A cautela vem prevalecendo nos mercados acionários nos últimos dias, após as recentes altas e melhora nas perspectivas dos cenários econômicos interno e externo. Neste movimento altista, os índices americanos chegaram a patamares recordes e o Ibovespa subiu por 10 sessões consecutivas. Mas agora os investidores parecem aguardar fatos que amparem novas compras, como as reuniões de política monetária nos EUA e Japão. Por aqui ainda há o aguardo com as questões fiscais do Governo, além da temporada de balanços do 2T16 que começa a ganhar espaço. Assim o Ibovespa futuro, às 9h40, registrava ligeira baixa de 0,18%. As bolsas europeias registram pequenas valorizações, enquanto os futuros do Dow Jones e S&P 500 operam próximos da estabilidade.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro tenta novamente atingir e superar a resistência imediata de 57.685 pontos, o que é necessário para permitir nova arrancada na direção dos objetivos situados em 58.000 e 58.400 pontos. O suporte mais próximo está situado em 57.080 pontos e se for perdido indicará possibilidade de uma queda na direção da base (56.705 pontos) do congestionamento lateral.

O dólar-futuro testa o suporte imediato de R$ 3,289 e se perdê-lo indicará chance de nova queda no interior do congestionamento lateral, até pelo menos R$ 3,27. (comentários feitos às 09:12 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

Temporada de Balanços 2T16

ENERGIAS BR
Descontado o ganho contábil do 2T15, de R$ 884,7 milhões, decorrente da aquisição dos 50% de Pecém I, o lucro apurado no 2T16, de R$ 97,846 milhões, representou uma reversão do prejuízo de R$ 140,738 milhões apurado naquele trimestre. A receita operacional líquida, excluindo a receita de construção reduziu 20,4% e 12,0%, no 2T16 e 1S16, respectivamente, em função da queda do volume e do preço. Por outro lado, destacaram-se no 2T16: o aumento de 26% da margem bruta, decorrente do incremento de 77% na geração, reflexo do menor impacto de GSF e PLD no período e da consolidação da UTE Pecém I; o aumento de 11% do Ebitda; aumento de 80% do capex, para R$ 143,017 milhões e; redução da dívida líquida em 30%, para R$ 3,4 bilhões.

KLABIN
Registrou lucro líquido de R$ 1,268 bilhão no 2T16, ante lucro de R$ 296 milhões no 2T15 (+329%). A Receita líquida de vendas totalizou de R$ 1,699 bilhão no trimestre, crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2015, devido principalmente ao início das vendas de celulose. Com o importante incremento das vendas de celulose, o volume de vendas da Klabin no 2T16 atingiu 631 mil toneladas, 45% maior em relação ao mesmo período do ano anterior.

LOJAS RENNER
A Lojas Renner reportou bom resultado ao registrar lucro líquido de R$ 175 milhões no 2T16, 11% maior comparativamente com o 2T15. O resultado foi impactado positivamente pelo bom desempenho das vendas da coleção inverno e pela diluição dos custos. Desta forma, a empresa registrou no 2T16 geração de caixa expressa pelo EBITDA de R$ 423 milhões, 12% maior na comparação com o 2T15.

TIM PART S/A
Primeira empresa de telefonia a publicar o balanço do segundo trimestre, a Tim reportou lucro 84% inferior ao do segundo trimestre de 2015. Os lucros comparados excluem os ganhos com a venda de torres: no 2T16, de R$ 47,4 milhões e no 2T15, de R$ 307,8 milhões. A receita líquida do trimestre caiu 12,4%, a base de clientes fechou o mês de junho com perda de 14,3% e o lucro operacional, também excluído o efeito com a venda de torres, caiu 44,4%, comparados com os dados do 2T15. No 2T16, o resultado financeiro líquido piorou em relação ao 2T15 (-R$ 165 milhões no 2T16 x -R$ 35 milhões no 2T15), principalmente devido a maiores despesas financeiras afetadas pelo leaseback após a venda das torres, e uma redução na receita financeira em virtude do desempenho ruim dos investimentos em dólares. Foram investidos no trimestre R$ 975 milhões, uma queda de 17,7% do valor investido no 2T15. De 2015 até 9 de junho deste ano a Tim vendeu 5.753 torres de telecomunicação por um preço de venda de R$ 2,6 bilhões.

