Com grandes empresas divulgando seus resultados do 2T16 entre a noite de ontem e esta manhã, a Bovespa deve seguir sem muita tração para novas arrancadas. Isto porque os investidores ainda aguardam a volta dos trabalhos no Congresso, além de estarem mais atentos ao campo fiscal, onde o Governo ainda tem tido dificuldades para efetivação do ajuste necessário. O exterior também não traz impulso para a Bovespa, uma vez que o comunicado da reunião de política monetária do Fed não foi conclusivo quanto ao momento em que a instituição poderá elevar os juros, apesar de mostrar um cenário econômico mais benigno. Assim o Ibovespa futuro operava, às 9h38, com baixa de 0,30%. As bolsas europeias operam em baixa, assim como os futuros do Dow Jones e S&P 500, que caem ligeiramente.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em baixa, mas somente a perda dos suportes de 56.815 e 56.705 pontos indicará chance de uma queda de maior intensidade. Se estes apoios não forem perdidos, o índice voltará a oscilar no interior do congestionamento lateral.

O dólar-futuro experimenta pequena recuperação, mas precisa ultrapassar a resistência imediata de R$ 3,279 para atingir a principal representada pelo topo formado em R$ 3,304 (comentários feitos às 09:08 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

Temporada de Balanços 2T16

Bradesco
Fechou o 2T16 com lucro líquido de R$ 4.134 milhões, contra R$ 4.121 milhões no 1T16 (0,3%) e R$ 4.473 milhões no 2T15 (-7,6%). O risco corporativo continuou ditando o rumo do desempenho dos bancos de porte e o Bradesco não foi exceção. Nesse sentido, no 2T16 houve o impacto da ampliação das despesas com PDD decorrente do agravamento de rating de um caso específico de cliente corporativo, cujo efeito no 2T16 foi de R$ 365 milhões. Por outro lado, reprecificou a taxa de juros dos empréstimos ao girar a carteira, ampliando os spreads. O ROE anualizado do 2T16 foi de 17,4%, contra 17,5% no 1T16 (-0,1 p.p.) e 20,8% no 2T15 (-3,4 p.p.). A carteira de crédito ampliada perfez R$ 447,492 milhões, com queda de 3,4%, seja no intervalo do 2T16, seja em doze meses, em boa medida por conta da acomodação do dólar. Por fim, o índice de inadimplência continuou pressionando, ao atingir 4,6% no 2T16, contra 4,2% no 1T16 (+0,4 p,p,) e 3,7% no 2T16 (+0,5 p.p.).

CVC
Registrou lucro líquido de R$ 12,2 milhões no 2T16, 18,2% a mais quando comparado ao 2T15. A receita líquida, excluindo RexturAdvance (RA) e Submarino Viagens (SV), foi de R$ 158,6 milhões no 2T16, representando um crescimento de 6,2% em comparação com o mesmo período no ano anterior. Já a receita líquida do grupo CVC totalizou R$ 215,2 milhões no 2T16 representando um crescimento de 4,8% ante o 2T15. As reservas totalizaram R$ 2,1 milhões no 2T06 e R$ 4,2 milhões no 1S16, representando queda de 0,9% ante 2T15 e 2,4% ante 1S15. A contração do segmento corporativo e a migração da plataforma on-line impactaram negativamente as reservas confirmadas da RA e da SV, respectivamente.

Natura
No 2T16, a Natura registrou lucro líquido de R$ 91 milhões, 22% menor ante o 2T15. Em que pese o aumento de 5% no faturamento, houve incremento de custos e despesas decorrentes do start up de suas operações no varejo. O resultado financeiro também apresentou piora registrando despesa financeira líquida 38?% superior.

Odontoprev
Registrou lucro líquido de R$ 44 milhões no 2T16, representando uma queda de 11,4% ante o 2T15. A receita líquida cresceu 12,3%, atingindo R$339 milhões, melhor desempenho desde 2013, com destaque para os planos individuais, cuja receita aumentou em 53,4%, atingindo R$ 59 milhões. O custo de serviços foi 18,7% acima que o 2T15, refletindo maior utilização do benefício odontológico, resultando em sinistralidade de 48,8%, superior aos 46,1% observados no 2T15. O resultado financeiro foi positivo em R$ 5,5 milhões no 2T16, aumento de 33,7% ante o mesmo período do ano anterior.

