O Ibovespa futuro reflete a cautela dos investidores nesta terça-feira, com o cenário político atraindo a atenção devido à análise no Senado do relatório da Comissão Especial do Impeachment e posterior votação para decidir se a presidente afastada Dilma Rousseff vai a julgamento por crime de responsabilidade. Além disso, a Câmara dos Deputados deverá votar o Projeto de Lei que renegocia a dívida dos Estados com a União. Assim, o Ibovespa futuro operava com ligeira alta de 0,04%, às 9h37, mesmo sentido dos futuros do Dow Jones e S&P 500 nos EUA. Lá fora os investidores avaliam os dados de inflação da China, com as bolsas europeias subindo ao redor de 0,5%, amparadas por indicadores econômicos positivos divulgados na Alemanha e Inglaterra.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro testou o lado superior da área de congestão intraday em forma de triângulo, mas aparentemente terá que ultrapassar 58.100 pontos para permitir a expectativa de definitivo rompimento da figura e nova arrancada na direção do topo imediato de 58.340 pontos. A base do triângulo passa neste momento em 57.600 pontos e se for perdida indicará possibilidade de uma correção intermediária.

O dólar-futuro está penetrando no suporte representado pelo fundo formado em R$ 3,185 e se perdê-lo aumentará as chances de continuação da trajetória baixista na direção do objetivo situado em R$ 3,12 (comentários feitos às 09:10 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

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Temporada de Balanços 2T16

ALIANSCE
A Aliansce registrou lucro de R$ 2 milhões no 2T16, 58% menor do que o obtido no 2T15. O desempenho comercial foi fraco tendo o faturamento recuado 2%, explicado pelo fraco desempenho das vendas dos lojistas nos shoppings da Companhia que determinou arrefecimento na receita com aluguéis e também pelo menor número de shoppings em operação. O resultado financeiro também apresentou piora com a despesa financeira líquida aumentando 4%. Tais fatores aliados à queda de 47% da receita com a venda de imóveis foram determinantes para que a Aliansce registrasse no 2T16 resultado ainda mais fraco do que no 2T15.

DIRECIONAL
Durante o trimestre a Direcional adotou estratégias tais como a redução no volume de lançamentos, o foco na venda de estoque e a postura proativa em relação aos distratos, antecipando os processos de revenda e repasse. No 2T16, foram lançados apenas 4 projetos voltados ao segmento de Incorporação MCMV 2 e MCMV 3, totalizando 1.395 unidades e VGV de R$ 200 milhões, representando um recorde trimestral de lançamentos voltados a esse público na história da companhia. O lucro, de R$ 22,1 milhões, representa redução de 20,1% ante o 2T15. A receita operacional líquida totalizou R$ 383 milhões, alta de 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o resultado financeiro foi negativo em R$ 3,5 milhões, 1,6% menor em relação ao segundo trimestre de 2015.

ITAUSA
O lucro do primeiro semestre, atribuído aos sócios da Itaúsa, atingiu R$ 4,199 bilhões, expansão de 10,6% em relação à primeira metade de 2015. A rentabilidade recorrente anualizada sobre o patrimônio líquido médio atingiu 18,5%.

JSL
Apurou prejuízo de R$ 16,8 milhões no 2T16, revertendo o lucro de R$ 10,4 milhões obtido no 2T15. A receita líquida registrou R$ 1 bilhão, aumento de 3,9%, puxada pela alta da receita líquida de serviços. O Ebtida totalizou R$ 295,5 milhões (+13,5%) com margem de 21,9%, composto principalmente por R$ 227,6 milhões da JSL Logística (+8,7%), devido ao aumento de novos contratos em diferentes setores que mais que compensaram a queda do volume dos contratos afetados pela retração da economia, e por R$ 61,4 milhões da Movida (+20,6%). O resultado financeiro foi negativo em R$ 185,9 milhões ante os R$ 119,8 milhões do 2T15, reflexo do aumento de R$ 118,5 milhões na despesa financeira, que se justificou pelo crescimento da taxa Selic e pelo maior saldo médio da dívida líquida.

LINX
A companhia vem se mantendo consistente nos resultados apresentados. Ao final do 2T16, a Linx atingiu um total de 40.202 clientes, uma adição de 425 clientes. Reportou lucro de R$ 17,4 milhões, o que representa alta de 12% em relação ao 2T15. Mesmo com um aumento de 34,4% nos impostos sobre vendas e de 129,9% nos cancelamentos e abatimentos, a Linx registrou receita operacional líquida de R$ 122,4 milhões (+12,5%), sustentada por um aumento de 16,5% na receita bruta. Já o Ebtida atingiu R$ 32 mihões, 7,9% maior em comparação ao 2T15, mesmo com o aumento do INSS sobre a receita bruta e com as aquisições da Neemu e Chaordic. O resultado financeiro por sua vez encerrou em R$ 2,6 milhões, queda de 37% em relação ao 2T15, fruto da redução do caixa líquido no período e do aumento das despesas financeiras.

