Após a forte queda da sexta-feira, a Bovespa tenta se descolar das bolsas estrangeiras nesta primeira sessão da semana. Os principais índices acionários da Europa e os contratos futuros do Dow Jones e S&P 500 ainda registram quedas devido às preocupações com uma possível elevação de juros nos EUA, impactando também sobre o petróleo, que caia ao redor de 2% nesta manhã. O Ibovespa futuro, porém, reverteu há pouco a queda inicial e, às 9h38, tinha valorização de 0,21%. Por aqui o campo político tem evento importante, com a votação para cassação do mandato de Eduardo Cunha.

Perspectiva – 12 a 16 de Setembro

Chegamos aos 60.000 pontos do Ibovespa e conseguimos manter o patamar por dois dias. Nada que já não estivéssemos projetando para nossos clientes. Com isso, a valorização do ano já passava dos 38% fechando na 6ª feira com 35%. Ações como Petrobras e Vale sobem bem mais, algo como respectivamente 103% e 42%, sem contar outras de menor ponderação como às do setor siderúrgico, com valorizações maiores que 100%. Contudo, na última sessão do período, acompanhando um forte ajuste no mercado global, assistimos maior realização em nosso mercado.

A pergunta feita incessantemente é se o mercado teria ainda espaço para mais valorização. Nossa resposta tem sido que sim, mas o risco está significativamente ampliado, o que exige maior critério na escolha de setores e empresas, não necessariamente relacionadas com a valorização do ano.

Evidente que o mercado já precificou em boa medida o processo de impeachment finalizado e agora está relacionado com as medidas que serão tomadas, a profundidade delas e a velocidade de aprovação e implementação. A continuidade do movimento de recuperação da Bovespa está intimamente ligada a isso, assim como as escolhas de setores que podem se recuperar mais rapidamente em função de estímulos e políticas conferidas. Nesse aspecto sugerimos consultar nossos técnicos e carteiras recomendadas para reduzir risco de exposição.

Claro que em alguns momentos podemos andar descolados do cenário internacional, mas em prazos mais longos isso não é possível. Assim, temos que seguir avaliando os movimentos da economia global, especialmente efeitos relacionados ao Brexit ou elevação dos juros nos EUA, além de políticas mais flexíveis de países como Japão, Zona do Euro ou mesmo China.

Apesar disso, o Brasil parece querer voltar ao radar dos investidores estrangeiros, seja pelas enormes taxas de juros (nominal e real), pela depreciação de alguns ativos, ou ainda as oportunidades de compras e operações financeiras no mercado acionário.

Isso posto, somos de opinião que há espaço para a Bovespa buscar novos objetivos até a faixa de 63.000 pontos e, daí, buscar novos horizontes. Achamos que seja válido ampliar exposição em ativos de risco com boas expectativas fundamentalistas. Não sem alertar que ainda vamos ter muita volatilidade, notadamente provenientes do nosso segmento político e das políticas monetárias na Zona do Euro, Japão e, principalmente, dos EUA.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em baixa, mas trabalhando com níveis excessivamente deprimidos no Indicador de Força Relativa e bastante afastado das Médias Móveis para permitir a continuação da queda sem prévio congestionamento ou tentativa de recuperação. Como a imediata reação “fechou o gap” de abertura, existe possibilidade do encerramento se processar na direção contrária à inicial.

O dólar-futuro penetrou na resistência representada pelo topo formado em R$ 3,316, mas evidenciando falta de sustentação para romper esta barreira sem prévia correção ou congestionamento mais amplo (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Economia em Foco

IGP-M: variou 0,38% no primeiro decêndio de setembro, ante estabilidade no mesmo período do mês anterior. O IPA variou 0,51%, ante -0,13% com desaceleração no índice de Bens Finais (-0,19%, ante 0,30%), destacando o grupo alimentos in natura (de -0,49% para -5,04%). Os índices de Bens Intermediários (-0,21%, ante -0,30%) e Matérias-Primas Brutas (2,12%, ante -0,46%) apresentaram aceleração. O IPC foi de 0,08%, ante 0,33%, com 7 das 8 classes desacelerando, destacando-se o grupo Transportes (-0,10% ante 0,47%), com o item gasolina passando de 0,96% para -0,74%. O INCC teve variação de 0,23%, ante 0,10%. Chamou atenção neste movimento de alta do IGP-M o repique das Matérias-Primas Brutas no atacado. Aguardemos possíveis impactos na alta de alguns grãos e das carnes nas próximas apurações.

Pesquisa Focus: As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,20% para -3,18%. Em 2017, a expectativa do PIB permaneceu em 1,30%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 avançaram de 7,34% para 7,36% e ficaram em 5,12% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,75% ao fim de 2016 e em 11,00% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 recuou de R$ 3,26 para R$ 3,25 e permaneceu em R$ 3,45 em 2017. Recuou um pouco o tombo do PIB e da taxa de câmbio neste ano. Os problemas políticos do governo Temer no avanço da agenda fiscal, no entanto, seguem preocupantes.

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