Pão de Açúcar
No 2T16, o Pão de Açúcar registrou resultado bastante fraco reportando prejuízo líquido de R$ 275 milhões ante lucro líquido de R$ 66 milhões no 2T15. Os fatores que determinaram este resultado ruim foram: o aumento das despesas com vendas e administrativas e o incremento nas despesas financeiras. Outro fator que impactou negativamente o resultado do Pão de Açúcar foi o registro de outras despesas operacionais no valor de R$ 481 milhões. A maior parte desse montante está relacionada a: 1) complemento de provisão de contingências fiscais como PIS e COFINS, imposto de renda e ICMS, após trabalho de revisão dos consultores jurídicos, no montante de R$ 184 milhões; 2) gastos com a investigação da Cnova (R$ 127 milhões); 3) despesas com integração e reestruturação (R$ 75 milhões); e 4) resultado com ativo imobilizado (R$ 57 milhões).

Usiminas
A receita líquida do 2T16 foi de R$ 2 bilhões, estável em relação ao 1T16 e 24,2% menor em relação ao 2T15. Houve aumento da participação do mercado interno para 89% da receita líquida total. Ainda reportou prejuízo no 2T16, de R$ 123,3 milhões, mas inferior aos R$ 151,4 milhões apresentado no 1T16 e aos R$ 780,7 milhões do 2T16. O Capex totalizou R$ 50,4 milhões, 28,2% inferior quando comparado ao do 1T16, que foi de R$70,1 milhões, reduzido ao nível operacional mínimo de acordo com a fraca demanda.

Vale
Principalmente em virtude da provisão de R$ 3,733 bilhões por perdas com a Samarco, o lucro do 2T16 da Vale recuou 30%, para R$ 3,585 bilhões, em relação aos R$ 5,143 bilhões do 2T15. No semestre, o lucro da mineradora totalizou R$ 9,896 bilhões, representando importante reversão para o prejuízo de R$ 4,395 bilhões da primeira metade de 2015. Receitas crescendo 15% e custo de produção emplacando alta de apenas 7%, fez a margem bruta do 1S16 avançar 5 p.p., para 27%, em relação ao 1S15. Como esperado, o câmbio que prejudicou o resultado financeiro no ano passado, no acumulado deste ano, até junho, ajudou tanto a receita quanto a despesa financeira . Em função do câmbio, o resultado financeiro negativo, de R$ 12,0 bilhões no 1S15, foi revertido para positivo de R$ 11,8 bilhões no 1S16.

Economia em Foco

IGP-M: variou 0,18% em julho, ante 1,69% em junho, 0,69% em julho/2015. No acumulado de 2016, a variação foi de 6,09% e 11,63% em 12 meses. O IPA variou -0,01%, ante 2,21% com desacelerações nos índices de Bens Finais (1,41%, ante 1,65%), destacando o grupo alimentos in natura (9,96% para 3,81%); Bens Intermediários (0,28%, ante 1,48%) e; Matérias-Primas Brutas (-1,96%, ante 3,66%). O IPC foi de 0,29% em julho, ante 0,33%, com 3 das 8 classes desacelerando, destacando-se o grupo Habitação (0,13% ante 0,69%), com o item tarifa de eletricidade residencial passando de 0,89% para -1,04%. O INCC teve variação de 1,09% em julho, ante 1,52%. Os IGPs recuaram forte em julho, refletindo a desaceleração no atacado dos preços de bens finais, neste caso, os alimentos in natura, foco de pressões recentes, dos bens intermediários e das matérias-primas brutas. Tendência para agosto é dos IGPs ainda baixos.

EUA – Pedidos de seguro-desemprego: foram 266 mil na semana encerrada em 23 de julho, ante 252 mil na semana anterior (revisado de 253 mil) e expectativa de 260 mil. O total de atendidas pelo auxílio foi de 2,139 milhões na semana encerrada em 16 de julho, ante 2,132 milhões na semana anterior (revisado de 2,128 milhões).

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