Economia em Foco

Neste esforço de aumentar a transparência do BACEN, a ata desta terça-feira pouco diferiu do comunicado da semana passada. Vejamos principais pontos:

Ociosidade elevada. Mesmo reconhecendo a estabilização da atividade no curto prazo e alguma recuperação em alguns indicadores, como o de confiança, a ata deu destaque à elevada ociosidade ainda existente na indústria e o elevado desemprego.

Brexit e outros. No cenário externo, a saída do Reino da UE trouxe alguma volatilidade no curto prazo, logo superada pela ação dos bancos centrais, liberando liquidez. Mesmo assim, a ata acha a recuperação da economia global ainda frágil, achando que o Brexit traz incertezas no longo prazo. Nos EUA, o Fed deve manter o gradualismo na sua estratégia de “normalização da política monetária”.

Inflação. Mostrou alguma resistência no curto prazo pela pressão dos alimentos. Sobre as projeções da ata, em relação à inflação, se mantiveram estáveis “no horizonte relevante para a política monetária”. Nos preços monitorados, a projeção é de 6,6% neste ano e 5,3% em 2017. O cenário de referência indica manutenção da taxa Selic em 14,25%, câmbio a R$ 3,25 e inflação a 4,5% em 2017. Para o cenário de mercado, a projeção de IPCA é de 5,3% para o ano que vem. Para este ano de 2016, 6,75%. Observa-se portanto, um desencontro entre a projeção do Copom e do mercado para o ano que vem, este último projetando 5,3% contra 4,5%.

Mais inflação. Considerou a persistência dos alimentos como risco de curto prazo e o receio deste gerar mecanismos de inercia mais a frente.

Sobre os ajustes. Disse que o processo de ajuste fiscal será importante para ajudar na desinflação, desde que adotado no seu “tempo certo”, permitindo ganhos de confiança.

Decisão do Copom. Diante deste cenário, decidiu-se por manter o juro no patamar atual, não havendo espaço para flexibilização da política monetária. Ou seja,cresce a possibilidade da taxa se manter em 14,25% até dezembro.
Confiança da Construção avança 2,7 pontos em julho
Segundo dados da FGV, o Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou 2,7 pontos em julho, chegando a 70,7 pontos. O Índice das Expectativas (IE-CST) subiu 4,4 pontos, avançando para 79,3 pontos, com a situação dos negócios para os próximos seis meses variando 4,6 pontos em relação a junho, subindo para 81,6 pontos. O Índice da Situação Atual (ISA-CST) avançou 1,0 ponto, atingindo 62,7 pontos, com alta de 1,3 ponto na situação atual da carteira de contratos, subindo para 64,1 pontos. Depois de recuar em junho, o índice de confiança da construção deu uma reagida agora em julho, refletindo esta virada de ânimo que vem sendo observada nos mercados e entre os agentes. A justificar a possibilidade cada vez maior de afastamento definitivo da presidente e o retorno de um mínimo de racionalidade nas decisões de política econômica. Devemos ressaltar também a CEF voltando a oferecer crédito ao mercado e tímidos sinais de recuperação do setor.

IPC-Fipe desacelera na 3ª quadrissemana de julho
A Fipe divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da 3ª quadrissemana de julho no município de São Paulo, que registrou alta de 0,72%, contra 0,85% na última divulgação. Dos sete grupos pesquisados, quatro assinalaram desaceleração: Habitação (0,66% para 0,53%), Alimentação (2,13% para 1,69%), Transportes (0,13% para 0,09%) e Vestuário (-0,29% para -0,65%). As acelerações ocorreram nos grupos Despesas Pessoais (0,38% para 0,49%), Saúde (0,93% para 1,32%) e Educação (0,42% para 0,87%). Depois de uma trajetória de aceleração nos últimos meses, o índice paulista deu uma desacelerada nesta terceira semana. Chama atenção o recuo dos alimentos, pela perda de força dos impactos anteriores, em especial, com a alta nos preços do feijão e do leite. Ao fim do mês, o IPC da Fipe deve ficar em torno de 0,6%.

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