos processados, que passou de 2,09% para 0,03% em novembro. O grupo Bens Intermediários variou -0,26%, ante -0,02%, enquanto o grupo Matérias-Primas Brutas teve avanço de 0,76%, ante 0,36%. O IPC teve variação de 0,35%, ante 0,08% em outubro. Sete das oito classes tiveram variação positiva no mês, com destaque para o grupo Transportes (de 0,09% para 0,89%), destacando o item gasolina (-0,36% para 1,64%). O INCC variou 0,16% em novembro, ante 0,22% em outubro. O IGP-10 acabou desacelerando em novembro, decorrente da menor pressão dos preços no atacado, embora no varejo a pressão tenha sido maior, devido ao aumento do grupo Transporte, pelo reajuste da gasolina. Atenção, no entanto, nas próximas apurações, em função da depreciação cambial recente, com o dólar testando R$ 3,45, não sendo surpresa se passar de R$ 3,50 nos próximos dias, devido ao “efeito Trump” e as turbulências políticas domésticas.

IPC-S: na medição de 15 de novembro houve variação de 0,35%, ante 0,39% na última divulgação. Quatro das oito classes apresentaram variação negativa, com destaque para Habitação (0,41% para 0,32%), com a taxa de água e esgoto residencial passando de 1,30% para 0,83%. Outros decréscimos: Transportes (0,85% para 0,71%), Comunicação (0,85% para 0,56%) e Alimentação (0,06% para 0,03%). Na contramão estão: Saúde e Cuidados Pessoais (0,49% para 0,58%), Educação, Leitura e Recreação (0,27% para 0,33%), Vestuário (0,26% para 0,40%) e Despesas Diversas (0,05% para 0,17%).

Pesquisa Mensal de Serviços (PMS): o volume do setor de serviços recuou 0,3% em setembro na comparação com agosto, mas vem recuando 4,9% em relação a setembro/2015. No acumulado em 12 meses e em 2016, a variação continua negativa, em 4,7% e 5,0%, respectivamente. Apresentaram variações negativas: Serviços prestados às famílias (-0,9%), Serviços de informação e comunicação (-0,6%) e Outros Serviços (-2,5%). Os Serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,7% e os Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio avançaram 0,3%. O setor de Serviços, antes com certa resiliência à crise, vem sentindo os impactos desta, com aumento de desemprego e piora de desempenho na atividade. Em setembro a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) recuou 0,3%, também impactando os preços do setor, em desaceleração maior por estas semanas. Decorrente disto, o IBC-Br, a ser divulgado nesta semana, deve vir no negativo, derrubando ainda mais o PIB do terceiro trimestre.

Agenda

Corporativa

Econômica

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