MARCOPOLO
Fechou o 2T16 com lucro de R$ 43,3 milhões e crescimento de 16,7% contra o 2T15. As vendas ao mercado externo e o resultado financeiro líquido fizeram a diferença em prol da empresa. A receita operacional líquida atingiu R$ 619,7 milhões, com queda de 2,6%. A receita no Brasil foi de R$ 194,2 milhões (-36,6%), as exportações R$ 248,1 milhões (+78,4%) e a receita no exterior R$ 177,4 milhões (-7,4%). O resultado financeiro líquido do 2T16, por sua vez, foi positivo em R$ 32,5 milhões, ante os R$ 2,5 milhões (também positivos) registrados no 2T15. Esse resultado é, em grande parte, oriundo da receita de variação cambial do Real frente ao dólar, que somou R$ 23 milhões, afora os rendimentos das aplicações financeiras. O ROE anualizado continuou rodando baixo, em 4,1%.

PINE
Fechou o 2T16 com prejuízo de R$ 6,9 milhões contra lucro de R$ 8,3 milhões no 1T16 e R$ 10,1 milhões no 2T15. A combinação de uma menor base de receitas de crédito, maior despesa com provisões e menor beneficio fiscal advindo da distribuição de juros sobre o capital próprio, gerou o resultado negativo. A carteira de crédito expandida (inclui fianças e títulos privados) foi de R$ 6,3 bilhões, queda de 5% no intervalo do 2T16 e de 27% em doze meses findos em junho de 2016. O índice de inadimplência acima de 90 voltou a recrudescer, ao atingir 1,3% no 2T16 ante 0,7% no 1T16 e 1,8% no 2T15. Com a redução dos ativos de risco, por conta do cenário adverso onde o risco corporativo foi ampliado, o Pine registrou maior folga de caixa líquido, de R$ 1,5 bilhão, cobrindo 52% dos depósitos a prazo. Isso remete a uma folga no capital, com o índice de Basileia em 15,9%, sendo 15,4% capital de alta qualidade. Por fim, o índice de cobertura (PDD/carteira de crédito) ficou mais robusto, atingindo 6%, dado o incremento de provisões nos últimos períodos.

SMILES
Apresentou crescimento significativo na comparação com o 2T15, em termos de faturamento de milhas ex-Gol (+8,7%), receita líquida (+27%), lucro operacional (+37,7%) e lucro líquido (+38,2%), que totalizou R$ 123,6 milhões no 2T16. A margem líquida também evoluiu, passando de 32,5% para de 35,3%. O crescimento do resultado financeiro (+45,8% em relação ao 2T15) também colaborou para a formação do resultado líquido da companhia.

TAESA
O fraco resultado apresentado no 2T16 (lucro de R$ 207,2 milhões contra R$ 240,5 milhões no 2T15) se deveu essencialmente à queda de 17,6% verificada na receita líquida. As despesas operacionais tiveram evolução em linha com a inflação, mas o recuo de receitas mencionado provocou perda de margens operacionais (-4,5 p.p.) e queda de 21,8% no resultado da atividade. A queda de 13,6% no resultado financeiro líquido negativo compensou parcialmente a fraca performance operacional.

Balanço 1T 2016/2017

SÃO MARTINHO
O Grupo São Martinho processou 8,2 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2016/2017 – 39,8% do guidance previsto de produção da safra – resultando em um crescimento de 10,5% em relação à safra anterior. Esse aumento é resultado de um início de safra mais seco, possibilitando à Companhia acelerar a moagem. O 1T17 foi marcado pelo início da recuperação dos preços de açúcar no mercado internacional, devido à redução de produção em alguns países produtores do hemisfério Norte, principalmente Índia e China, por conta de questões climáticas e preços pouco remuneradores nos últimos anos. Excluído o efeito do hedge accounting de dívida em moeda estrangeira e PPA USCA, a receita líquida do trimestre atingiu R$ 709 milhões (+48,8%). O lucro alcançou R$ 39,7 milhões no trimestre, um aumento de 26,1% em relação ao 1T16, relacionado ao crescimento do Ebitda.

Economia em Foco

CPI e PPI chineses
Continuamos monitorando os dados da economia chinesa. Nesta segunda-feira saíram o CPI (inflação ao consumidor) e o PPI (ao produtor) de julho. O primeiro registrou 1,8%, pela taxa anualizada, dentro do esperado, e o segundo, deflação de 1,7%, fora do esperado (-2,0%) e melhor do que em junho (-2,6%). Isto pode indicar uma economia ainda em desaceleração e em agosto o CPI menor ou mesmo em deflação.

Vendas no varejo crescem em junho
Segundo o IBGE, o volume de vendas no varejo cresceu 0,1% em junho, na comparação com o mês anterior, no conceito restrito. Contra junho/2015, o comércio varejista registrou queda de 5,3%, menos severa que em maio (-9,0%). No ano, o comércio está em retração de 7,0% e -6,7% no acumulado em doze meses. Das oito atividades pesquisadas que compõem o varejo três apresentaram variação positiva na passagem de maio para junho, com destaque para tecidos, vestuário e calçados (0,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,8%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,6%). As vendas no conceito ampliado registraram queda de 0,2% em junho, motivada pela retração em veículos e motos, partes e peças (-1,3%), mas houve alta de 1,3% em material de construção.Nossa opinião. O atual nível de endividamento das famílias, em um período de juros altos, não tem colaborado para uma trajetória clara de recuperação do setor, que seguirá vacilante. Ao final do ano, projetamos queda nas vendas em torno de 5,0% em 2016.

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